Qualidade de vida de mulheres rurais e fatores associados: estudo transversal
DOI:
https://doi.org/10.22235/ech.v15i1.4801Palavras-chave:
qualidade de vida, mulheres trabalhadoras, saúde da população rural, promoção da saúdeResumo
Introdução: Mulheres rurais vivenciam vulnerabilidades relacionadas às condições de trabalho, desigualdades de gênero e barreiras de acesso aos serviços de saúde, fatores que podem impactar negativamente sua qualidade de vida. A compreensão dos determinantes associados à qualidade de vida nesse contexto é essencial para subsidiar ações na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Analisar a associação entre qualidade de vida e fatores sociodemográficos, laborais e de saúde de mulheres rurais. Método: Estudo transversal analítico realizado junto a 87 mulheres rurais do município paraibano de Nazarezinho, Brasil. A partir de amostragem por conveniência, os dados foram coletados no período de julho a novembro de 2020 por meio de entrevistas. Foram aplicados um formulário sociodemográfico e o instrumento de avaliação de qualidade de vida Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36). A análise dos dados se deu por estatística descritiva e inferencial. Resultados: Os menores escores de qualidade de vida foram observados nos domínios estado geral de saúde e aspectos físicos. Idade mais avançada, menor escolaridade, maior tempo de trabalho rural, adoecimento relacionado ao trabalho, presença de doenças crônicas e ausência de atividades de lazer apresentaram associação estatisticamente significativa com piores escores em múltiplos domínios. Conclusão: Os achados evidenciam vulnerabilidades específicas das mulheres rurais e reforçam a necessidade de ações de promoção da saúde no âmbito da enfermagem rural, com foco na prevenção de adoecimentos ocupacionais, no manejo de condições crônicas e no fortalecimento do lazer e do autocuidado na APS.
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