Situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.22235/ech.v15i1.4842Palavras-chave:
violência obstétrica, doulas, representação socialResumo
Introdução: A violência obstétrica configura-se como qualquer ato praticado contra a mulher durante a gestação, parto, puerpério ou abortamento resultando em prejuízos físicos, psicológicos, sexuais ou morais. Objetivo: Analisar as situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil. Metodologia: Estudo descritivo e exploratório, qualitativo, ancorado na teoria das representações sociais e desenvolvido entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 no sul da Bahia. Participaram doulas segundo critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. A coleta de dados foi realizada através de um roteiro de entrevista semiestruturado, e amostragem em bola de neve. O perfil socioeconômico e profissional foi analisado por meio de estatística descritiva e os discursos, por meio da análise de conteúdo de Bardin. Resultados: As participantes tinham entre 29 e 59 anos, entre 2 e 10 anos de experiência, 80 % atuavam em ambientes domiciliares e hospitalares, e sua renda mensal variava entre 1 e 6 salários mínimos. As situações identificadas foram agrupadas em violência verbal, física e psicológica. Os relatos evidenciam falta de respeito à autonomia, ofensas verbais, imposições e intervenções sem consentimento, expressando um modelo de atendimento tecnocrático e autoritário. Conclusão: Apesar das adversidades, as doulas atuam como agentes de apoio e empoderamento da mulher, promovendo um parto respeitoso e humanizado.
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