Enfermería: Cuidados Humanizados, 15 (1)

janeiro - junho 2026

10.22235/ech.v15i1.4842

Artigos originais

 

Situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil

Situations of Obstetric Violence Identified by Doulas in Brazil

Situaciones de violencia obstétrica identificadas por doulas en Brasil

 

Renata Conceição Demétrio1 ORCID 0009-0004-4135-5024

Thainá Santos Farias2 ORCID 0009-0002-8592-0318

Michelle Araújo Moreira3 ORCID 0000-0002-6998-8665

 

1 Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil, [email protected]

2 Universidade Federal de Pelotas, Brasil

3 Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil            

 

Resumo:
Introdução:
A violência obstétrica configura-se como qualquer ato praticado contra a mulher durante a gestação, parto, puerpério ou abortamento resultando em prejuízos físicos, psicológicos, sexuais ou morais.
Objetivo: Analisar as situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil.
Metodologia: Estudo descritivo e exploratório, qualitativo, ancorado na teoria das representações sociais e desenvolvido entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 no sul da Bahia. Participaram doulas segundo critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. A coleta de dados foi realizada através de um roteiro de entrevista semiestruturado, e amostragem em bola de neve. O perfil socioeconômico e profissional foi analisado por meio de estatística descritiva e os discursos, por meio da análise de conteúdo de Bardin.
Resultados: As participantes tinham entre 29 e 59 anos, entre 2 e 10 anos de experiência, 80 % atuavam em ambientes domiciliares e hospitalares, e sua renda mensal variava entre 1 e 6 salários mínimos. As situações identificadas foram agrupadas em violência verbal, física e psicológica. Os relatos evidenciam falta de respeito à autonomia, ofensas verbais, imposições e intervenções sem consentimento, expressando um modelo de atendimento tecnocrático e autoritário.
Conclusão: Apesar das adversidades, as doulas atuam como agentes de apoio e empoderamento da mulher, promovendo um parto respeitoso e humanizado.

Palavras-chave: violência obstétrica; doulas; representação social.

 

Abstract:
Introduction:
Obstetric violence is defined as any act committed against a woman during pregnancy, childbirth, the postpartum period, or abortion that causes physical, psychological, sexual, or moral harm.
Objective: To analyze instances of obstetric violence identified by doulas in Brazil.
Methodology: A descriptive and exploratory qualitative study grounded in the theory of social representations, conducted between August 2024 and February 2025 in southern Bahia. The study included doulas selected according to pre-established criteria. Data collection was conducted through semi-structured interviews and snowball sampling. Socioeconomic and professional profiles were analyzed using descriptive statistics, and discourses were analyzed using Bardin’s content analysis.
Results: Participants were between 29 and 59 years old, had between 2 and 10 years of experience, 80 % worked in home and hospital settings, and their monthly incomes ranged from 1 to 6 minimum wages. The situations identified were grouped into verbal, physical, and psychological violence. The accounts reveal a lack of respect for autonomy, verbal insults, impositions, and interventions without consent, reflecting a technocratic and authoritarian model of care.
Conclusion: Despite the adversities, doulas act as agents of support and empowerment for women, promoting a respectful and humanized birth experience.

Keywords: obstetric violence; doulas; social representation.

 

Resumen:
Introducción:
La violencia obstétrica se define como cualquier acto cometido contra la mujer durante el embarazo, el parto, el puerperio o el aborto que provoque daños físicos, psicológicos, sexuales o morales.
Objetivo: Analizar las situaciones de violencia obstétrica identificadas por doulas en Brasil.
Metodología: Estudio descriptivo y exploratorio, cualitativo, fundamentado en la teoría de las representaciones sociales y desarrollado entre agosto de 2024 y febrero de 2025 en el sur de Bahía. Participaron doulas seleccionadas según criterios previamente establecidos. La recolección de datos se realizó mediante entrevistas semiestructuradas y muestreo bola de nieve. El perfil socioeconómico y profesional se analizó mediante estadística descriptiva y los discursos, mediante análisis de contenido de Bardin.
Resultados: Las participantes tenían entre 29 y 59 años, entre 2 y 10 años de experiencia, el 80 % actuaba en ámbitos domiciliarios y hospitalarios, y sus ingresos mensuales variaban entre 1 y 6 salarios mínimos. Las situaciones identificadas se agruparon en violencia verbal, física y psicológica. Los relatos evidencian falta de respeto a la autonomía, ofensas verbales, imposiciones e intervenciones sin consentimiento, expresando un modelo de atención tecnocrático y autoritario.
Conclusión: Pese a las adversidades, las doulas actúan como agentes de apoyo y empoderamiento de la mujer, favoreciendo un parto respetuoso y humanizado.

Palabras clave: violencia obstétrica; doulas; representación social.

 

Recebido: 18/09/2025

Aceito: 27/03/2026

 

 

Introdução

 

 

O período gravídico-puerperal é marcado pelas transformações fisiológicas materno-fetais, psicológicas, comportamentais, emocionais, e sociais provocadas pelo gestar, parir e nascer. Esse período enfrentado pela gestante, parturiente e puérpera vai muito além de um estado de transitoriedade, e embora, possa parecer um momento de tranquilidade e felicidade, essa jornada muitas vezes não se desenvolve com todo o cuidado e respeito que se espera.  Nesse cenário, a fragilidade e vulnerabilidade desta fase aliadas a fatores como desconhecimento de seus direitos e falta de informações, viabilizam à ocorrência de casos de violência obstétrica. (1)

A violência obstétrica por sua vez, é definida por qualquer ato de violência praticado contra a mulher durante a gestação, parto, puerpério e em situações de abortamento, resultando em prejuízos físicos, psicológicos, sexuais, inter-relacionais e morais.  (2) Para além disso, deve ser compreendida como uma manifestação da violência de gênero, uma vez que se fundamenta em relações historicamente desiguais de poder entre homens e mulheres, expressando-se por meio do controle do corpo feminino, da deslegitimação de sua autonomia e da naturalização de práticas autoritárias no cuidado à saúde reprodutiva. Assim, sua ocorrência não se restringe a falhas assistenciais, mas integra um fenômeno estrutural mais amplo de desigualdade de gênero, o que reforça sua relevância como problema social e de saúde pública. (3) A equipe de saúde muitas vezes atua com exercício desmedido de poder e ausência de empatia, suscitando a submissão feminina, a perda da autonomia e decisão sobre seus corpos, principalmente por se tratar de um momento de grande vulnerabilidade para a mulher. Estudo realizado com gestantes afrodescendentes no sul da Bahia revelou que várias delas não entendem completamente o que é a violência obstétrica, limitando sua definição ao instante do parto, o que contribui para tornar essas práticas normais e veladas no cotidiano da assistência obstétrica. (4)

 O estudo “Nascer no Brasil” evidenciou que a ocorrência dessa prática apresenta variação conforme o perfil das mulheres e os contextos institucionais, revelando números preocupantes de intervenções.  Nesse estudo, observou-se que mais da metade das mulheres sofreram episiotomia, 91,7 % vivenciaram litotomia, cerca de 40 % foram submetidas à administração de ocitocina ou amniotomia, e 37 % vivenciaram a manobra de Kristeller. (5) Para superar e mitigar tal problemática, tem-se o movimento em prol da humanização do parto e nascimento, através de uma assistência digna e qualificada às gestantes, parturientes e puérperas, reduzindo a abordagem patológica do parto, as intervenções desnecessárias e as violações aos direitos das mulheres com a presença da doula. (6) O papel das doulas é bastante valorizado em diversos países.

Nos Estados Unidos, apesar de não possuir regulamentação federal, há várias instituições que oferecem certificações, como a Doulas of North America International (DONA), que define requisitos de princípios éticos e formação do exercício da doulagem. (7)

No Brasil, a atuação das doulas vem ganhando respaldo legal, especialmente com o Projeto de Lei (PL) nº 77/2022, que dispõe sobre o exercício da atividade das doulas e tem como objetivo estabelecer a regulamentação da profissão em todo o território nacional. (8) Além de, assegurar a doulagem como parte integrante da atenção multidisciplinar no período gravídico-puerperal. O PL caracteriza a doula como uma profissional que proporciona suporte físico, emocional e informativo durante a gravidez, parto e o pós-parto, sem realizar qualquer atividade de natureza clínica. (9)

Sabe-se que o exercício da doulagem proporciona suporte físico e emocional para a pessoa que gesta e sua rede de apoio, contribuindo para a evolução gestacional saudável e o desfecho positivo no momento do parto. Considerando a alta demanda do SUS e suas particularidades, a atuação da doula se transforma em um instrumento para completar a assistência obstétrica em suas diferentes etapas, em consonância com as orientações do Ministério da Saúde (MS), que fortalece a integralidade e humanização do cuidado à saúde da mulher. (10) Além de, resgatar o protagonismo e empoderamento da mulher, aperfeiçoando a assistência no período gravídico-puerperal. (11)

Contudo, as doulas encontram-se imersas em um modelo obstétrico que nem sempre é favorável a uma gestação, parto e puerpério seguros, sendo necessário conhecer as situações de violência obstétrica que identificam no seu cotidiano, humanizando a equipe de saúde da qual fazem parte e possibilitando uma assistência acolhedora e respeitosa.

Desse modo, surgiu a seguinte questão norteadora: Quais as situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil? Nesse sentido, definiu-se como objetivo: analisar as situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil.

Diante do exposto, a relevância social e científica dessa pesquisa está embasada em revelar as práticas consideradas violência obstétrica identificadas pelas doulas, permitindo que novas estratégias possam ser implementadas para prevenção de novos casos de violência obstétrica, tais como: capacitações para as mulheres exercerem autonomia em seus direitos reprodutivos; fortalecimento das doulas na assistência ao período gravídico-puerperal; fornecimento de informações com base em evidências científicas para a tomada de decisão dos gestores de saúde, com vistas à melhoria no planejamento do cuidado à gestação, parto e puerpério.

 

 

Método

 

 

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, com desenho qualitativo, ancorado na teoria das representações sociais (TRS), que busca compreender de forma profunda os fenômenos sociais a partir da perspectiva dos indivíduos, valorizando suas experiências pessoais, significados e ambientes culturais. (12) A TRS abarca o saber que é coletivamente construído e disseminado, com o propósito de explicar a realidade, guiar ações e facilitar a comunicação entre os integrantes de um grupo. Assim, torna-se uma ferramenta essencial para o estudo de fenômenos sociais, destacando como os indivíduos geram e trocam significados sobre certos objetos ou eventos. (13)

O estudo foi realizado em uma empresa de doulagem localizada no Brasil. A empresa foi escolhida por ser a única instituição na região que proporciona formação continuada para doulas com suporte regular às gestantes, parturientes e puérperas, operando em ambientes domiciliares e hospitalares (públicos e privados). Essa instituição, através do processo formativo, permite que as doulas realizem um trabalho diversificado e abrangente, possibilitando o desvelamento de práticas institucionais caracterizadas como violência obstétrica sob variadas óticas. A escolha do local baseia-se em critérios regionais diversificados, a exemplo da diversidade étnica, composta por população indígena e quilombola, o que implica práticas culturais específicas e representações sociais distintas. (14) No contexto estadual e epidemiológico, há taxas desproporcionais sobre mortalidade materna, com 85,15 % dos óbitos maternos relacionados a mulheres afrodescendentes, tidas como as maiores vítimas de violência obstétrica no país. (15) Ressalta-se ainda que a instituição foi fundada há três anos por uma doula e oferece formações anuais a depender da disponibilidade e demanda. Até o momento foram realizados seis cursos com aproximadamente 60 doulas formadas, mediante a instrução de psicólogas, outras doulas, enfermeiras obstetras e obstetrizes, com aulas expositivas e práticas.

As participantes do estudo foram doulas de acordo com os seguintes critérios de inclusão: maior de 18 anos, que tenham curso comprovado de doulagem e experiência no pré-natal, parto ou puerpério. O critério de exclusão foi: que esteja de licença médica durante o período de coleta dos dados. A amostragem foi do tipo não probabilística, caracterizando-se como amostragem intencional, uma vez que as participantes foram selecionadas com base em critérios previamente estabelecidos e na relevância de suas experiências para o objeto investigado. Utilizou-se a técnica de amostragem em cadeia, também conhecida como snowball (bola de neve), na qual a primeira participante foi selecionada por conveniência e, posteriormente, indicou outras doulas que atendiam aos critérios de inclusão, ampliando progressivamente o grupo. Ressalta-se que essa estratégia não se configura como amostragem por conveniência, pois a seleção não ocorreu apenas pela facilidade de acesso, mas pela pertinência teórica e vivencial das participantes em relação ao fenômeno estudado. (16) A pesquisadora disponibilizou o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e todas as entrevistas foram gravadas após autorização das participantes, transcritas e analisadas, sendo mantidas por no mínimo cinco anos e após esse período serão deletadas.

A coleta de dados foi realizada remotamente, por meio da plataforma Google Meet, no período de agosto de 2024 a fevereiro de 2025. Foi aplicado como instrumento um roteiro de entrevista semiestruturada contendo idade; o tempo médio e local de atuação; religião; nível de escolaridade; estado civil; cor/etnia e renda mensal, além das questões orientadoras contendo o conceito; experiências marcantes de violência obstétrica vivenciadas; os profissionais que mais perpetram violência obstétrica e o que confere tais práticas. As entrevistas tiveram duração média de 30 a 50 minutos. O número de participantes foi definido pelo critério de saturação teórica, sendo a coleta encerrada quando as entrevistas passaram a apresentar recorrência de informações, sem o surgimento de novos elementos relevantes para as categorias analíticas do estudo. A análise ocorreu de forma concomitante à coleta dos dados, possibilitando identificar o momento de saturação. Não foi realizada devolutiva formal aos participantes, contudo, buscou-se garantir a fidedignidade das análises por meio de transcrição integral das entrevistas e revisão criteriosa das categorias temáticas.

A análise de dados do perfil socioeconômico e profissional das doulas foi processada pela estatística descritiva e a parte discursiva das entrevistas foi respaldada na análise de conteúdo, segundo o referencial metodológico de Bardin, através de três polos cronológicos: pré-análise, análise e tratamento dos resultados obtidos e interpretação. (17) A pré-análise consistiu na estruturação do corpus (os depoimentos) e uma leitura dinâmica das entrevistas permitindo um melhor entendimento para seleção. A fase exploratória do material compreendeu a organização dos depoimentos destacando e agrupando as falas por semelhança e criando categorias referentes aos fatores socioeconômicos, vida profissional, religião e ao local de atuação. Em suma, a análise das informações permitiu compreender as categorias e o significado da doulagem na visão grupal, ancorada na TRS. Para assegurar o rigor metodológico, adotaram-se os critérios de credibilidade, transferibilidade, confiabilidade e confirmabilidade. A credibilidade foi garantida pela gravação, transcrição integral e análise sistemática das entrevistas; a transferibilidade, pela descrição detalhada do contexto e das participantes; a confiabilidade, pela explicitação das etapas metodológicas; e a confirmabilidade, pela fidelidade às falas transcritas. Não foi realizada validação posterior com as participantes, considerando-se que o rigor analítico e o uso das transcrições integrais asseguraram a consistência interpretativa.

A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual de Santa de Cruz (UESC), tendo obtido aprovação sob número de parecer 7.083.094, com base nas Resoluções nº 466/2012, nº 510/2016 e Lei nº 14874. (18, 19, 20) Foi assegurado às participantes o anonimato, tendo sido identificadas pela letra P seguida de numeração cardinal.

 

 

Resultados

 

 

Participaram 10 doulas com faixa etária entre 29 e 59 anos, sendo 50 % casadas, 40 % solteiras e 10 % divorciadas. Em relação à escolaridade, 40 % têm ensino médio completo, 10 % ensino superior incompleto, 30 % superior completo e 20 % possuem mestrado. No que tange à cor/etnia, há predominância de pardas (50 %), seguidas por brancas (40 %) e pretas (10 %), refletindo diversidade racial no grupo.

Ademais, 40 % das doulas se declaram sem religião, enquanto 20 % são espíritas, 10 % católicas, 10 % evangélicas, 10 % cristãs e 10 % candomblecistas. A renda mensal variou entre 1 e 6 salários mínimos, sendo que metade das participantes (50 %) estavam na faixa de até um salário. Quanto à atuação profissional, 70 % exercem outras atividades paralelas à doulagem, sendo as mais comuns: técnica de enfermagem, enfermeira, professora e fotógrafa. O tempo de formação varia entre dois e 11 anos, sendo 50 % entre quatro e seis anos, 30 % até três anos e 20 % mais de seis anos. Já o tempo de atuação é distribuído entre 2 e 10 anos, sendo 50 % até 3 anos, 40 % entre 4 e 6 anos, e apenas 10 % a mais de 6 anos. Por fim, 80 % atuam nos ambientes domiciliar e hospitalar, e 20 % apenas em hospitalar, demonstrando versatilidade no cuidado prestado.

A avaliação das características sociodemográficas e profissionais das doulas auxilia na compreensão de elementos significativos que afetam a maneira como as doulas representam as situações de violência obstétrica. A maior presença de mulheres pardas com níveis educacionais mais altos indica uma maior consciência social e um olhar crítico em relação às práticas institucionais de gestação, parto e puérperio, o que pode facilitar a identificação e a denúncia de comportamentos abusivos. Ademais, o fato de que as doulas desempenham várias funções profissionais e possuem rendas variáveis mostra os desafios financeiros que permeiam a prática da doulagem no Brasil, um cenário que pode influenciar o reconhecimento social dessa atuação e a interação com outros profissionais de saúde. Portanto, o perfil das doulas oferece informações valiosas e plurais que colaboram para a construção das suas representações.

Posteriormente à análise do perfil, codificou-se os depoimentos transcritos, com base na TRS, em uma figura, revelando três categorias, apresentadas a seguir:

 

Figura 1: Categorias analíticas desenvolvidas a partir dos termos que são mais frequentes nos depoimentos das doulas.

 

 

 

Violência verbal

 

 

Percebe-se, no discurso das doulas, práticas que desqualificam, infantilizam e constrangem as mulheres durante o processo gestacional, parturitivo e puerperal. As falas dirigidas às vítimas, retratam não apenas desrespeito individual, mas a persistência de um modelo tecnocrático na assistência obstétrica, como evidenciado abaixo:

Uma das violências é: “pare de olhar para sua doula, eu que estou falando com você, quem está falando aqui é o médico, eu sou o plantonista, eu é que dou conta disso aqui, sua doula não sabe de nada”. O marido que é advogado falou com toda a propriedade “não doutor, nós somos informados, nós sabemos que a OMS preconiza...” e ele “não venha com essa história de OMS, aqui não tem OMS não, aqui sou eu” (P1).

Ela ficou umas duas ou três horas, não tinha contração, e ela ouvindo desaforo. A cliente disse que não queria que medisse a pressão naquele momento, ela não queria que fizesse o toque porque estava tendo contração, estava com dor, “ah, aquela cliente fica lá escolhendo que hora ela quer” (P3).

Eu vejo que eles têm uma propensão a ter pequenas falhas na hora da conduta, pedem a mulher para não fazer tanto grito. Teve a situação que uma gestante pariu naquele ambiente, não foi aquela luz toda, e aí ela falou assim: Meu Deus! Está parindo no breu! São questões que às vezes não acarretam uma complicação mais séria, mas são violência para aquela mulher. Porque pensa aí, a mulher ouvindo que está parindo no breu e fala de formas assim... rindo e sarcástico (P5).

É possível observar padrões frequentes de violência obstétrica revelando um modelo de cuidado autoritário que desconsidera a autonomia da mulher durante o parto. Nota-se a imposição de ações sem levar em conta o plano de parto prévio, a utilização de palavras ofensivas e degradantes, além de tentativas de silenciar manifestações de dor e sofrimento, algo percebido a seguir:

O médico chegou gritando dizendo que quem mandava era ele e que ela só obedecia, e que era para ela parar de presepada de querer parto natural. E várias outras coisas que a gente como profissional ouve, coisas como: “tenta não gritar muito”, ou como mencionei anteriormente, chamar a mulher de “mãezinha” parece que não, mas também é uma violência (P6).

E o médico gritando: “bora, tem que parir, tem que parir”. É violento! Às vezes, essa mulher não está pronta, não está disposta para isso (P7).

A enfermeira chegou para ela e falou assim: “olha, arrebentou um bocado” e chamou o marido da gestante para conferir, disse: “mas eu vou costurar e vou deixar novinha para você”. Depois que ela costurou, ainda fez questão de dizer que estava apertadinha para o marido. Eu já passei por outra situação: tinha uma gestante que tinha treze anos e quando eles chegaram falaram: “olha, arretadinha, novinha e está parindo, na hora de fazer foi bom” e chamou todo mundo e isso virou um evento no corredor do hospital que uma menina de treze anos estava parindo normal (P8).

A gestante já chegou parindo e evacuando, não me recordo se tinha sido enfermeira ou uma técnica que foi muito grosseira e rude. Ela começou a gritar porque ela estava evacuando, achei um pouco rude e não queriam deixar o marido dela entrar. Teve outra situação também que o bebê estava em uma posição que dificultava o nascimento. Direcionaram ela para a cesariana sem uma conversa ou um esclarecimento prévio. Falaram que se acontecesse algo com o bebê a culpa seria da mãe (P9).

Em suma, há presença de discursos impositivos, exemplificados por médicos ou enfermeiros que proferem ordens de maneira abrupta, reforçando a expectativa de que a mulher deve aceitar a assistência sem questionar. Além disso, observa-se tentativas de minimizar a dor por meio de comentários como “tente não gritar tanto”  que desvalidam o sofrimento da mulher em um momento de fragilidade. Também existem falas que desrespeitam e sexualizam o corpo feminino, como expressões do tipo “vou deixar novinha para você”, pronunciados na frente de outras pessoas, como o parceiro da gestante. Essas formas de agressão, tratadas de maneira leviana como “brincadeiras” ou “costumes”, consistem em violência obstétrica. 

 

 

Violência física

 

 

Essa tipificação de violência engloba condutas e procedimentos que vão além do cuidado técnico, resultando em dores e desconforto físico através de intervenções inadequadas, desnecessárias ou coercitivas. Em diversas circunstâncias, essas ações ocorrem sem a autorização da mulher ou sob a justificativa de serem consideradas “normais”, como desvelado a seguir:

Em situações de toque, que a mulher fala assim: “tira, pelo amor de Deus, tira a mão daí” e o profissional: “não, calma, relaxa, você não está colaborando. Outras violências: romper a bolsa artificialmente, a mulher diz: “não quero!”, tem médicos que rompem sem falar, vai fazer um toque e no toque rompe a bolsa; recusar aumentar a temperatura do ar condicionado; recusar que a gestante se movimente, e obrigar que a gestante se movimente (P1).

O profissional tem o hábito de fazer aquilo mecanicamente a X tempo, mesmo que não tenha mais indicação de uso. Por exemplo: toque na consulta ginecológica de cada mulher que está gestando, quando não tem nenhuma queixa. São toques que violam a integridade da mulher, que vão beirar a violência sexual. Já vi situações que a gestante ficou em jejum mais de 24 horas, sem água e sem comida. Já vi da cliente pedindo no plano de parto que não fizesse episiotomia e foi feita episiotomia. Puxo dirigido é uma realidade. A enfermeira obstétrica falava: “faz força, segura na perna e puxa assim” (P3).

Mesmo tendo um parto normal tem um tempo para poder ter alta. Quando foi dada alta, ela veio para casa e não fizeram os exames que são necessários (P5).

Esse tipo de violência obstétrica se revela pela adoção de condutas com uso de força física ou de procedimentos dolorosos entendidos como parte do cotidiano nos hospitais. Longos períodos de jejum, posições de parto determinadas exclusivamente pelos profissionais de saúde, toques de forma excessiva estão entre os casos relatados. Nesse cenário, o corpo feminino é utilizado como um objeto, perdendo sua importância no processo do parto, como revelado abaixo:

Essa gestante pediu água, que ela estava com muita sede, foi negada a água para ela (P5).

Vários alunos de medicina fazendo toque vaginal, tinha aproximadamente seis alunos e todos fizeram. A mulher estava sozinha, era uma mulher afrodescendente, sabemos que mulheres afrodescendentes estão mais vulneráveis a sofrer violência. Eu imagino o desconforto, em um momento tão íntimo sendo tocada por vários desconhecidos, onde claramente ela estava desconfortável (P6).

Eu presenciei Manobra de Kristeller e exame de toque desnecessário. Ele ficou com o dedo nela tocando, estava desconfortável. A contração veio, ele não tirou, não explicou, só ficou calado e forçando. Ele estava com o toque afinado o colo, a gente sabe que isso não é necessário e não precisa porque o corpo vai levar um tempo para acelerar. A mulher precisou empurrá-lo (P7).

A gestante chegou com a bolsa rota, já tinha algumas horas. A enfermeira foi fazer o toque e perguntou: “você tem certeza que a bolsa rompeu”?. Ela respondeu que sim e ela foi conferir. Puxou de uma forma que machucou, puxou a parte íntima da gestante para ver se realmente tinha rompido (P8).

A gestante já estava em trabalho de parto ativo e a médica de plantão em uma sala meio insalubre até avaliou e achou que estava na hora do bebê nascer, pediu o bisturi sem autorização de ninguém (P9).

Essas práticas de violência obstétrica, mesmo quando veladas pelas rotinas hospitalares, ferem princípios humanitários e éticos. É preciso fomentar uma assistência que se baseie na escuta, respeito e valorização da autonomia das mulheres no período gravídico-puerperal.

 

 

Violência psicológica

 

 

Refere-se à realização de ações ou à ausência delas que provocam dor emocional, insegurança, vergonha e sentimentos de inferioridade. Esse tipo de violência obstétrica, embora velada, é intensa e ocorre através das palavras, comportamentos e atitudes dos profissionais de saúde que desmerecem e abalam a estabilidade emocional da mulher. Frequentemente, esse tipo de violência é normalizado nos serviços de saúde, sendo erroneamente interpretado como parte da “rotina” ou de “práticas padrão”, como elencado a seguir:

Ele (médico) entrava no quarto, na sala de parto, olhava para a mulher e dizia assim: “ai não nasce não, quer dizer, nascer nasce, mas não nasce normal não”. Fazia o toque e dizia assim: “tá com 6 para 7 centímetros, mas do jeito que tá aí não vai não” A mulher perguntava por que, e ele: “porque você já tá aí há tanto tempo, você tá cansada...”. Aí ele fazia um carinho na cabeça da mulher: “você tá cansada, você precisa de paz, às vezes a mulher precisa, fica assim tentando o parto normal, mas quando não é pra ser, não é.” E aí virava pro marido e dizia assim: “se fosse minha mulher já tinha levado pra fazer cesárea” Toda uma manipulação. Outra situação: a gestante era testemunha de Jeová e disse que não queria receber transfusão de sangue. No momento do parto, a enfermeira quis fazer uma palestra sobre transfusão de sangue, a menina tinha feito um plano de parto, tinha um documento registrado em cartório dizendo: “não recebo sangue, nem eu nem meu bebê”. Talvez a violência maior seja roubar o parto normal dessa mulher tocando o terror (P1).

Eles queriam ter a liberdade dela parir na posição que queria, ela queria parir fora da cama e solicitaram que ela fosse para a cama, sobre o uso do nitrato também. Eles ficaram coagindo e dizendo que não era por conta da presença da doula ou porque a doula tinha falado que eles tinham que atender. Após ir para o quarto ficaram de piadinhas: “foram vocês, o casal, que trouxeram a doula”? (P4).

Tem essa questão de que eles querem muito levar a mulher para cesárea, muitas vezes enganam a gestante inventando problemas que não são problemas e quando o profissional fala e ela acredita. Eles fingem que, “eu tô cuidando muito bem de você, eu não quero que nada de ruim aconteça com você, para evitar que você tenha um problema lá na frente, vamos já marcar cesária” (P5).

Diante o exposto, nota-se uma violência psicológica contínua, que se revela por meio de comentários degradantes, sugestões ameaçadoras, humilhações e pela marginalização das gestantes nas escolhas sobre seus próprios corpos. Esses comportamentos debilitam emocionalmente as gestantes e revelam um atendimento marcado por relações de poder assimétricas, falta de apoio e uma escassez de capacitação para oferecer um cuidado humanizado, como destacado abaixo:

E várias outras coisas que a gente como profissional ouve, coisas como: “quando a vontade de gritar vier, você engole junto com o choro” (P6).

Começa muito no pré-natal essa violência, do médico definir escolhas da paciente falando que o parto tem que ser cesariano. E não oferecendo as informações para que ela possa decidir com conhecimento, autonomia, que não seja algo imposto por medo. Outra coisa é foto sem autorização, já vi situações de pessoas divulgarem. E mesmo com autorização prévia, só que de repente coloca a pessoa em uma posição que não é legal, uma posição muito exposta (P8).

No momento em que nós chegamos, eu e o casal, escutei algumas conversinhas pelo fato de eu estar acompanhando. Achei um pouco rude e desfazendo o fato da gestante estar com a doula. E outra situação, depois do nascimento, precisei ficar um pouco mais tempo com a gestante e o médico foi fazer a visita. Ele falou coisas totalmente desnecessárias, que se ele fosse o médico dela ele não faria, porque ninguém mais faz isso hoje e que a mulher dele nunca faria um parto normal, que isso são coisas que as doulas colocam na cabeça das gestantes (P9).

Situação do médico dar um prazo e falar: se você não parir até tal hora, vai para a cesárea, ou falar que a mulher não pode levantar, se mexer ou falar para fazer força (P10).

A violência psicológica afeta profundamente o bem-estar das grávidas, sendo, portanto transversal a todas às demais. Expressões como "se você não der à luz até um determinado momento, precisará passar por uma cesárea" ou a culpa imposta à mulher em circunstâncias difíceis relacionadas ao bebê demonstram como o medo e a coerção funcionam como formas de controle. A falta de informações adequadas, a desconsideração da autonomia das mulheres e o uso de uma atitude agressiva por parte dos profissionais de saúde ajudam a criar um contexto que é, simultaneamente, opressivo e desumanizador. Essas ações não só violam as diretrizes que asseguram os direitos das gestantes, mas também reforçam um modelo biomédico que prioriza a autoridade do profissional em detrimento da pessoa sob cuidados.

As modalidades de violência apontadas nesta pesquisa demonstram que essas expressões não se limitam a comportamentos isolados ou desvios morais específicos, mas estão inseridas em uma configuração social permeada por relações de gênero que são historicamente desiguais. Os casos de silenciamento, a desvalorização da dor, a ironia, as ameaças sutis e as intervenções feitas sem o devido consentimento evidenciam a continuidade de um modelo de assistência que se baseia na autoridade técnica e científica, onde o corpo da mulher é tratado como um objeto passível de intervenção e controle.

Sob essa perspectiva, a violência obstétrica se manifesta como uma forma particular de violência de gênero, baseada na validação da autoridade médica sobre os processos de reprodução e na criação de desigualdades nas tomadas de decisão que limitam a autonomia da mulher.

Assim, as violências descritas pelas doulas destacam o vínculo entre as práticas de assistência e as condições socioculturais que, ao longo da história, colocam a mulher em uma posição de tutela e subordinação. A normalização de narrativas que tratam a parturiente de maneira infantilizada ou silenciando a mesma, além de prejudicar a qualidade do atendimento reforça padrões de dominação de gênero fazendo com que a violência obstétrica seja entendida como um fenômeno de caráter estrutural, e não meramente ocasional.

Essas violências não acontecem de forma isolada, mas frequentemente se entrelaçam, intensificando o sofrimento das mulheres e afetando sua independência em um momento de grande fragilidade e singularidade. As doulas ressaltam a necessidade imediata de reestruturar os sistemas de atendimento, com o objetivo de promover uma prática ética, acolhedora e respeitosa, que coloque a mulher em primeiro plano ao longo de todo o processo.

 

 

Discussão

 

 

A violência obstétrica representa um fenômeno complexo que abarca diversas facetas da assistência à saúde da mulher durante o período gravídico-puerperal, englobando abusos de natureza verbal, física e psicológica. Uma pesquisa conduzida na Espanha com 899 mulheres revelou que 67,4 % relataram ter sofrido alguma forma de violência obstétrica, sendo 54,5 % violência física, 36,7 % psicoafetiva e 25,1 % verbal. (21) 

Foi observado que a caracterização sociodemográfica e profissional das doulas é representada por uma variedade étnica, racial e financeira que podem impactar de forma significativa na sua habilidade em identificar e simbolizar situações de violência obstétrica. Doulas que possuem um nível de educação mais elevado e uma experiência profissional mais abrangente costumam perceber de maneira mais crítica as ações institucionais que desrespeitam os direitos das mulheres na gestação, trabalho de parto e puerpério, o que reforça a função dessas profissionais como facilitadoras na promoção de gestações, partos e nascimentos humanizados. Além de ocorrer durante a gestação e o parto, essa violência também está presente em situações de abortamento, podendo ser manifestada por ausência de acolhimento e assistência, julgamentos de cunho religiosos e morais. (22)

  Em uma revisão sistemática sobre a violência obstétrica, estima-se que milhões de mulheres, em uma variedade de cenários socioeconômicos, enfrentam uma forma de abuso físico ou verbal durante o parto. Esta análise revela que os principais fatores ligados à ocorrência dessa violência estão associados à relação de poder entre os profissionais de saúde e as mulheres, à falta de políticas públicas eficazes de humanização e ao desconhecimento dos direitos femininos. Esses resultados enfatizam que a violência obstétrica não se limita a alguns países, mas representa uma questão estrutural que demanda respostas políticas e profissionais coesas e urgentes. (23) Tais ações indicam a manutenção de um modelo autoritário e tecnocrático caracterizado pela ênfase nos métodos médicos e pela influência predominante destes profissionais em detrimento da autonomia feminina. É um modelo baseado na visão do corpo da mulher como uma “máquina” que tem a necessidade de ajustes, reduzindo a figura da gestante a um objeto de intervenção. (24)

Estudos evidenciam que as práticas violentas no período gravídico-puerperal são muitas vezes entendidas como algo necessário para vivenciar o processo da maternidade, algo que está diretamente relacionado ao baixo nível de conhecimento das mulheres, sendo fundamental educação em saúde para orientá-las e empoderá-las. (25)

Nota-se ainda que a violência verbal é uma constante e se mantém através de observações negativas, infantilização, imposição de comportamentos e ironias que desvalorizam a vivência da mulher durante a gestação, o parto e o puerpério. Essa forma de interação aponta para relações desiguais de poder, onde a autonomia da gestante é perdida indo contra com os princípios da humanização do cuidado. Expressões que parecem inofensivas contêm sarcasmo ou conotação de caráter sexual, afetando diretamente a dignidade e o bem-estar emocional das mulheres que se encontram nessa fase do ciclo de vida. (26)

Estudos globais mostraram que as mulheres que passam por experiências de violência, desprezo ou falta de cuidado no momento do parto expressam emoções de vergonha, temor e falta de controle, as quais podem se transformar em transtornos de ansiedade, depressão ou estresse pós-traumático. A falta de compaixão e de uma comunicação eficaz durante o atendimento ajuda a criar “feridas invisíveis”, que permanecem mesmo depois que o bebê nasce. (27)

Em relação à violência física, constatou-se a execução de intervenções invasivas sem a devida autorização, incluindo episiotomias, ruptura artificial da bolsa amniótica e diversos exames de toques vaginais sem evidência científica, além da imposição de determinadas posições durante o parto e longos intervalos de jejum. (28)

Ademais, a violência psicológica é transversalizada em todas as outras violências, aparecendo por meio de ameaças, instigação de medo, manipulação das emoções e desrespeito às escolhas previamente documentadas no plano de parto. Essa forma de violência é especialmente prejudicial, pois mina a confiança nos serviços de saúde e enfraquece a relação entre as profissionais e as clientes além de danos psicológicos e traumas para as mulheres e bebês. No estudo em questão, essas práticas foram maximizadas por uma resistência à inclusão da doula, revelando que, mesmo com o suporte legal disponível em localidades brasileiras, a verdadeira incorporação dessa profissional ainda enfrenta obstáculos de natureza cultural e institucional. (29)

Em um estudo realizado na Espanha descobriram que mães que passaram por situações de abuso durante o parto enfrentaram mais desafios na amamentação inicial e na formação do laço afetivo com o seu bebê. Vivenciar desrespeito e sofrimento emocional durante o parto geralmente enfraquece a autoconfiança das mães e sua percepção sobre a habilidade de cuidar do filho. (30) Um aspecto que vale a pena ressaltar é que, mesmo com o aumento do reconhecimento do papel das doulas como apoio físico, emocional e informativo, ainda existem profissionais de saúde que mostram resistência à sua participação no processo de gestar e parir. Foram documentados episódios de constrangimento e tentativas de deslegitimar a atuação dessas profissionais, evidenciando que a integração da doula em uma equipe de profissionais de saúde continua sendo um desafio. Essa resistência pode advir de uma visão distorcida que sugere que a doula interfere nas decisões médicas e de enfermagem, quando, na verdade, sua função é auxiliar e complementar, sem substituir o cuidado clínico. (31)

Em uma pesquisa realizada com pesquisadores de nove países: Alemanha, Bélgica, Chile, Escócia, Espanha, Islândia, Reino Unido, Suécia e Países Baixos, desvelou-se que vivenciar um parto doloroso envolve mais do que possíveis complicações clínicas, está relacionada às percepções e experiências pessoais da mulher. O estudo revelou que essas experiências se originam, em grande parte, de condutas inadequadas por parte dos profissionais de saúde, da falta de apoio emocional, da realização de procedimentos sem a devida permissão, de comportamentos desrespeitosos ou de ações ligadas à violência obstétrica. Entre os danos psicológicos, destacam-se, medo, tristeza, desespero e impotência. Esses sentimentos podem permanecer mesmo após o parto e podendo evoluir para quadros de ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. (32)

Em consonância, um estudo realizado em 18 países como Alemanha, Bélgica, Chile, Espanha, Escócia, França, Grécia, Inglaterra, Irlanda, Irlanda do Norte, Islândia, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Sérvia, Suíça e Turquia mostrou que a violência obstétrica acarreta consequências negativas, tais como redução da autoconfiança, dificuldades nas relações com o companheiro e a criança, percepção de solidão, pensamentos autodepreciativos e interrupção inesperada e precoce do aleitamento. Ademais, nota-se uma hesitação ou resistência em buscar ajuda profissional, o que evidencia um efeito psicoemocional considerável podendo comprometer a qualidade de vida das mulheres e levar ao adoecimento mental. Ao articular as evidências científicas sobre o parto traumático com as experiências reais das doulas, a pesquisa contribui para entender que a violência obstétrica pode resultar em traumas físicos, emocionais e sociais. (33)

A liberdade sobre o corpo e o consentimento esclarecido devem ser valores essenciais na ajuda durante o parto. Contudo, em diversos cenários, as abordagens dos profissionais continuam a seguir padrões autoritários e paternalistas, que ignoram as escolhas e desejos da gestante. A autora ressalta que o aprimoramento das diretrizes de direitos reprodutivos e a formação ética dos profissionais de saúde são ações fundamentais para evitar abusos e promover um atendimento que seja verdadeiramente humanizado e focado na mulher. (34)

Portanto, a presença das doulas no cenário obstétrico é percebida como estratégia de fortalecimento da humanização do parto, corroborando iniciativas como o projeto “Doulas Comunitárias”. Entretanto, observa-se que, apesar dos avanços normativos, ainda existem desafios relacionados à efetiva implementação dessas políticas, o que reforça a necessidade de fiscalização e comprometimento institucional. (35)

Os resultados demonstram que as doulas compreendem a violência obstétrica como práticas que desrespeitam a autonomia, a dignidade e o protagonismo da mulher no processo de gestação e parto. Suas representações evidenciam uma postura crítica frente ao modelo intervencionista e reforçam a defesa de um cuidado centrado na escuta, no respeito e na valorização das escolhas femininas, revelando a importância da humanização e às estratégias de mitigação desse fenômeno danoso à vida de mulheres, seus filhos e famílias. Nesse contexto, entender os elementos que promovem ou dificultam a procura por assistência é fundamental, pois a maneira como se vê o apoio social e a acessibilidade de recursos institucionais são essenciais para que a mulher consiga superar esse histórico de violência. 

As modalidades de violência mencionadas pelas doulas vão além da esfera técnica da assistência e evidenciam uma dinâmica relacional plena de desigualdades de poder. Quando examinadas sob a ótica da violência de gênero, essas práticas mostram que a violência obstétrica não se restringe a ações isoladas, mas se insere em um quadro histórico e social onde os corpos das mulheres frequentemente sofrem com a medicalização excessiva, a desvalorização de suas decisões e a hierarquização dos conhecimentos biomédicos. Essa situação é agravada pelo fato de que a violência baseada em gênero ocorre com frequência em diferentes ambientes sociais, onde as normas de gênero muitas vezes desencorajam as vítimas a procurarem ajuda, contribuindo diretamente para o ciclo de silêncio e repetição. As representações sociais elaboradas pelas participantes sugerem que o silenciamento, a infantilização e a imposição de procedimentos sem consentimento representam formas de controle que afetam particularmente mulheres em situações vulneráveis. (36)

Assim, a violência obstétrica pode ser entendida como uma forma particular de violência de gênero no âmbito da saúde, sustentada por um modelo de assistência tecnocrática que naturaliza a desigualdade entre os profissionais de saúde e as mulheres. À luz da Teoria das Representações Sociais, é possível perceber que as doulas atribuem sentido a essas situações não só como falhas institucionais, mas também como manifestações de uma lógica estrutural que mantém desigualdades e reforça a subordinação das mulheres na assistência ao parto e nascimento.

Os achados deste estudo acrescentam às evidências científicas existentes ao analisar em profundidade as representações sociais das doulas sobre a violência obstétrica, revelando aspectos que ainda não foram amplamente investigados, em especial no Brasil, e sugerindo direções para o fortalecimento das práticas humanizadas e para a transformação das relações entre os profissionais e as parturientes na área obstétrica. Dessa forma, os resultados dialogam com a literatura nacional e internacional, enfatizando que a presença de doulas pode contribuir para a minimização da violência obstétrica, redução das intervenções sem evidências científicas e sem consentimento da gestante, parturiente ou puérpera, além de informar essa mulher sobre todos os seus direitos, visto que elas atuam como mediadoras entre a cliente e a equipe de saúde. Contudo, essa contribuição será plenamente efetiva apenas se for acompanhada de mudanças estruturais, institucionais e socioculturais que coloque, a autonomia da mulher no centro das atenções durante a gestação, parto e nascimento.

 

 

Conclusões

 

 

O estudo demonstra que as situações de violência obstétrica estão na esfera verbal, física e psicológica, revelando que muitas ações apontadas pelas doulas são naturalizadas pelas próprias mulheres ou permanecem veladas no cotidiano da assistência. Tais tipificações de violência obstétrica ocasionam sentimentos de impotência, perda da autonomia e dignidade nas vítimas, além de prejuízos na dimensão física, emocional e relacional das mulheres.

Embora as doulas sirvam como apoio físico, emocional e informativo, essas profissionais enfrentam resistência por parte de alguns profissionais de saúde, tanto em âmbito nacional quanto internacional, desvelando que esse problema reflete um modelo assistencial obstétrico ultrapassado.

Nesse sentido, sugere-se a elaboração de protocolos institucionais do sistema de saúde e políticas públicas para o exercício da doulagem, seja no espaço público ou privado, contribuindo dessa maneira para a prevenção e mitigação da violência obstétrica. Além disso, é essencial criar programas de capacitação e conscientização para as equipes interdisciplinares sobre o papel da doula, e também implementar iniciativas educativas voltadas para gestantes, suas famílias, redes de apoio e a comunidade em geral. É igualmente crucial promover a presença de doulas dentro das equipes obstétricas que atuem de maneira colaborativa. A essas medidas, é necessário adicionar a criação de canais para que ocorram denúncias e o acompanhamento de situações de violência obstétrica, bem como incentivar pesquisas científicas que evidenciem a importância do trabalho das doulas, auxiliando na valorização e reconhecimento social deste trabalho.

Por tratar-se de um estudo qualitativo, não se objetivou a generalização estatística dos achados, mas a compreensão aprofundada do fenômeno investigado no contexto analisado. A descrição detalhada do cenário, das participantes e do percurso metodológico constitui recurso que favorece a transferibilidade dos resultados para contextos semelhantes.

 

 

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Como citar: Demétrio RC, Farias TS, Moreira MA. Situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil. Enfermería: Cuidados Humanizados. 2026;15(1):e4842. doi: 10.22235/ech.v15i1.4842

 

Financiamento: Este estudo não recebeu nenhum financiamento externo ou apoio financeiro.

 

Disponibilidade de dados: O conjunto de dados que embasa os resultados deste estudo não está disponível.

 

Conflito de interesse: Os autores declaram não ter conflito de interesse.

 

Editora científica responsável: Dra. Natalie Figueredo

 

 

Enfermería: Cuidados Humanizados, 15 (1)

January - June 2026

10.22235/ech.v15i1.4842

Original articles

 

Situations of Obstetric Violence Identified by Doulas in Brazil

Situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil

Situaciones de violencia obstétrica identificadas por doulas en Brasil

 

Renata Conceição Demétrio1 ORCID 0009-0004-4135-5024

Thainá Santos Farias2 ORCID 0009-0002-8592-0318

Michelle Araújo Moreira3 ORCID 0000-0002-6998-8665

 

1 Universidade Estadual de Santa Cruz, Brazil, [email protected]

2 Universidade Federal de Pelotas, Brazil

3 Universidade Estadual de Santa Cruz, Brazil

 

Abstract:
Introduction:
Obstetric violence is defined as any act committed against a woman during pregnancy, childbirth, the postpartum period, or abortion that causes physical, psychological, sexual, or moral harm.
Objective: To analyze instances of obstetric violence identified by doulas in Brazil.
Methodology: A descriptive and exploratory qualitative study grounded in the theory of social representations, conducted between August 2024 and February 2025 in southern Bahia. The study included doulas selected according to pre-established criteria. Data collection was conducted through semi-structured interviews and snowball sampling. Socioeconomic and professional profiles were analyzed using descriptive statistics, and discourses were analyzed using Bardin’s content analysis.
Results: Participants were between 29 and 59 years old, had between 2 and 10 years of experience, 80 % worked in home and hospital settings, and their monthly incomes ranged from 1 to 6 minimum wages. The situations identified were grouped into verbal, physical, and psychological violence. The accounts reveal a lack of respect for autonomy, verbal insults, impositions, and interventions without consent, reflecting a technocratic and authoritarian model of care.
Conclusion: Despite the adversities, doulas act as agents of support and empowerment for women, promoting a respectful and humanized birth experience.

Keywords: obstetric violence; doulas; social representation.

 

Resumo:
Introdução:
A violência obstétrica configura-se como qualquer ato praticado contra a mulher durante a gestação, parto, puerpério ou abortamento resultando em prejuízos físicos, psicológicos, sexuais ou morais.
Objetivo: Analisar as situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil.
Metodologia: Estudo descritivo e exploratório, qualitativo, ancorado na teoria das representações sociais e desenvolvido entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 no sul da Bahia. Participaram doulas segundo critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. A coleta de dados foi realizada através de um roteiro de entrevista semiestruturado, e amostragem em bola de neve. O perfil socioeconômico e profissional foi analisado por meio de estatística descritiva e os discursos, por meio da análise de conteúdo de Bardin.
Resultados: As participantes tinham entre 29 e 59 anos, entre 2 e 10 anos de experiência, 80 % atuavam em ambientes domiciliares e hospitalares, e sua renda mensal variava entre 1 e 6 salários mínimos. As situações identificadas foram agrupadas em violência verbal, física e psicológica. Os relatos evidenciam falta de respeito à autonomia, ofensas verbais, imposições e intervenções sem consentimento, expressando um modelo de atendimento tecnocrático e autoritário.
Conclusão: Apesar das adversidades, as doulas atuam como agentes de apoio e empoderamento da mulher, promovendo um parto respeitoso e humanizado.

Palavras-chave: violência obstétrica; doulas; representação social.

 

Resumen:
Introducción:
La violencia obstétrica se define como cualquier acto cometido contra la mujer durante el embarazo, el parto, el puerperio o el aborto que provoque daños físicos, psicológicos, sexuales o morales.
Objetivo: Analizar las situaciones de violencia obstétrica identificadas por doulas en Brasil.
Metodología: Estudio descriptivo y exploratorio, cualitativo, fundamentado en la teoría de las representaciones sociales y desarrollado entre agosto de 2024 y febrero de 2025 en el sur de Bahía. Participaron doulas seleccionadas según criterios previamente establecidos. La recolección de datos se realizó mediante entrevistas semiestructuradas y muestreo bola de nieve. El perfil socioeconómico y profesional se analizó mediante estadística descriptiva y los discursos, mediante análisis de contenido de Bardin.
Resultados: Las participantes tenían entre 29 y 59 años, entre 2 y 10 años de experiencia, el 80 % actuaba en ámbitos domiciliarios y hospitalarios, y sus ingresos mensuales variaban entre 1 y 6 salarios mínimos. Las situaciones identificadas se agruparon en violencia verbal, física y psicológica. Los relatos evidencian falta de respeto a la autonomía, ofensas verbales, imposiciones e intervenciones sin consentimiento, expresando un modelo de atención tecnocrático y autoritario.
Conclusión: Pese a las adversidades, las doulas actúan como agentes de apoyo y empoderamiento de la mujer, favoreciendo un parto respetuoso y humanizado.

Palabras clave: violencia obstétrica; doulas; representación social.

 

Received: 18/09/2025

Accepted: 27/03/2026

 

 

Introduction

 

 

The pregnancy-puerperal period is marked by maternal-fetal physiological, psychological, behavioral, emotional, and social transformations caused by gestation, childbirth, and birth. This period faced by pregnant women, women in labor, and postpartum women goes far beyond a state of transience, and although it may seem like a time of tranquility and happiness, this journey often does not unfold with all the care and respect that is expected. In this scenario, the fragility and vulnerability of this phase, combined with factors such as lack of knowledge of their rights and lack of information, enable the occurrence of obstetric violence. (1)

Obstetric violence, in turn, is defined as any act of violence committed against women during pregnancy, childbirth, the postpartum period, and in situations of abortion, resulting in physical, psychological, sexual, interpersonal, and moral harm. (2) Furthermore, it must be understood as a manifestation of gender violence, since it is based on historically unequal power relations between men and women, expressing itself through the control of the female body, the delegitimization of its autonomy, and the naturalization of authoritarian practices in reproductive health care. Thus, its occurrence is not limited to care failures, but integrates a broader structural phenomenon of gender inequality, which reinforces its relevance as a social and public health problem. (3) The health team often acts with excessive exercise of power and lack of empathy, leading to female submission, loss of autonomy and decision-making power over their bodies, especially since this is a moment of great vulnerability for women. A study conducted with pregnant Afro-descendant women in southern Bahia revealed that many of them do not fully understand what obstetric violence is, limiting its definition to the moment of childbirth, which contributes to making these practices normal and veiled in the daily routine of obstetric care. (4)

The study “Nascer no Brasil” showed that the occurrence of this practice varies according to the profile of the women and the institutional contexts, revealing worrying numbers of interventions. In this study, it was observed that more than half of the women underwent episiotomy, 91.7 % experienced lithotomy, about 40 % were subjected to the administration of oxytocin or amniotomy, and 37 % experienced the Kristeller maneuver. (5) To overcome and mitigate this problem, there is the movement in favor of the humanization of childbirth and birth, through dignified and qualified assistance to pregnant women, women in labor and postpartum women, reducing the pathological approach to childbirth, unnecessary interventions and violations of women's rights with the presence of a doula. (6) The role of doulas is highly valued in several countries.

In the United States, despite not having federal regulation, there are several institutions that offer certifications, such as Doulas of North America (DONA) International, which defines requirements for ethical principles and training for the practice of doula work. (7)

In Brazil, the work of doulas has been gaining legal support, especially with Law Project (LP) No. 77/2022, which provides for the exercise of the activity of doulas and aims to establish the regulation of the profession throughout the national territory. (8) In addition, it ensures doula work as an integral part of multidisciplinary care during the pregnancy-puerperal period. The Bill characterizes the doula as a professional who provides physical, emotional and informational support during pregnancy, childbirth, and the postpartum period, without performing any activity of a clinical nature. (9)

The practice of doula work is known to provide physical and emotional support for the pregnant person and their support network, contributing to a healthy gestational evolution and a positive outcome at the time of delivery. Considering the high demand on the UHS and its particularities, the doula's role becomes an instrument to complement obstetric care in its different stages, in line with the guidelines of the Ministry of Health (MH), which strengthens the comprehensiveness and humanization of women's health care. (10) In addition to restoring the protagonism and empowerment of women, improving care during the pregnancy–puerperal period. (11)

However, doulas are immersed in an obstetric model that is not always conducive to a safe pregnancy, childbirth and postpartum period, making it necessary to be aware of the situations of obstetric violence that they identify in their daily lives, humanizing the health team of which they are a part and enabling welcoming and respectful care.

Thus, the following research question was formulated: What situations of obstetric violence have been identified by doulas in Brazil? In this sense, the objective was defined as: to analyze the situations of obstetric violence identified by doulas in Brazil.

In view of the above, the social and scientific relevance of this research is based on revealing the practices considered obstetric violence identified by doulas, allowing new strategies to be implemented to prevent new cases of obstetric violence, such as: training for women to exercise autonomy in their reproductive rights; strengthening doulas in assisting the pregnancy-puerperal period; providing information based on scientific evidence for decision-making by health managers, with a view to improving the planning of care during pregnancy, childbirth and the postpartum period.

 

 

Method

 

 

This is a descriptive and exploratory study, with a qualitative design, anchored in the Theory of Social Representations (TSR), which seeks to understand social phenomena in depth from the perspective of individuals, valuing their personal experiences, meanings and cultural environments. (12) The TSR encompasses knowledge that is collectively constructed and disseminated, with the purpose of explaining reality, guiding actions and facilitating communication among the members of a group. Thus, it becomes an essential tool for the study of social phenomena, highlighting how individuals generate and exchange meanings about certain objects or events. (13)

The study was conducted in a doula company located in Brazil. The company was chosen because it is the only institution in the region that provides continuing education for doulas with regular support for pregnant women, women in labor and postpartum women, operating in home and hospital settings (public and private). This institution, through its training process, allows doulas to carry out diverse and comprehensive work, enabling the unveiling of institutional practices characterized as obstetric violence from various perspectives. The choice of location is based on diverse regional criteria, such as ethnic diversity, composed of indigenous and Quilombola populations, which implies specific cultural practices and distinct social representations. (14) In the state and epidemiological context, there are disproportionate rates of maternal mortality, with 85.15 % of maternal deaths related to Afro-descendant women, considered the greatest victims of obstetric violence in the country. (15) It is also worth noting that the institution was founded three years ago by a doula and offers annual training depending on availability and demand. To date, six courses have been held with approximately 60 trained doulas, through instruction by psychologists, other doulas, obstetric nurses and midwives, with lectures and practical classes.

The study participants were doulas who met the following inclusion criteria: over 18 years of age, with a proven doula training course and experience in prenatal care, childbirth, or postpartum care. The exclusion criterion was: being on medical leave during the data collection period. The sampling was non-probabilistic, characterized as intentional sampling, since the participants were selected based on previously established criteria and the relevance of their experiences to the object of investigation. The chain sampling technique, also known as Snowball sampling, was used, in which the first participant was selected by convenience and subsequently indicated other doulas who met the inclusion criteria, progressively expanding the group. It should be noted that this strategy is not considered convenience sampling, as the selection did not occur solely due to ease of access, but also due to the theoretical and experiential relevance of the participants in relation to the phenomenon studied. (16) The researcher provided the Informed Consent Form (ICF), and all interviews were recorded after authorization from the participants, transcribed and analyzed, being kept for at least five years, after which they will be deleted.

Data collection was conducted remotely via the Google Meet platform between August 2024 and February 2025. A semi-structured interview guide was used as an instrument, including age, average time, and location of work; religion; level of education; marital status; race/ethnicity and monthly income, in addition to guiding questions containing the concept; significant experiences of obstetric violence; the professionals who most perpetrate obstetric violence and what constitutes such practices. The interviews lasted an average of 30 to 50 minutes. The number of participants was defined by the criterion of theoretical saturation, with data collection ending when the interviews began to show recurrence of information, without the emergence of new elements relevant to the analytical categories of the study. The analysis was conducted concurrently with data collection, making it possible to identify the moment of saturation. No formal feedback was provided to the participants; however, the reliability of the analyses was ensured through full transcription of the interviews and careful review of the thematic categories.

The analysis of socioeconomic and professional profile data of doulas was processed using descriptive statistics, and the discursive part of the interviews was supported by content analysis, according to Bardin's methodological framework, through three chronological poles: pre-analysis, analysis and treatment of the results obtained, and interpretation. (17) The pre-analysis consisted of structuring the corpus (the testimonies) and a dynamic reading of the interviews allowing for a better understanding for selection. The exploratory phase of the material comprised the organization of the testimonies, highlighting and grouping the statements by similarity and creating categories referring to socioeconomic factors, professional life, religion, and place of work. In short, the analysis of the information allowed us to understand the categories and the meaning of doula work in the group perspective, anchored in TSR. To ensure methodological rigor, the criteria of credibility, transferability, reliability, and confirmability were adopted. Credibility was guaranteed by recording, full transcription, and systematic analysis of the interviews; transferability, by the detailed description of the context and the participants; reliability was ensured through the explicit explanation of the methodological steps; and confirmability through fidelity to the transcribed statements. No subsequent validation with the participants was conducted, considering that the analytical rigor and the use of complete transcripts ensured interpretative consistency.

The research was submitted to the Research Ethics Committee (REC) of the State University of Santa Cruz (UESC), having obtained approval under opinion number 7.083.094, based on Resolutions N. 466/2012, N. 510/2016 and Law N. 14874. (18, 19, 20) Participants were assured of anonymity, having been identified by the letter P followed by a cardinal number.

 

 

Results

 

 

Ten doulas participated, aged between 29 and 59 years, with 50 % married, 40 % single, and 10 % divorced. Regarding education, 40 % had completed high school, 10 % had incomplete higher education, 30 % have completed higher education, and 20 % have a master's degree. As for race/ethnicity, there was a predominance of mixed-race individuals (50 %), followed by white (40 %) and black (10 %), reflecting racial diversity in the group.

Furthermore, 40 % of the doulas declare themselves to be without religion, while 20 % are Spiritists, 10 % Catholic, 10 % Evangelical, 10 % Christian, and 10 % Candomblé practitioners. Monthly income ranged from one to six minimum wages, with half of the participants (50 %) in the range of up to one minimum wage. Regarding professional activity, 70 % perform other activities alongside doula work, the most common being: nursing technician, nurse, teacher, and photographer. The training time varies between two and 11 years, with 50 % between four and six years, 30 % up to three years, and 20 % more than six years. The time of practice is distributed between two and 10 years, with 50 % up to three years, 40 % between four and six years, and only 10 % more than six years. Finally, 80 % work in home and hospital settings, and 20 % only in hospitals, demonstrating versatility in the care provided.

The assessment of the sociodemographic and professional characteristics of doulas helps in understanding significant elements that affect how doulas represent situations of obstetric violence. The greater presence of mixed-race women with higher levels of education indicates a greater social awareness and a critical perspective on institutional practices related to pregnancy, childbirth, and the postpartum period, which can facilitate the identification and reporting of abusive behaviors. Furthermore, the fact that doulas perform various professional roles and have variable incomes highlights the financial challenges inherent in doula work in Brazil, a scenario that can influence the social recognition of this profession and its interaction with other healthcare professionals. Therefore, the profile of doulas offers valuable and diverse information that contributes to the construction of their representations.

Following the profile analysis, the transcribed testimonies were coded, based on TSR, into a figure, revealing three categories, presented below:

 

Figure 1: Analytical categories developed from the terms that are most frequent in the doulas' testimonies.

 

 

 

 

Verbal Violence

 

 

It is noticeable in the discourse of doulas that they engage in practices that demean, infantilize, and embarrass women during the gestational, childbirth, and postpartum processes. The statements directed at the victims reflect not only individual disrespect but also the persistence of a technocratic model in obstetric care, as evidenced below:

One of the forms of violence is: “stop looking at your doula, I’m the one talking to you, the doctor is speaking here, I’m the on-call doctor, I’m the one in charge here, your doula doesn’t know anything.” The husband, who is a lawyer, spoke with complete authority, “no doctor, we are informed, we know what the WHO recommends…” and he said, “don’t come with that WHO story, there’s no WHO here, I’m the one here” (P1).

She stayed there for two or three hours, she wasn’t having contractions, and she was listening to insults. The client said she didn’t want her blood pressure measured at that moment, she didn’t want a vaginal exam because she was having contractions, she was in pain, “ah, that client gets to choose when she wants” (P3).

I see that they have a propensity for small flaws in their conduct, they ask the woman not to scream so much. There was a situation where a pregnant woman gave birth in that environment, it wasn’t all that bright, and then she said: My God! She's giving birth in the dark! These are issues that sometimes don't lead to more serious complications, but they are violence against that woman. Because think about it, the woman hearing that she's giving birth in the dark and being told in ways like that... laughing and sarcastic (P5).

Frequent patterns of obstetric violence reveal an authoritarian care model that disregards women's autonomy during childbirth. This includes the imposition of actions without considering the woman's prior birth plan, the use of offensive and degrading language, and attempts to silence expressions of pain and suffering, as seen below:

The doctor arrived shouting, saying that he was in charge and that she only obeyed, and that she should stop this nonsense about wanting a natural birth. And several other things that we as professionals hear, things like: “try not to shout so much,” or as I mentioned before, calling the woman “mommy” may not seem like it, but it's also violence (P6).

And the doctor shouting: “come on, you have to give birth, you have to give birth.” It's violent! Sometimes, this woman isn't ready, she isn't willing to do that (P7).

The nurse came to her and said: “look, it tore quite a bit” and called the pregnant woman's husband to check, saying: “but I'll stitch it up and make it good for you.” After she stitched it up, she even made a point of saying that it was a little tight for the husband. I've been through another situation: there was a pregnant woman who was thirteen years old, and when they arrived they said: “look, little firecracker, so young and giving birth, she was good at making it” and they called everyone over, and it turned into an event in the hospital corridor that a thirteen-year-old girl was giving birth normally (P8).

The pregnant woman arrived already giving birth and defecating, I don't remember if it was a nurse or a technician who was very rude and impolite. She started screaming because she was defecating, I thought it was a bit rude, and they didn't want to let her husband in. There was another situation as well where the baby was in a position that made birth difficult. They directed her to a cesarean section without a conversation or prior explanation. They said that if something happened to the baby, the mother would be to blame (P9).

In short, there is a presence of imposing discourses, exemplified by doctors or nurses who give orders abruptly, reinforcing the expectation that the woman should accept the assistance without questioning. Furthermore, there are attempts to minimize pain through comments such as “try not to scream so much,” which invalidate the woman's suffering at a moment of fragility. There are also statements that disrespect and sexualize the female body, such as expressions like “I'll leave you feeling brand new for you,” uttered in front of other people, such as the pregnant woman's partner. These forms of aggression, treated lightly as “jokes” or “traditions”, constitute obstetric violence. 

 

 

Physical Violence

 

 

This type of violence encompasses behaviors and procedures that go beyond technical care, resulting in pain and physical discomfort through inappropriate, unnecessary, or coercive interventions. In many circumstances, these actions occur without the woman's consent or under the justification of being considered “normal,” as revealed below:

In situations involving touching, where the woman says, “take it away, for God's sake, take your hand away from there,” and the professional replies, “no, calm down, relax, you're not cooperating.” Other forms of violence include: artificially rupturing the amniotic sac, when the woman says, “I don't want to!”, and some doctors rupture it without saying anything, performing a vaginal exam and then rupturing the sac; refusing to increase the air conditioning temperature; refusing to allow the pregnant woman to move, and forcing the pregnant woman to move (P1).

The professional has a habit of doing this mechanically for X amount of time, even when it is no longer indicated. For example: vaginal exams during gynecological consultations for every pregnant woman, even when there are no complaints. These exams violate the woman's integrity and border on sexual violence. I have seen situations where the pregnant woman fasted for more than 24 hours, without water or food. I have seen clients requesting in their birth plan that no episiotomy be performed, and an episiotomy was performed. Directed pushing is a reality. The obstetric nurse said: “push, hold onto your leg and pull like this” (P3).

Even having a normal delivery, there is a waiting period before discharge. When she was discharged, she came home and they didn't do the necessary tests (P5).

This type of obstetric violence is revealed by the adoption of practices involving the use of physical force or painful procedures understood as part of daily routine in hospitals. Long periods of fasting, birthing positions determined exclusively by healthcare professionals, and excessive vaginal examinations are among the reported cases. In this scenario, the female body is used as an object, losing its importance in the birthing process, as revealed below:

This pregnant woman asked for water, saying she was very thirsty, but she was denied water (P5).

Several medical students were performing vaginal examinations; there were approximately six students, and all of them did it. The woman was alone; she was an Afro-descendant woman, and we know that Afro-descendant women are more vulnerable to violence. I imagine the discomfort, being touched by several strangers at such an intimate moment, where she was clearly uncomfortable (P6).

I witnessed the Kristeller maneuver and an unnecessary vaginal examination. He kept touching her with his finger; she was uncomfortable. The contraction came, he didn't remove it, didn't explain, just remained silent and forced it. He was narrowing the cervix with his finger; we know that this is not necessary and doesn't need to be done because the body will take time to accelerate. The woman had to push him away (P7).

The pregnant woman arrived with her water broken; it had been several hours. The nurse went to perform the examination and asked, “Are you sure your water broke?” She answered yes, and she went to check. She pulled in a way that caused pain, pulling on the pregnant woman's private parts to see if it had actually ruptured (P8).

The pregnant woman was already in active labor, and the on-call doctor in a somewhat unsanitary room even assessed her and thought it was time for the baby to be born, and asked for the scalpel without anyone's authorization (P9).

These practices of obstetric violence, even when disguised by hospital routines, violate humanitarian and ethical principles. It is necessary to promote care based on listening, respect, and valuing the autonomy of women during the pregnancy and postpartum period.

 

 

Psychological Violence

 

 

This refers to actions or the absence thereof that cause emotional pain, insecurity, shame, and feelings of inferiority. This type of obstetric violence, although veiled, is intense and occurs through the words, behaviors, and attitudes of healthcare professionals that demean and undermine the emotional stability of the woman. Frequently, this type of violence is normalized in healthcare services, being erroneously interpreted as part of the “routine” or “standard practices,” as listed below:

He (the doctor) would enter the room, the delivery room, look at the woman and say: “Oh, it won’t be born, I mean, it will be born, but it won’t be a normal birth.” He would examine her and say: “It’s 6 to 7 centimeters dilated, but the way things are, it won’t happen.” The woman would ask why, and he would say: “Because you’ve been there for so long, you’re tired…” Then he would pat the woman’s head: “You’re tired, you need peace, sometimes a woman needs it, she tries for a normal birth, but when it’s not meant to be, it’s not meant to be.” And then he would turn to the husband and say: “If it were my wife, I would have already taken her for a C-section.” It was all manipulation. Another situation: the pregnant woman was a Jehovah’s Witness and said she didn’t want a blood transfusion. At the time of delivery, the nurse wanted to give a lecture on blood transfusions; the woman had made a birth plan, a document registered at the notary’s office stating: “I will not receive blood, neither me nor my baby.” Perhaps the greatest violence is stealing the normal birth from this woman by terrorizing her (P1).

They wanted her freedom to give birth in the position she wanted, she wanted to give birth outside the bed and they requested that she go to the bed, also regarding the use of nitrates. They kept coercing her and saying that it wasn't because of the doula's presence or because the doula had said that they had to attend. After going to the room they started making jokes: "Was it you, the couple, who brought the doula?" (P4).

There is this issue that they really want to push the woman towards a cesarean section, often deceiving the pregnant woman by inventing problems that are not problems, and when the professional speaks and she believes them. They pretend that, "I'm taking very good care of you, I don't want anything bad to happen to you, to avoid you having a problem later on, let's schedule a cesarean section now" (P5).

Given the above, there is evidence of ongoing psychological violence, revealed through degrading comments, threatening suggestions, humiliation, and the marginalization of pregnant women in their choices about their own bodies. These behaviors emotionally debilitate pregnant women and reveal a care pattern marked by asymmetrical power relations, lack of support, and a scarcity of training to offer humanized care, as highlighted below:

And several other things that we as professionals hear, things like: "when the urge to scream comes, you swallow it along with the crying" (P6).

This violence starts a lot in prenatal care, with the doctor defining the patient's choices by saying that the birth has to be a cesarean section. And not offering the information so that she can decide with knowledge, autonomy, so that it is not something imposed by fear. Another thing is photos without authorization, I've seen situations of people sharing them. And even with prior authorization, but suddenly putting the person in a position that is not good, a very exposed position (P8).

When we arrived, the couple and I, I heard some conversations because I was accompanying them. I found it a bit rude and undoing the fact that the pregnant woman was with the doula. And another situation, after the birth, I needed to stay a little longer with the pregnant woman and the doctor came to make the visit. He said completely unnecessary things, that if he were her doctor he wouldn't do it, because nobody does that anymore today, and that his wife would never have a normal delivery, that these are things that doulas put in pregnant women's heads (P9).

Situation of the doctor giving a deadline and saying: if you don't give birth by such and such time, you'll have a cesarean section, or saying that the woman can't get up, move around, or telling her to push (P10).

Psychological violence profoundly affects the well-being of pregnant women, and is therefore transversal to all others. Expressions such as "if you don't give birth by a certain time, you will need to have a cesarean section" or the guilt imposed on the woman in difficult circumstances related to the baby demonstrate how fear and coercion function as forms of control. The lack of adequate information, the disregard for women's autonomy, and the use of an aggressive attitude on the part of health professionals help to create a context that is simultaneously oppressive and dehumanizing. These actions not only violate the guidelines that ensure the rights of pregnant women, but also reinforce a biomedical model that prioritizes the authority of the professional to the detriment of the person under care.

The types of violence identified in this research demonstrate that these expressions are not limited to isolated behaviors or specific moral deviations, but are embedded in a social configuration permeated by gender relations that are historically unequal. Cases of silencing, devaluation of pain, irony, subtle threats, and interventions made without due consent demonstrate the continuity of a care model based on technical and scientific authority, where the woman's body is treated as an object subject to intervention and control.

From this perspective, obstetric violence manifests itself as a particular form of gender violence, based on the validation of medical authority over reproductive processes and the creation of inequalities in decision-making that limit women's autonomy.

Thus, the violence described by doulas highlights the link between care practices and the sociocultural conditions that, throughout history, have placed women in a position of guardianship and subordination. The normalization of narratives that treat the parturient woman in an infantilized way or silence her, in addition to harming the quality of care, reinforces patterns of gender domination, causing obstetric violence to be understood as a structural phenomenon, and not merely occasional.

This violence does not occur in isolation, but often intertwines, intensifying women's suffering and affecting their independence at a time of great fragility and uniqueness. Doulas emphasize the immediate need to restructure care systems, with the aim of promoting an ethical, welcoming and respectful practice that puts women first throughout the entire process.

 

 

Discussion

 

 

Obstetric violence represents a complex phenomenon that encompasses various facets of women's health care during the pregnancy-puerperal period, including verbal, physical, and psychological abuse. Research conducted in Spain with 899 women revealed that 67.4 % reported having suffered some form of obstetric violence, with 54.5 % being physical violence, 36.7 % psychoaffective, and 25.1 % verbal. (21)

It was observed that the sociodemographic and professional characterization of doulas is represented by an ethnic, racial, and financial variety that can significantly affect their ability to identify and symbolize situations of obstetric violence. Doulas who have a higher level of education and more comprehensive professional experience tend to perceive more critically the institutional actions that disrespect women's rights during pregnancy, labor, and the postpartum period, which reinforces the role of these professionals as facilitators in promoting humanized pregnancies, births, and deliveries. In addition to occurring during pregnancy and childbirth, this violence is also present in abortion situations, and can be manifested by a lack of support and assistance, and judgments of a religious and moral nature. (22)

A systematic review on obstetric violence estimates that millions of women, in a variety of socioeconomic settings, face some form of physical or verbal abuse during childbirth. This analysis reveals that the main factors linked to the occurrence of this violence are associated with the power relationship between health professionals and women, the lack of effective public policies for humanization, and the lack of knowledge of women's rights. These results emphasize that obstetric violence is not limited to a few countries, but represents a structural issue that demands cohesive and urgent political and professional responses. (23) Such actions indicate the maintenance of an authoritarian and technocratic model characterized by the emphasis on medical methods and the predominant influence of these professionals to the detriment of female autonomy. It is a model based on the view of the woman’s body as a “machine” that needs adjustments, reducing the figure of the pregnant woman to an object of intervention. (24)

Studies show that violent practices during the pregnancy-puerperal period are often understood as something necessary to experience the process of motherhood, something that is directly related to the low level of knowledge of women, and health education is fundamental to guide and empower them. (25)

Verbal violence is a constant and is maintained through negative remarks, infantilization, imposition of behaviors and ironies that devalue the woman's experience during pregnancy, childbirth and the postpartum period. This form of interaction points to unequal power relations, where the pregnant woman's autonomy is lost, going against the principles of humanizing care. Expressions that seem harmless contain sarcasm or sexual connotations, directly affecting the dignity and emotional well-being of women who are in this phase of the life cycle. (26)

Global studies have shown that women who experience violence, contempt, or lack of care during childbirth express feelings of shame, fear, and lack of control, which can develop into anxiety disorders, depression, or post-traumatic stress. Lack of compassion and effective communication during care helps create “invisible wounds” that remain even after the baby is born. (27)

Regarding physical violence, invasive interventions were performed without proper authorization, including episiotomies, artificial rupture of the amniotic sac, and various vaginal examinations without scientific evidence, in addition to the imposition of certain positions during childbirth and long fasting periods. (28)

Furthermore, psychological violence is transversal to all other forms of violence, appearing through threats, instigation of fear, manipulation of emotions, and disrespect for choices previously documented in the birth plan. This form of violence is especially harmful because it undermines trust in health services and weakens the relationship between professionals and clients, in addition to causing psychological damage and trauma to women and babies. In the study in question, these practices were maximized by resistance to the inclusion of the doula, revealing that, even with the legal support available in Brazilian localities, the true incorporation of this professional still faces obstacles of a cultural and institutional nature. (29)

A study conducted in Spain found that mothers who experienced abuse during childbirth faced more challenges in early breastfeeding and in forming an emotional bond with their baby. Experiencing disrespect and emotional distress during childbirth generally weakens mothers' self-confidence and their perception of their ability to care for their child. (30) One aspect worth highlighting is that, even with the increased recognition of the role of doulas as physical, emotional, and informational support, there are still healthcare professionals who show resistance to their participation in the pregnancy and childbirth process. Episodes of embarrassment and attempts to delegitimize the work of these professionals have been documented, showing that the integration of doulas into a healthcare team remains a challenge. This resistance may stem from a distorted view that suggests that the doula interferes in medical and nursing decisions, when, in fact, her role is to assist and complement, without replacing, clinical care. (31)

A study conducted with researchers from nine countries—Germany, Belgium, Chile, Scotland, Spain, Iceland, the United Kingdom, Sweden, and the Netherlands—revealed that experiencing painful childbirth involves more than just potential clinical complications; it is related to the woman's personal perceptions and experiences. The study revealed that these experiences largely stem from inappropriate conduct by healthcare professionals, lack of emotional support, procedures performed without proper authorization, disrespectful behavior, or actions linked to obstetric violence. Among the psychological damages, fear, sadness, despair, and helplessness stand out. These feelings can persist even after childbirth and may evolve into anxiety, depression, and post-traumatic stress disorder. (32)

Consistent, a study conducted in 18 countries including Germany, Belgium, Chile, Spain, Scotland, France, Greece, England, Ireland, Northern Ireland, Iceland, Norway, the Netherlands, Poland, Portugal, Serbia, Switzerland and Turkey showed that obstetric violence entails negative consequences, such as reduced self-confidence, difficulties in relationships with the partner and the child, perception of loneliness, self-deprecating thoughts and unexpected and premature interruption of breastfeeding. Furthermore, there is a hesitation or resistance to seeking professional help, which shows a considerable psycho-emotional effect that can compromise the quality of life of women and lead to mental illness. By articulating the scientific evidence on traumatic childbirth with the real experiences of doulas, the research contributes to understanding that obstetric violence can result in physical, emotional and social trauma. (33)

Freedom over one's body and informed consent should be essential values ​​in assisting during childbirth. However, in many scenarios, professionals’ approaches continue to follow authoritarian and paternalistic patterns that ignore the choices and wishes of pregnant women. The author emphasizes that improving reproductive rights guidelines and ethical training for health professionals are fundamental actions to avoid abuse and promote care that is truly humanized and focused on women. (34)

Therefore, the presence of doulas in the obstetric setting is perceived as a strategy to strengthen the humanization of childbirth, corroborating initiatives such as the “Community Doulas” project. However, despite normative advances, there are still challenges related to the effective implementation of these policies, which reinforces the need for institutional oversight and commitment. (35)

The results demonstrate that doulas understand obstetric violence as practices that disrespect the autonomy, dignity, and protagonism of women in the pregnancy and childbirth process. Their representations show a critical stance towards the interventionist model and reinforce the defense of care centered on listening, respect, and valuing women's choices, revealing the importance of humanization and strategies to mitigate this harmful phenomenon to the lives of women, their children, and families. In this context, understanding the elements that promote or hinder the search for assistance is fundamental, as the way social support and the accessibility of institutional resources are viewed are essential for women to overcome this history of violence.

The forms of violence mentioned by the doulas go beyond the technical sphere of care and reveal a relational dynamic full of power inequalities. When examined from the perspective of gender violence, these practices show that obstetric violence is not restricted to isolated actions, but is embedded in a historical and social framework where women's bodies frequently suffer from excessive medicalization, the devaluation of their decisions, and the hierarchization of biomedical knowledge. This situation is aggravated by the fact that gender-based violence frequently occurs in different social environments, where gender norms often discourage victims from seeking help, directly contributing to the cycle of silence and repetition. The social representations elaborated by the participants suggest that silencing, infantilization, and the imposition of procedures without consent represent forms of control that particularly affect women in vulnerable situations. (36)

Thus, obstetric violence can be understood as a particular form of gender-based violence in the health field, sustained by a technocratic care model that naturalizes inequality between health professionals and women. In light of the Theory of Social Representations, it is possible to perceive that doulas attribute meaning to these situations not only as institutional failures, but also as manifestations of a structural logic that maintains inequalities and reinforces the subordination of women in childbirth and delivery care.

The findings of this study add to the existing scientific evidence by analyzing in depth the social representations of doulas about obstetric violence, revealing aspects that have not yet been widely investigated, especially in Brazil, and suggesting directions for strengthening humanized practices and transforming the relationships between professionals and parturients in the obstetric field. Thus, the results align with national and international literature, emphasizing that the presence of doulas can contribute to minimizing obstetric violence, reducing interventions without scientific evidence and without the consent of the pregnant woman, woman in labor, or postpartum woman, as well as informing these women about all their rights, since they act as mediators between the client and the healthcare team. However, this contribution will only be fully effective if it is accompanied by structural, institutional, and sociocultural changes that place women's autonomy at the center of attention during pregnancy, childbirth, and the postpartum period.

 

 

Conclusions

 

 

The study demonstrates that situations of obstetric violence occur in the verbal, physical, and psychological spheres, revealing that many actions pointed out by doulas are normalized by the women themselves or remain veiled in the daily routine of care. Such types of obstetric violence cause feelings of powerlessness, loss of autonomy and dignity among victims, in addition to harm to the physical, emotional, and relational dimensions of women.

Although doulas serve as physical, emotional, and informational support, these professionals face resistance from some health professionals, both nationally and internationally, revealing that this problem reflects an outdated obstetric care model.

In this sense, there should be institutional protocols for the health system and public policies for the practice of doula work to be developed, whether in the public or private sector, thus contributing to the prevention and mitigation of obstetric violence. In addition, it is essential to create training and awareness programs for interdisciplinary teams on the role of the doula, and to implement educational initiatives aimed at pregnant women, their families, support networks, and the community in general. It is equally crucial to promote the presence of doulas within obstetric teams who work collaboratively. To these measures, it is necessary to add the creation of channels for reporting and monitoring situations of obstetric violence, as well as encouraging scientific research that highlights the importance of the work of doulas, helping to value and recognize this work socially.

Because this is a qualitative study, the aim was not to statistically generalize the findings, but to gain a deeper understanding of the phenomenon investigated in the analyzed context. The detailed description of the scenario, the participants, and the methodological path is a resource that favors the transferability of the results to similar contexts.

 

 

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How to cite: Demétrio RC, Farias TS, Moreira MA. Situations of Obstetric Violence Identified by Doulas in Brazil. Enfermería: Cuidados Humanizados. 2026;15(1):e4842. doi: 10.22235/ech.v15i1.4842

 

Funding: This study did not receive any external funding or financial support.

 

Data availability: The data set supporting the results of this study is not available.

 

Conflict of interest: The authors declare that they have no conflicts of interest.

 

Scientific editor in charge: Dr. Natalie Figueredo.

 

Enfermería: Cuidados Humanizados, 15 (1)

January - June 2026

10.22235/ech.v15i1.4842