Enfermería: Cuidados Humanizados, 15 (1)

janeiro - junho 2026

10.22235/ech.v15i1.4801

Artigos originais

 

Qualidade de vida de mulheres rurais e fatores associados: estudo transversal

Quality of Life of Rural Women and Associated Factors: A Cross-Sectional Study

Calidad de vida de mujeres rurales y factores asociados: estudio transversal

 

Bruno Neves da Silva1 ORCID 0000-0001-9854-4492             

Valéria Gomes Fernandes da Silva 2 ORCID 0000-0003-1381-8664

Gledja Akythiara de Araújo Ferreira 3 ORCID 0009-0003-3155-6028             

Maisa Galdino Pereira4 ORCID 0000-0003-4692-5626             

Nilba Lima de Souza5 ORCID 0000-0002-3748-370X

Erika Simone Galvão Pinto6 ORCID 0000-0003-0205-6633             

 

1 Prefeitura Municipal do Natal, Brasil, [email protected]

2 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil

3 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil                    

4 Universidade Federal de Campina Grande, Brasil   

5 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil        

6 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil        

 

Resumo:
Introdução:
Mulheres rurais vivenciam vulnerabilidades relacionadas às condições de trabalho, desigualdades de gênero e barreiras de acesso aos serviços de saúde, fatores que podem impactar negativamente sua qualidade de vida. A compreensão dos determinantes associados à qualidade de vida nesse contexto é essencial para subsidiar ações na Atenção Primária à Saúde (APS).
Objetivo: Analisar a associação entre qualidade de vida e fatores sociodemográficos, laborais e de saúde de mulheres rurais.
Método: Estudo transversal analítico realizado junto a 87 mulheres rurais do município paraibano de Nazarezinho, Brasil. A partir de amostragem por conveniência, os dados foram coletados no período de julho a novembro de 2020 por meio de entrevistas. Foram aplicados um formulário sociodemográfico e o instrumento de avaliação de qualidade de vida Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36). A análise dos dados se deu por estatística descritiva e inferencial.
Resultados: Os menores escores de qualidade de vida foram observados nos domínios estado geral de saúde e aspectos físicos. Idade mais avançada, menor escolaridade, maior tempo de trabalho rural, adoecimento relacionado ao trabalho, presença de doenças crônicas e ausência de atividades de lazer apresentaram associação estatisticamente significativa com piores escores em múltiplos domínios.
Conclusão: Os achados evidenciam vulnerabilidades específicas das mulheres rurais e reforçam a necessidade de ações de promoção da saúde no âmbito da enfermagem rural, com foco na prevenção de adoecimentos ocupacionais, no manejo de condições crônicas e no fortalecimento do lazer e do autocuidado na APS.

Palavras-chave: qualidade de vida; mulheres trabalhadoras; saúde da população rural; promoção da saúde.

 

Abstract:
Introduction:
Rural women experience vulnerabilities related to working conditions, gender inequalities, and limited access to health services, factors that may negatively affect their quality of life. Understanding the determinants associated with quality of life in this context is essential to inform Primary Health Care (PHC) actions.
Objective: To analyze the association between quality of life and sociodemographic, occupational, and health factors among rural women.
Method: An analytical cross-sectional study was conducted with 87 rural women from the municipality of Nazarezinho, in the state of Paraíba, Brazil. Using convenience sampling, data were collected between July and November 2020 through interviews. A sociodemographic questionnaire and the quality-of-life assessment instrument, the Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36), were applied. Data analysis was performed using descriptive and inferential statistics.
Results: The lowest quality of life scores were observed in the domains of general health status and physical aspects. Older age, lower educational level, longer duration of rural work, work-related illness, presence of chronic diseases, and lack of leisure activities showed statistically significant associations with poorer scores across multiple domains.
Conclusion: The findings highlight specific vulnerabilities among rural women and reinforce the need for health promotion actions within community nursing, focusing on the prevention of occupational illnesses, management of chronic conditions, and strengthening of leisure activities and self-care in PHC.

Keywords: quality of life; working women; rural health; health promotion.

 

Resumen:
Introducción:
Las mujeres rurales enfrentan vulnerabilidades relacionadas con condiciones laborales precarias, desigualdades de género y barreras en el acceso a los servicios de salud, factores que pueden afectar negativamente su calidad de vida. Comprender los determinantes asociados a la calidad de vida en este contexto es fundamental para orientar acciones en la Atención Primaria de Salud (APS).
Objetivo: Analizar la asociación entre calidad de vida y factores sociodemográficos, laborales y de salud de mujeres rurales.
Método: Estudio transversal analítico realizado con 87 mujeres rurales del municipio de Nazarezinho, en el estado de Paraíba, Brasil. Mediante muestreo por conveniencia, los datos fueron recolectados entre julio y noviembre de 2020 a través de entrevistas. Se aplicaron un formulario sociodemográfico y el instrumento de evaluación de la calidad de vida Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36). El análisis de los datos se realizó mediante estadística descriptiva e inferencial.
Resultados: Las puntuaciones más bajas en calidad de vida se observaron en los dominios del estado general de salud y aspectos físicos. La mayor edad, el menor nivel educativo, el mayor tiempo de trabajo rural, la enfermedad relacionada con el trabajo, la presencia de enfermedades crónicas y la ausencia de actividades de ocio mostraron asociaciones estadísticamente significativas con peores puntajes en múltiples dominios.
Conclusión: Los hallazgos evidencian vulnerabilidades específicas de las mujeres rurales y refuerzan la necesidad de acciones de promoción de la salud en el ámbito de la enfermería comunitaria, con énfasis en la prevención de enfermedades ocupacionales, el manejo de condiciones crónicas y el fortalecimiento del ocio y del autocuidado en la APS.

Palabras clave: calidad de vida; mujeres trabajadoras; salud rural; promoción de la salud.

 

Recebido: 20/08/2025

Aceito: 03/03/2026

 

 

Introdução

 

 

O Brasil rural se constitui em um espaço no qual se exteriorizam as piores mazelas sociais, em que as condições de trabalho, saúde e de vida foram e continuam sendo precárias e contraditórias. (1) Nesse meio, investimentos em infraestrutura, saneamento básico, abastecimento hídrico e coleta de resíduos sólidos são escassos, sendo esses serviços, muitas vezes, muito precários. Esses indicadores, no entanto, possuem relação direta com a qualidade de vida (QV) das populações do campo. (2) Outros estudos ao redor do mundo também destacam menores índices de  QV em meio rural, quando comparada ao meio urbano. (3, 4) A Organização Mundial da Saúde corrobora esses resultados, ressaltando que a população rural tende a ser mais pobre e menos saudável, o que é agravado pelo menor acesso aos serviços de saúde. (5) A Organização Pan-americana de Saúde, por seu turno, reforça que, no contexto latino-americano, tais desigualdades se expressam de forma ainda mais intensa entre as mulheres, em função da divisão sexual do trabalho, da informalidade laboral e da sobrecarga de atividades produtivas e reprodutivas. (6)

Nesse cenário de desigualdades estruturais, a QV aparece como um constructo central para a compreensão das condições de saúde e bem-estar, especialmente em populações historicamente vulnerabilizadas. Surgido na década de 1960, foi impulsionado por transformações sociais e pela adoção de novos modelos epidemiológicos do processo saúde-doença, que demandaram sua avaliação sistemática. Desde então, múltiplas definições foram propostas, evidenciando a polissemia e a ausência de consenso conceitual. Historicamente vinculado à satisfação individual com a vida e às concepções aristotélicas de felicidade e virtude, o termo evoluiu para um constructo multidimensional que integra domínios físicos, psicológicos, sociais e ambientais. A QV articula condições objetivas e percepções subjetivas de bem-estar, variando conforme necessidades humanas e etapas do ciclo vital. Essa complexidade reforça seu papel como parâmetro analítico na mensuração de intervenções, no direcionamento de políticas públicas e na organização de modelos de atenção à saúde. (7)

O conhecimento acerca da QV é imprescindível para entender as consequências de doenças e tratamentos, bem como para a tomada de decisões médicas em diferentes faixas etárias e culturas. Ademais, informações sobre a QV são essenciais para ajudar os indivíduos a antecipar consequências de problemas de saúde e de seus tratamentos, constituindo, portanto, um desfecho importante nas pesquisas em saúde. (8)

Quando comparadas às pessoas que habitam em zona urbana, os indivíduos que residem em meio rural são, geralmente, mais pobres, possuem piores condições de moradia e saneamento, maiores dificuldades em acessar serviços de saúde e meios de comunicação, têm menor nível de escolaridade e maiores riscos de lesões relacionadas ao ambiente e à condição socioeconômica, e estudos têm constatado menores índices de QV em meio rural, seja no aspecto geral ou em domínios específicos. (9)

Estudos demonstram que a questão de gênero é um fator interveniente em condições mais negativas de QV nas mulheres rurais. (10, 11) Dado que o trabalho é um dos aspectos que caracterizam a QV, seus menores valores em mulheres rurais podem estar associados ao fato delas serem as mais afetadas pela exploração e pela dominação no meio rural, decorrentes de sua condição de classe e de gênero, assinaladas historicamente pelo patriarcado. (12) Tal fato permeia os modos de vida das mulheres rurais, e repercute em suas trajetórias pessoais e familiares, de vida e de trabalho, assim como em suas perspectivas de futuro, ação política e no seu processo saúde e doença. (4)

Do ponto de vista do gênero, estudos clássicos (13) e contemporâneos (14) apontam que as desigualdades em saúde não decorrem apenas de diferenças biológicas, mas são produzidas socialmente a partir de relações assimétricas de poder, normas culturais e condições estruturais que afetam de maneira diferenciada homens e mulheres. No campo da saúde, tais desigualdades se refletem em maior exposição feminina a condições de trabalho precárias, menor reconhecimento social do trabalho realizado e acesso desigual a recursos de cuidado e proteção.

Especificamente no que se refere à articulação entre gênero e ruralidade, estudos indicam que mulheres rurais vivenciam formas particulares de vulnerabilidade, marcadas pela invisibilidade do trabalho agrícola feminino, pela dupla jornada e pela limitação de políticas públicas sensíveis às especificidades do meio rural. (15) Essas condições impactam diretamente a QV e reforçam a necessidade de análises que considerem simultaneamente os marcadores de gênero, território e trabalho.

Tais condições de vida e de trabalho para as mulheres rurais não são exclusivas do Brasil, mas constituem problemas estruturais compartilhados por amplas regiões da América Latina. Em muitos países latino-americanos, populações rurais enfrentam barreiras semelhantes no acesso à Atenção Primária à Saúde (APS), (16) condições laborais precárias (17) e normas socioculturais que ampliam a dupla jornada e a vulnerabilidade feminina. (10)

A avaliação da QV possibilita transformar o conhecimento, e contribui para apoiar e aperfeiçoar métodos para a modificação de situações que necessitam ser transformadas, e engloba maior reflexão sobre os condicionantes de saúde e doença. (18) Destarte, o presente estudo, embora realizado em um município específico do Nordeste brasileiro, oferece evidências locais que podem subsidiar a formulação de políticas e intervenções de caráter regional: o entendimento de que fatores se encontram diretamente associados com a QV das mulheres rurais permite que eles sejam considerados para o desenho de políticas e ações intersetoriais e para a adaptação de estratégias de APS rural com foco em equidade de gênero, prevenção de adoecimento ocupacional e promoção do lazer e autocuidado, com vistas a elevar esse construto no meio rural, dado que ele impacta a vida das mulheres de forma transversal. Isso posto, o objetivo deste estudo é analisar a associação entre qualidade de vida e fatores sociodemográficos, laborais e de saúde de mulheres rurais.

 

 

Método

 

 

Trata-se de um transversal analítico realizado no município de Nazarezinho, Paraíba, Brasil, classificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como um município predominantemente rural. O delineamento transversal permite a observação simultânea das variáveis em um ponto específico do tempo, não possibilitando inferências causais, mas sendo adequado para identificar padrões e associações entre variáveis em contextos populacionais específicos. (19)

A coleta de dados ocorreu no período de julho a novembro de 2020 por meio de entrevistas, nas quais foram aplicados um formulário sociodemográfico e o instrumento de avaliação de QV Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36), um instrumento amplamente utilizado, cuja estrutura se encontra dividida em três componentes: itens, que correspondem às perguntas; escalas, que correspondem a cada domínio relacionado à QV; e medidas sumário, que se tratam do resumo dos componentes físico e mental. Os 36 itens estão divididos em oito domínios. Cada domínio apresenta um escore final que varia de 0 a 100, cujos valores, quanto mais altos, indicam melhor índice de QV. (20)

O SF-36 foi validado no Brasil por Ciconelli, (21) e, quanto aos domínios, foram denominados de capacidade funcional (CF), que avalia a presença de limitações relacionadas à capacidade física e suas extensões; aspectos físicos (AF), que avalia as limitações que envolvem o tipo e a quantidade de trabalho e como elas dificultam esse trabalho e as atividades de vida diária; dor, que avalia a presença e intensidade da dor e sua interferência nas atividades diárias; estado geral de saúde (EGS), que avalia a percepção do indivíduo em relação à sua saúde global; vitalidade, que avalia o nível de energia e de fadiga do indivíduo; aspectos sociais (AS), que avalia como o indivíduo se integra em atividades sociais; aspectos emocionais (AE), que avalia as repercussões de aspectos psicológicos sobre o bem-estar do indivíduo e saúde mental (SM), que avalia questões relacionadas a alterações no comportamento emocional ou descontrole emocional, depressão, ansiedade e bem-estar psicológico. (21)

Elegeu-se o SF-36 devido sua longa trajetória como instrumento abrangente de avaliação da qualidade de vida relacionada à saúde, permitindo a comparação entre populações e estudos. Em termos de forças e limitações, o SF-36 oferece um perfil dimensional mais rico que instrumentos mais curtos (por exemplo, EQ-5D), o que facilita a identificação de domínios específicos de déficit. Em contrapartida, a sua extensão e linguagem podem reduzir a validade em populações com baixo letramento ou com estilos de vida muito distintos do contexto urbano-industrial. (22)

A população do estudo foi constituída por 112 mulheres rurais cadastradas em uma microárea e acompanhadas por uma equipe rural da Estratégia de Saúde da Família. O acesso às participantes ocorreu por intermédio da equipe de saúde local, mais especificamente a partir do direcionamento da agente comunitária de saúde que realizava a cobertura da microárea, a qual auxiliou na identificação das participantes elegíveis.

Após a aplicação dos critérios de seleção, que incluíram mulheres acima de 18 anos de idade que aceitassem fazer parte do estudo, residentes na zona rural e que realizam ou realizaram durante a vida atividades relacionadas à agropecuária e/ou ao extrativismo. Foram excluídas mulheres que residiam há menos de seis meses na zona rural, ou aquelas que, apesar de residirem nessas áreas, não possuíam modos de vida relacionados com elas. A amostra foi obtida, por conveniência, a partir da fórmula de Barbetta para estabelecimento de amostra em pesquisas com populações finitas, considerando que n0 corresponde à primeira aproximação do tamanho amostral, E0 ao erro amostral tolerável, N ao tamanho da população e n ao tamanho da amostra, levando-se em consideração um erro amostral de 5 %, com nível de confiança de 95 %:

 

 

Destarte, obteve-se uma amostra final de 87 mulheres rurais, não havendo recusas formais à participação entre as mulheres abordadas. A amostra foi definida por conveniência, considerando as limitações impostas pela pandemia de COVID-19, que prolongou o período de coleta de dados.

As variáveis utilizadas no estudo foram: escores dos oito domínios de QV do SF-36, assim como suas medidas-sumário. As variáveis sociodemográficas, laborais e de saúde não contempladas no SF-36 foram coletadas por meio de formulário estruturado elaborado pelos autores, contendo questões fechadas previamente definidas, referentes a: faixa etária, raça/cor, escolaridade, estado civil, renda mensal, possuir filhos, tempo de atividade rural, tipos de tarefas rurais desempenhadas, presença de renda própria relacionada ao trabalho rural, adoecimento relacionado ao trabalho rural, presença de doença crônica, tipo de doença crônica, prática de atividade física e de atividade de lazer, uso de álcool e tabagismo.

Após coletados, os dados foram digitados em planilhas que foram exportadas para análise estatística através do software SPSS versão 25.0®, considerando o caráter analítico do estudo. Inicialmente, realizou-se análise descritiva das variáveis, com cálculo de frequências, médias, desvios-padrão, valores mínimos e máximos e intervalos de confiança.

A normalidade da distribuição das variáveis foi avaliada por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov, que indicou distribuição não normal das variáveis utilizadas. Dessa forma, optou-se pela utilização de testes não paramétricos. O teste U de Mann-Whitney foi empregado para analisar associações entre os domínios da qualidade de vida e variáveis categóricas, enquanto o teste de correlação de Spearman foi utilizada para avaliar associações entre os domínios do SF-36. O nível de significância adotado foi de 5 % (p < 0,05). Não houve dados faltantes nos bancos de dados, contribuindo para não o comprometimento a consistência dos resultados.

Este estudo seguiu as recomendações do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE), bem como obedeceu a todos os critérios dispostos na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte pelo parecer consubstanciado de número 3.950.023. Todas as participantes assinaram duas vias de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participação na pesquisa, permanecendo uma via com o pesquisador e outra com a participante.

Ressalta-se que foi calculado o alfa de Cronbach (métrica estatística que estima a confiabilidade de determinado questionário, escala etc.) para verificar a consistência do SF-36, sendo constatada baixa confiabilidade (α = 0,33). Tal resultado pode estar relacionado a dificuldades de compreensão dos itens por parte das participantes, especialmente em um contexto de baixo letramento, bem como a especificidades socioculturais do meio rural, que podem interferir na interpretação de determinados construtos originalmente desenvolvidos em contextos urbanos.

 

 

Resultados

 

 

A amostra foi constituída por 87 mulheres rurais. Conforme apresentado na Tabela 1, os menores escores médios de QV foram observados nos domínios AF ( = 55,46; DP = 37,63) e EGS (= 53,74; DP = 16,05), enquanto os maiores escores ocorreram em CF ( = 77,36; DP = 17,16) e SM ( = 72,97; DP = 12,88), indicando maior comprometimento das dimensões físicas da QV.

 

Tabela 1: Valores mínimos e máximos, média e desvio padrão dos domínios de qualidade de vida obtidos. Nazarezinho, Paraíba, Brasil, 2020

 

 

Nota: CF: capacidade funcional; AF: aspectos físicos; EGS: estado geral de saúde; AS: aspectos sociais; AE: aspectos emocionais; SM: saúde mental.

 

Quanto ao perfil sociodemográfico da amostra, as mulheres eram, em sua maioria, casadas (60,9 %), autodeclaradas de raça/cor branca (48,3 %), e com ensino fundamental incompleto (64,4 %). Quanto à faixa etária, o valor médio foi de cerca de 50,15 anos. Cerca de 90,9% (n = 79) possuía filhos, e declararam renda mensal de até um salário mínimo (salário mínimo vigente em 2020: R$ 1.045,00). De modo geral, mulheres em faixas etárias mais elevadas e com menor escolaridade apresentaram piores escores de QV, especialmente nos domínios relacionados ao componente físico. Associações estatisticamente significativas foram constatadas entre os domínios de QV e as variáveis faixa etária, estado civil e escolaridade, conforme representado na Tabela 2.

 

Tabela 2: Variáveis sociodemográficas e escores médios dos domínios de qualidade de vida do SF-36 e respectivas associações. Nazarezinho, Paraíba, Brasil, 2020

 

 

*p-valor < 0,05; Mann-Whitney

Nota: CF: capacidade funcional; AF: aspectos físicos; EGS: estado geral de saúde; Vit.: vitalidade; AS: aspectos sociais; AE: aspectos emocionais; SM: saúde mental.

 

Em relação aos aspectos laborais, a maior parte (70,1 %) das mulheres realizou trabalho rural por tempo superior a dez anos, sendo o plantio e a colheita as principais atividades realizadas. A maioria das mulheres não possuía renda relacionada ao trabalho rural (97,7 %). Associações estatisticamente significativas foram identificadas entre os escores médios dos domínios de QV e o tempo de trabalho rural, as atividades realizadas no trabalho rural e o adoecimento devido ao trabalho, conforme sumarizado na Tabela 3.

 

Tabela 3: Variáveis relacionadas ao trabalho e escores médios dos domínios de qualidade de vida do SF-36 e respectivas associações. Nazarezinho, Paraíba, Brasil, 2020

 

 

*p-valor < 0,05; Mann-Whitney

Nota: CF: capacidade funcional; AF: aspectos físicos; EGS: estado geral de saúde; Vit.: vitalidade; AS: aspectos sociais; AE: aspectos emocionais; SM: saúde mental.

 

Quanto às variáveis de saúde e doença, equiparou-se o número de mulheres que autorrelataram alguma doença crônica com as que negaram a presença dessas doenças, cuja prevalência maior foi de hipertensão arterial sistêmica (29,9 %). A prática de atividades físicas foi relatada por um baixo número de mulheres (19,5 %). A utilização de álcool não representou um índice altamente expressivo (4,6 %). A prática de atividades de lazer foi referida por quase metade das participantes do estudo (42,5 %). O fato de possuir doença crônica, o tipo de doença, ter atividades de lazer, e o uso de álcool e cigarro apresentaram associações estatisticamente significativas com os escores de QV, conforme destacado na Tabela 4.

 

Tabela 4: Variáveis de saúde-doença e escores médios dos domínios de qualidade de vida do SF-36 e respectivas associações. Nazarezinho, Paraíba, Brasil, 2020

 

 

*p-valor < 0,05; Mann-Whitney

Nota: CF: capacidade funcional; AF: aspectos físicos; EGS: estado geral de saúde; Vit.: vitalidade; AS: aspectos sociais; AE: aspectos emocionais; SM: saúde mental.

 

Entre os domínios do SF-36, as análises de correlação de Spearman identificou diversas correlações significativas estatisticamente, com destaque para correlações fortes entre CF e componente físico (r = 0,782) e entre AE e CM (r = 0,825), conforme apresentado na Tabela 5.

 

Tabela 5: Correlações existentes entre os domínios de qualidade de vida do SF-36. Nazarezinho, Paraíba, Brasil, 2020

 

 

* p-valor < 0,05; correlação de Spearman.

Nota: CF: capacidade funcional; AF: aspectos físicos; EGS: estado geral de saúde; Vit.: vitalidade; AS: aspectos sociais; AE: aspectos emocionais; SM: saúde mental.

 

As correlações observadas entre os domínios do SF-36 reforçam a coerência estrutural do instrumento no contexto estudado. As correlações fortes entre CF e componente físico, bem como entre AE e componente mental, indicam que os domínios se organizam de forma consistente com o modelo teórico do instrumento. Por outro lado, a presença de correlações fracas e moderadas entre domínios distintos sugere adequada discriminação entre as diferentes dimensões da qualidade de vida, reforçando seu caráter multidimensional. Tais achados atenuam parcialmente o impacto da baixa confiabilidade interna global indicada pelo alfa de Cronbach e sustentam a interpretação dos resultados com base em padrões e associações estatísticas, desde que considerados com cautela.

 

 

Discussão

 

 

Os resultados do presente estudo evidenciam baixa QV entre mulheres rurais, com maior comprometimento nos domínios EGS e AF. A associação desses domínios com fatores sociodemográficos, laborais e de saúde reforça a compreensão da QV como um construto multidimensional, atravessado por determinantes estruturais e contextuais.

Estudo apontam que a população rural apresenta piores médias de QV, (9) o que ressalta a invisibilização histórica dessa população por parte das políticas públicas, haja vista sua descontinuidade, assim como a de modelos assistenciais, que não se consolidam em meio rural, o que interfere diretamente na saúde e QV desse segmento populacional. (23)

Nesse sentido, as condições de vida e trabalho das mulheres rurais, caracterizadas pelo acesso limitado a serviços de saúde e educação, desigualdade de gênero persistente e elevada informalidade e precariedade laboral configuram problemas comuns a muitos países da América Latina. Esses fatores, somados à fragmentação dos sistemas de saúde e às lacunas na cobertura e na qualidade dos serviços, reforçam os achados do presente estudo. Pesquisas regionais recentes documentam tais falhas sistêmicas e a sua associação com piores desfechos de saúde, indicando que os achados locais reportados no presente estudo ecoam padrões regionais (24) e internacionais. (25)

Uma revisão sistemática recente evidencia como os determinantes sociais da saúde impactam a QV das populações rurais e ressalta que a insegurança e a pobreza foram frequentemente eclipsadas pelo “urbanocentrismo” do discurso dominante. Tal invisibilidade decorre, por um lado, da dispersão territorial e, por outro, de uma visão idealizada do mundo rural. Ambos os fatores ofuscam não apenas a existência de problemas, mas também de ameaças à sustentabilidade social dessas áreas, como a carência de serviços, o isolamento residencial e a escassez de moradias. (26)

Os escores específicos obtidos pelo SF-36 mostraram-se inferiores aos evidenciados em estudo transversal com 355 trabalhadores rurais do Estrado de São Paulo, Brasil, que constatou variáveis demográficas e socioeconômicas como relacionadas a piores índices de QV, sem, no entanto, realizar recorte de gênero, o que dificulta a realização de comparações com o estudo em tela. (27)

Apesar disso, observou-se que no estudo em tela e na pesquisa supracitada que o domínio EGS apresentou os menores escores. Ademais, foi constatada associação entre melhores resultados nesse domínio e faixas etárias mais jovens. (28) Assim, a prevalência de mulheres rurais com maior faixa etária no presente estudo pode explicar, em parte, os baixos escores encontrados no domínio EGS.

As condições socioeconômicas e de trabalho também ajudam a compreender os baixos escores no domínio EGS. A informalidade e a insegurança laboral aumentam a carga psicossocial e a prevalência de sintomas depressivos, enquanto interrupções e barreiras no acesso à APS prejudicam o manejo de doenças crônicas. Esses fatores, relatados na literatura latino-americana, explicam a pior QV observada em mulheres do campo e confirmam a relação entre precariedade econômica, dificuldades de acesso a serviços e resultados negativos em saúde. (17)

Acrescenta-se, nessa perspectiva, que a presença das mulheres na economia rural é fortemente demarcada pela divisão sexual do trabalho, e as tarefas que desempenham, ainda que semelhantes às do gênero oposto, envolvem poucos fins lucrativos, o que pode contribuir para as que as mulheres apresentem piores índices de QV na maioria dos domínios avaliados. (29)

Quanto aos demais domínios do SF-36, estudo realizado com 133 mulheres agricultoras na Índia identificou médias semelhantes nos escores de vitalidade e SM. Tais resultados estavam associados a maior escolaridade, melhor autoconceito e estratégias de enfrentamento mais eficazes, o que evidencia uma relação recíproca entre AF, AS e SM, que compõem elementos de ordem superior da QV. (30) No estudo em tela esses domínios encontraram-se associados entre si, conforme evidenciado no teste de correlação de Spearman.

Outras características associadas a piores médias em QV incluem baixa escolaridade e menores níveis socioeconômicos. Nesse sentido, os resultados identificados no presente estudo podem estar relacionados a esses fatores, corroborando achados prévios que apontam os mais pobres e menos escolarizados como os mais vulneráveis. (28)

Ainda que alguns achados sejam convergentes com a literatura, o presente estudo evidenciou índices consistentemente baixos de QV entre mulheres rurais. Elementos como inserção precoce no trabalho agrícola, dupla jornada decorrente da condição de gênero e ausência de serviços e profissionais de saúde reforçam esse cenário de vulnerabilidade. (28, 30)

Em revisão sistemática, autores (31) destacam que populações rurais tendem a perceber sua QV de forma mais negativa quando comparadas às urbanas. No caso das mulheres, o marcador de gênero influencia fortemente essa percepção. Desde a adolescência, observa-se que os homens têm maiores oportunidades de escolarização e de herança das posses rurais, enquanto as mulheres permanecem associadas ao papel de cuidadoras. (29) Tal processo de invisibilização leva à desvalorização do trabalho feminino, mesmo quando realizam atividades idênticas às dos homens, além das tarefas domésticas. Assim, mesmo quando remuneradas, raramente decidem sobre o uso de seus rendimentos, (32) o que reforça a natureza estrutural dessas desigualdades.

No presente estudo, o maior escore médio foi observado no domínio CF, associado a menores perfis etários e em consonância com resultados da literatura. (27) Em mulheres rurais iranianas, a CF também foi associada à ruralidade. (33) Contudo, pesquisa com 241 famílias do Rio Grande do Sul, Brasil, mostrou que o trabalho rural pode produzir adoecimentos capazes de gerar incapacidades. (34)

Em relação aos fatores associados, estudo transversal com indivíduos rurais realizado no mesmo estado brasileiro supracitado identificou associação entre idade avançada e piores índices de QV, devido à dependência de terceiros, desenvolvimento de doenças e limitações em atividades de lazer e trabalho. (28) Esses mesmos fatores também se relacionaram a piores escores no presente estudo.

Observou-se ainda que mulheres casadas apresentaram médias mais baixas de QV, sobretudo nos domínios físicos, possivelmente devido à sobrecarga da dupla jornada. Já aquelas em união estável tiveram médias mais altas nos domínios CF, EGS e vitalidade, sem diferenças estatisticamente significativas no componente mental, ainda que as médias tenham sido superiores, exceto no domínio AS. Em contraste, outros estudos apontam que o convívio conjugal se associa a melhores índices de QV em domínios psicológicos, em razão da atividade sexual e do suporte social. (28)

No tocante à escolaridade, observaram-se divergências: menores anos de estudo se associaram ora a melhores, ora a piores médias de QV. Contudo, apenas entre mulheres com ensino médio incompleto houve associação significativa, no domínio dor. Em geral, estudos apontam que baixa escolaridade compromete o aprendizado sobre autocuidado, limita ganhos de produtividade e de salários e perpetua problemas relacionados à pobreza, afetando negativamente a QV. (35-37)

Em relação aos aspectos laborais, constatou-se melhores índices de QV entre mulheres rurais com tempo de realização de trabalho rural entre 5 a 10 anos, enquanto que aquelas que realizaram atividade agrícola por um tempo superior a 10 anos apresentaram piores índices nos domínios do componente físico. Quanto às atividades rurais realizadas, obtiveram significância estatística o preparo do solo, cuidado de animais, capinagem e horticultura, com menores escores de QV.

Ressalta-se que o trabalho agrícola é uma atividade que demanda de grande esforço físico e requer alto consumo de energia, sendo, muitas vezes, inadequado ao ser humano. A organização das mulheres rurais em torno deste leva-as a adoecer de tanto trabalhar, o que impacta nos seus índices de QV, e explica os maiores escores obtidos pelas mulheres rurais que declararam não ter adoecido por motivos relacionados ao trabalho rural, e os menores índices observados entre as mulheres que realizaram as atividades rurais mencionadas anteriormente. (38)

No tocante às variáveis de saúde e doença, a presença de doenças crônicas foi determinante para a redução dos escores de QV. Hipertensão arterial associou-se à queda nos domínios AE e no componente mental; diabetes mellitus reduziu o domínio dor; e doenças articulares impactaram múltiplos domínios, tanto físicos quanto mentais. Tais condições limitam atividades diárias, reduzem a capacidade funcional e afetam a saúde mental, além de dificultarem o trabalho e o lazer, fatores que também se mostraram significativos neste estudo.

Sabe-se que a presença de doenças crônicas geralmente limita as atividades diárias em razão dos sintomas físicos, como desconforto e dor, que podem reduzir a capacidade funcional da pessoa e contribuir negativamente para sua QV, sobretudo em relação aos domínios físicos, mas, também, nos domínios psicológicos, uma vez que as limitações ocasionadas pela doença refletem na saúde mental e na percepção sobre a autoimagem e sobre os sentimentos dos indivíduos, e ocasionam, ainda, obstáculos às atividades de trabalho e de lazer, sendo esse último um fator interveniente em piores escores de QV no presente estudo, com significância estatística para os domínios do componente mental. (9,28)

Escores reduzidos em EGS e AF, associados a maior idade, menor escolaridade e doenças crônicas, são consistentes com investigações latino-americanas recentes que evidenciam vulnerabilidades sanitárias em populações rurais andinas e barreiras ao acesso das mulheres à saúde em contextos de baixa renda. (39) Essas pesquisas indicam que a fragmentação dos sistemas de saúde e barreiras geográficas e econômicas intensificam o manejo inadequado de condições crônicas, resultando em piores escores físicos e de saúde percebida.(24) Em síntese, o presente estudo converge com essas evidências regionais e reforça a necessidade de intervenções que considerem simultaneamente determinantes estruturais (acesso, cobertura, qualidade dos serviços) e sociais (educação, trabalho, gênero) para melhorar de forma sustentada a QV das mulheres do campo. (2, 39, 40)

O consumo de álcool também merece atenção. Embora esteja associado a inúmeros prejuízos para a saúde, (41) no presente estudo, relacionou-se a maiores escores no domínio CF. Tal resultado pode estar relacionado à ausência de especificação entre consumo ocasional e abusivo. Um estudo realizado na APS do Rio de Janeiro, Brasil, mostrou associação positiva entre consumo de álcool e QV, atribuída ao lazer e interação social. (42) Em contrapartida, pesquisa com trabalhadores rurais brasileiros da Bahia encontrou associação inversa, destacando os efeitos deletérios do álcool e seu impacto socioeconômico negativo na saúde pública. (43)

No que diz respeito à utilização de tabaco, supõe-se que a explicação para a melhor média no domínio AE com associação estatisticamente significativa seja semelhante, tendo-se em vista os prejuízos para a saúde e QV acarretados pelo tabagismo, já evidenciados em estudos com populações rurais. (44)

No que concerne à identificação de correlações entre determinados domínios do SF-36, estas reforçam a coerência estrutural do instrumento no contexto estudado. As correlações fortes entre CF e componente físico, bem como entre AE e componente mental, indicam que os domínios se organizam de forma consistente com o modelo teórico do instrumento. Por outro lado, a presença de correlações fracas e moderadas entre domínios distintos sugere adequada discriminação entre as diferentes dimensões da QV, reforçando seu caráter multidimensional. Esses achados atenuam parcialmente o impacto da baixa confiabilidade interna global observada e sustentam a interpretação dos resultados com base em padrões e associações estatísticas.

Cumpre-se dizer que a compreensão dos fatores associados à QV das mulheres rurais implica no reconhecimento de situações que impactam negativamente em suas condições físicas, psicossociais e ambientais, e possibilita desenvolver políticas públicas capazes de contribuir para melhoria da sua QV e melhorar seu estado de saúde. (27)

Sob a perspectiva da enfermagem rural, os achados deste estudo reforçam a centralidade do cuidado territorializado e sensível às especificidades de gênero e ruralidade. A associação entre condições de vida, trabalho e saúde e os escores de QV evidencia que o cuidado em saúde de mulheres rurais não pode restringir-se à abordagem biomédica, demandando intervenções que considerem os determinantes sociais, ocupacionais e psicossociais do processo saúde-doença. Nesse prisma, a enfermagem rural se destaca e figura como uma peça central na promoção da QV das mulheres, dada a sua inserção contínua no território e sua atuação no acompanhamento longitudinal das famílias, ocupando uma posição estratégica na identificação de vulnerabilidades, no monitoramento de condições crônicas e no desenvolvimento de ações educativas voltadas à promoção da saúde, à prevenção de adoecimentos relacionados ao trabalho rural e ao fortalecimento do autocuidado e do lazer.

Entre as limitações do estudo, destaca-se a baixa confiabilidade interna do SF-36, possivelmente relacionada a dificuldades de compreensão do instrumento em um contexto de baixo letramento e a especificidades socioculturais do meio rural, o que exige cautela na interpretação dos escores observados. Ademais, o delineamento transversal impede inferências causais, e a realização do estudo em um único município limita a generalização dos achados para outros contextos rurais.

Apesar dessas limitações, o estudo contribui ao dar visibilidade a vulnerabilidades frequentemente invisibilizadas (sobretudo em medidas agregadas) ao oferecer evidências empíricas que podem subsidiar práticas e políticas voltadas à melhoria da QV de mulheres rurais, especialmente no âmbito da saúde pública e da enfermagem rural. Ademais, contribui ainda para preencher lacunas do conhecimento e indicar prioridades de intervenção no campo da saúde rural. Apesar do caráter local, os achados oferecem um modelo metodológico e evidências replicáveis que podem subsidiar estudos multicêntricos, fortalecendo a base empírica para ações que reconheçam as especificidades de gênero e ruralidade e a importância da promoção da saúde no cenário rural.

 

 

Conclusão

 

 

O presente estudo evidenciou que mulheres rurais apresentam baixos escores de QV, especialmente nos domínios relacionados à saúde física e à percepção do estado geral de saúde. Fatores sociodemográficos, laborais e de saúde, como idade, escolaridade, tempo e tipo de atividade rural, adoecimento relacionado ao trabalho, presença de doenças crônicas, prática de atividades de lazer e consumo de álcool e tabaco, mostraram-se estatisticamente associados aos escores de qualidade de vida.

Esses achados reforçam que a QV das mulheres rurais é atravessada por múltiplas vulnerabilidades, relacionadas às condições de trabalho, às desigualdades de gênero e às barreiras de acesso aos serviços de saúde. No contexto da Atenção Primária à Saúde, tais evidências destacam a importância de ações de promoção da saúde, com foco na prevenção de adoecimentos ocupacionais, no manejo adequado de condições crônicas e no estímulo ao lazer e ao autocuidado.

No âmbito da enfermagem, categoria profissional inserida diretamente no cenário rural e, muitas vezes, a única disponível para atender à população, os resultados oferecem subsídios para o planejamento de intervenções territorializadas e sensíveis às especificidades do meio rural, contribuindo para a qualificação do cuidado prestado às mulheres do campo e para a promoção da sua saúde. Recomenda-se que políticas públicas e estratégias assistenciais incorporem indicadores de QV no monitoramento das ações em áreas rurais, bem como invistam na capacitação das equipes de saúde para o enfrentamento das desigualdades de gênero e sociais nesse contexto.

Por fim, sugere-se a realização de estudos futuros com delineamentos multicêntricos, amostras mais amplas e instrumentos culturalmente adaptados, de modo a aprofundar a compreensão dos fatores associados à QV de mulheres rurais e a fortalecer a base de evidências para a formulação de políticas e práticas mais equitativas.

 

 

Referencias:

1. Córdova TAB, Ribas CEDC, Wosny AM. A assistência à saúde dos Sem-Terra: o caso do assentamento Butiá, Santa Catarina, Brasil. Saúde & Transformação Social. 2011;1(2):67-78. Disponível em: https://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/saudeetransformacao/article/view/520

2. Kolling Neto A, Anjos GM, Brandolff RS, Goés TP, Silva JF. Fatores relacionados à saúde pública e ao saneamento básico em comunidade rural de Barreiras, Bahia, Brasil. Rev baiana de saúde pública. 2018;41(3). doi: 10.22278/2318-2660.2017.v41.n3.a2079

3. Chantakeeree C, Sormunen M, Estola M, Jullamate P, Turunen H. Factors affecting quality of life among older adults with hypertension in urban and rural areas in Thailand: a cross-sectional study. The International Journal of Aging and Human Development. 2021;95(2):222-244. doi: 10.1177/00914150211050880

4. Petrovič F, Maturkanič P. Urban-rural dichotomy of quality of life. Sustainability. 2022;14(14):8658. doi: 10.3390/su14148658

5. World Health Organization. WHO guideline on health workforce development, attraction, recruitment and retention in rural and remote áreas (Internet). Geneva: World Health Organization; 2021. Disponível em: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/70210010-a0e0-4386-970c-11f342d6e01c/content

6. Organização Pan-Americana da Saúde. Equidade de gênero em saúde (Internet). Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/equidade-genero-em-saude

7. Ruidiaz-Gómez KS, Cacante-Caballero JV. Desenvolvimento histórico do conceito de qualidade de vida: uma revisão da literatura. Rev cienc cuidad. 2021;18(3):86-99. doi: 10.22463/17949831.2539

8. Haraldstad K, Wahl A, Andenæs R, Andersen JR, Andersen MH, Beisland E, et al. A systematic review of quality of life research in medicine and health sciences. Qual Life Res. 2019;28(10):2641-2650. doi: 10.1007/s11136-019-02214-9

9. Llaneza-Suarez C, Garcia-Portilla P, Rodriguez-Vijande B, Carriles J, Sánchez-Prieto M, Coronado Martín PJ, Llaneza Coto ÁP, et al. Rural residence and health-related quality of life in a sample of Spain perimenopausal women. Gynecol Endocrinol. 2024;40(1):2336335. doi: 10.1080/09513590.2024.2336335

10. Zheng E, Xu J, Xu J, Zeng X, Tan WJ, Li J, et al. Health-related quality of life and its influencing factors for elderly patients with hypertension: evidence from Heilongjiang Province, China. Front Public Health. 2021;9:654822. doi: 10.3389/fpubh.2021.654822

11. Leal DU, Lopes IS. Mulheres rurais, interseccionalidade e saúde. Saúde e Sociedade. 2025;34(1):e240042pt. doi: 10.1590/S0104-12902025240042pt

12. Bringel FCM, Godoi EL, Ferreira NCM, Isidoro JLE. A dominação masculina no campo: um estudo da exclusão da mulher rural no acesso à terra e sua participação na economia rural. Rev Contemp. 2024;4(5):e4552. doi: 10.56083/RCV4N5-242

13. Scott J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educ Real. 2017;20(2). Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721

14. Connell R. Gender, health and theory: conceptualizing the issue, in local and world perspective. Soc Sci Med. 2012;74(11):1675-83. doi: 10.1016/j.socscimed.2011.06.006

15. Paulilo MI. Mulheres rurais: quatro décadas de diálogo. Santa Catarina: Editora da UFSC; 2016.

16. Pazmiño-Verdezoto AV, Vasco SGF, Quintana TEA. Limitaciones en el acceso equitativo a la atención primaria de salud en poblaciones vulnerables en Latinoamérica. Pol Con. 2025;10(2):511-529. doi: 10.23857/pc.v10i2.8887

17. Huynh TB, Oddo VM, Trejo B, Moore K, Quistberg DA, Kim JJ, et al. Association between informal employment and depressive symptoms in 11 cities in Latin America. SSM Popul Health. 2022;18:101101. doi: 10.1016/j.ssmph.2022.101101

18. Favacho VBC, Cárdenas AMC, Pena FPS, Pena JLC, Sena CF, Oliveira MAF. Qualidade de vida e uso abusivo de álcool: relação em moradores da comunidade quilombola Lagoa dos Índios. Rev Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. 2019;15(1):14-22. doi: 10.11606/issn.1806-6976.smad.2019.000378

19. Polit DF. Fundamentos da pesquisa em enfermagem: avaliação de evidências para a prática da enfermagem. 9. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.

20. Campolina AG, Ciconelli RM. O SF-36 e o desenvolvimento de novas medidas de avaliação de qualidade de vida. Acta reumatológica portuguesa. 2008;33(2):127-133. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18604180/

21. Ciconelli RM. Tradução para o português e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida “Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36)” (Tese). São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; 1997.

22. Wu Q, Chen Y, Zhou Y, Zhang X, Huang Y, Liu R. Reliability, validity, and sensitivity of short-form 36 health survey (SF-36) in patients with sick sinus syndrome. Medicine (Baltimore). 2023;102(24):e33979. doi: 10.1097/MD.0000000000033979

23. Caldart RS, Pereira IB, Alentejano P, Frigotto G. Dicionário da educação do campo. São Paulo: Expressão Popular; 2012.

24. Roberti J, Leslie HH, Doubova SV, Ranilla JM, Mazzoni A, Espinoza L, et al. Inequalities in health system coverage and quality: a cross-sectional survey of four Latin American countries. Lancet Glob Health. 2024;(1):e145-e155. doi: 10.1016/S2214-109X(23)00488-6

25. Singh A, Palaniyandi S, Palaniyandi A, Gupta V. Health related quality of life among rural elderly using WHOQOL-BREF in the most backward district of India. J Family Med Prim Care. 2022;11(3):1162-1168. doi: 10.4103/jfmpc.jfmpc_1073_21

26. Rodríguez HG. El Trabajo Social en el medio rural: una revisión sistemática de la literatura. Alternativas. 2024;31(1):75-102. doi: 10.14198/ALTERN.24224

27. Lima PJP, Oliveira HB. Aspectos de saúde e qualidade de vida de residentes em comunidades rurais. Rev baiana de saúde pública. 2014;38(4):913-930. doi: 10.22278/2318-2660.2014.v38.n4.a849

28. Bortolotto CC, Mola CL, Tovo-Rodrigues L. Quality of life in adults from a rural area in Southern Brazil. Rev saúde pública. 2018;52:4s. doi: 10.11606/S1518-8787.2018052000261

29. Baronio FC, Geiger LA. The construction of being a woman in family farming: a logotherapeutic perspective. Rev Abordagem Gestált. 2018;24(1):91-97. doi: 10.18065/RAG.2018v24n1.10

30. D’Souza MS, Karkada SN, Somayaji G. Factors associated with health-related quality of life among Indian women in mining and agriculture. Health Qual Life Outcomes. 2013;11:9. doi: 10.1186/1477-7525-11-9

31. Sosa ATA, Paucar PAZ, Vivas NMS, Troya BBB, Jaramillo AE, Rivera SYA. Comorbilidad, adherencia y calidad de vida en personas con diabetes tipo 2: estudio comparativo en población urbana y rural. Revista Científica y Académica. 2025;5(2):1262-83. doi: 10.61384/r.c.a..v5i2.1205

32. Silva MR. Gender and inequalities: reflections on women in family agricultural activity. Braz J Develop. 2019;5(3):2095-105. doi: 10.34117/bjdv5n3-1227

33. Esmaeilzadeh S, Delavar MA, Delavar MHA. Assess quality of life among Iranian married women residing in rural places. Glob J Health Sci. 2013;5(4):182-188. doi: 10.5539/gjhs.v5n4p182

34. Riquinho DL. A outra face dos determinantes sociais de saúde: subjetividades na construção do cotidiano individual e coletivo em uma comunidade rural (Dissertação). Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2009. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/16566

35. Tavares DM dos S, Gomes NC, Dias FA, Santos NM de F. Fatores associados à qualidade de vida de idosos com osteoporose residentes na zona rural. Esc Anna Nery. 2012;16(2):371–378. doi: 10.1590/S1414-81452012000200023

36. Souza-Esquerdo VF, Bergamasco SMPP, Oliveira JTA, Souza EO. Segurança alimentar e nutricional e qualidade de vida em assentamentos rurais. Segurança Alimentar e Nutricional. 2013;20(1):13-23. doi: 10.20396/san.v20i1.8634619

37. Bastos RC, Bifano ACS. “Estado da arte” sobre as publicações científicas envolvendo o trabalho agrícola familiar no Brasil sob o ponto de vista ergonômico. Revista Engenharia na Agricultura. 2017;25(1):27–37. doi: 10.13083/reveng.v25i1.736

38. Casaes AC, Menezes CA, Santos RA, Souza BOL, Cunha Silva BRB, Tabajara Y, et al. Nutritional status and quality of life: urban-rural disparities and the impact of obesity. Int J Environ Res Public Health. 2024;21:1455. doi: 10.3390/ijerph21111455

39. Moya-Salazar J, Jaime-Quispe A, Cañari B, Moya-Espinoza JG, Contreras-Pulache H. A systematic review of mental health in rural Andean populations in Latin America during the COVID-19 pandemic. Front Psychiatry. 2023;14:1136328. doi: 10.3389/fpsyt.2023.1136328

40. Terefe B, Workneh BS, Zeleke GA, Mekonen EG, Zegeye AF, Aemro A, et al. Uncovering women's healthcare access challenges in low- and middle-income countries using mixed effects modelling approach: insights for achieving the Sustainable Development Goals. PLoS One. 2025;20(1):e0314309. doi: 10.1371/journal.pone.0314309

41. Sarich P, Gao S, Zhu Y, Canfell K, Weber MF. The association between alcohol consumption and all-cause mortality: an umbrella review of systematic reviews using lifetime abstainers or low-volume drinkers as a reference group. Addiction. 2024;119(6):998-1012. doi: 10.1111/add.16446

42. Santos MVF, Campos MR, Fortes SLCL. Relação do uso de álcool e transtornos mentais comuns com a qualidade de vida de pacientes na atenção primária em saúde. Ciênc saúde coletiva. 2019;24(3):1051-1063. doi: 10.1590/1413-81232018243.01232017

43. Beck Filho JA, Amorim AM, Fraga-Maia H. Consumo de álcool entre os trabalhadores do corte da cana-de-açúcar: prevalência e fatores associados. Revista Pesquisa em Fisioterapia. 2016;6(3):306-316. doi: 10.17267/2238-2704rpf.v6i3.952

44. Hilts KE, Hudmon KS, Benson AF, Elkhadragy N. Rural-urban disparities in tobacco use and the role of pharmacists in closing the gap. J Rural Health. 2022;38(2):355-359. doi: 10.1111/jrh.12607

 

Como citar: Silva BN da, Silva VGF da, Ferreira GA de A, Pereira MG, Souza NL de, Pinto ESG. Qualidade de vida de mulheres rurais e fatores associados: estudo transversal. Enfermería: Cuidados Humanizados. 2026;15(1):e4801. doi: 10.22235/ech.v15i1.4801

 

Financiamento: Este estudo não recebeu nenhum financiamento externo ou apoio financeiro.

 

Disponibilidade de dados: O conjunto de dados que embasa os resultados deste estudo não está disponível.

 

Conflito de interesse: Os autores declaram não ter conflito de interesse.

 

Editora científica responsável: Dra. Natalie Figueredo

 

 

Enfermería: Cuidados Humanizados, 15 (1)

January - June 2026

10.22235/ech.v15i1.4801

Original articles

 

Quality of Life of Rural Women and Associated Factors: A Cross-Sectional Study

Qualidade de vida de mulheres rurais e fatores associados: estudo transversal

Calidad de vida de mujeres rurales y factores asociados: estudio transversal

 

Bruno Neves da Silva1 ORCID 0000-0001-9854-4492             

Valéria Gomes Fernandes da Silva 2 ORCID 0000-0003-1381-8664

Gledja Akythiara de Araújo Ferreira 3 ORCID 0009-0003-3155-6028             

Maisa Galdino Pereira4 ORCID 0000-0003-4692-5626             

Nilba Lima de Souza5 ORCID 0000-0002-3748-370X

Erika Simone Galvão Pinto6 ORCID 0000-0003-0205-6633             

 

1 Prefeitura Municipal do Natal, Brazil, [email protected]

2 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brazil

3 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brazil                    

4 Universidade Federal de Campina Grande, Brazil   

5 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brazil        

6 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brazil        

 

 

Abstract:
Introduction:
Rural women experience vulnerabilities related to working conditions, gender inequalities, and limited access to health services, factors that may negatively affect their quality of life. Understanding the determinants associated with quality of life in this context is essential to inform Primary Health Care (PHC) actions.
Objective: To analyze the association between quality of life and sociodemographic, occupational, and health factors among rural women.
Method: An analytical cross-sectional study was conducted with 87 rural women from the municipality of Nazarezinho, in the state of Paraíba, Brazil. Using convenience sampling, data were collected between July and November 2020 through interviews. A sociodemographic questionnaire and the quality-of-life assessment instrument, the Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36), were applied. Data analysis was performed using descriptive and inferential statistics.
Results: The lowest quality of life scores were observed in the domains of general health status and physical aspects. Older age, lower educational level, longer duration of rural work, work-related illness, presence of chronic diseases, and lack of leisure activities showed statistically significant associations with poorer scores across multiple domains.
Conclusion: The findings highlight specific vulnerabilities among rural women and reinforce the need for health promotion actions within community nursing, focusing on the prevention of occupational illnesses, management of chronic conditions, and strengthening of leisure activities and self-care in PHC.

Keywords: quality of life; working women; rural health; health promotion.

 

Resumo:
Introdução:
Mulheres rurais vivenciam vulnerabilidades relacionadas às condições de trabalho, desigualdades de gênero e barreiras de acesso aos serviços de saúde, fatores que podem impactar negativamente sua qualidade de vida. A compreensão dos determinantes associados à qualidade de vida nesse contexto é essencial para subsidiar ações na Atenção Primária à Saúde (APS).
Objetivo: Analisar a associação entre qualidade de vida e fatores sociodemográficos, laborais e de saúde de mulheres rurais.
Método: Estudo transversal analítico realizado junto a 87 mulheres rurais do município paraibano de Nazarezinho, Brasil. A partir de amostragem por conveniência, os dados foram coletados no período de julho a novembro de 2020 por meio de entrevistas. Foram aplicados um formulário sociodemográfico e o instrumento de avaliação de qualidade de vida Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36). A análise dos dados se deu por estatística descritiva e inferencial.
Resultados: Os menores escores de qualidade de vida foram observados nos domínios estado geral de saúde e aspectos físicos. Idade mais avançada, menor escolaridade, maior tempo de trabalho rural, adoecimento relacionado ao trabalho, presença de doenças crônicas e ausência de atividades de lazer apresentaram associação estatisticamente significativa com piores escores em múltiplos domínios.
Conclusão: Os achados evidenciam vulnerabilidades específicas das mulheres rurais e reforçam a necessidade de ações de promoção da saúde no âmbito da enfermagem rural, com foco na prevenção de adoecimentos ocupacionais, no manejo de condições crônicas e no fortalecimento do lazer e do autocuidado na APS.

Palavras-chave: qualidade de vida; mulheres trabalhadoras; saúde da população rural; promoção da saúde.

 

Resumen:
Introducción:
Las mujeres rurales enfrentan vulnerabilidades relacionadas con condiciones laborales precarias, desigualdades de género y barreras en el acceso a los servicios de salud, factores que pueden afectar negativamente su calidad de vida. Comprender los determinantes asociados a la calidad de vida en este contexto es fundamental para orientar acciones en la Atención Primaria de Salud (APS).
Objetivo: Analizar la asociación entre calidad de vida y factores sociodemográficos, laborales y de salud de mujeres rurales.
Método: Estudio transversal analítico realizado con 87 mujeres rurales del municipio de Nazarezinho, en el estado de Paraíba, Brasil. Mediante muestreo por conveniencia, los datos fueron recolectados entre julio y noviembre de 2020 a través de entrevistas. Se aplicaron un formulario sociodemográfico y el instrumento de evaluación de la calidad de vida Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36). El análisis de los datos se realizó mediante estadística descriptiva e inferencial.
Resultados: Las puntuaciones más bajas en calidad de vida se observaron en los dominios del estado general de salud y aspectos físicos. La mayor edad, el menor nivel educativo, el mayor tiempo de trabajo rural, la enfermedad relacionada con el trabajo, la presencia de enfermedades crónicas y la ausencia de actividades de ocio mostraron asociaciones estadísticamente significativas con peores puntajes en múltiples dominios.
Conclusión: Los hallazgos evidencian vulnerabilidades específicas de las mujeres rurales y refuerzan la necesidad de acciones de promoción de la salud en el ámbito de la enfermería comunitaria, con énfasis en la prevención de enfermedades ocupacionales, el manejo de condiciones crónicas y el fortalecimiento del ocio y del autocuidado en la APS.

Palabras clave: calidad de vida; mujeres trabajadoras; salud rural; promoción de la salud.

 

Received: 20/08/2025

Accepted: 03/03/2026

 

 

Introduction

 

 

Rural Brazil constitutes a setting in which some of the most severe social inequalities are expressed, where working, health, and living conditions have historically been and continue to be precarious and contradictory. (1) In this context, investments in infrastructure, basic sanitation, water supply, and solid waste collection are scarce, and these services are often highly deficient. These indicators, however, are directly related to the quality of life (QoL) of rural populations. (2) Studies from other parts of the world also highlight lower QoL indices in rural settings when compared with urban areas. (3, 4) The World Health Organization corroborates these findings and emphasizes that rural populations tend to be poorer and less healthy, a situation aggravated by reduced access to health services. (5) The Pan American Health Organization, in turn, reinforces that in the Latin American context such inequalities are expressed even more intensely among women as a result of the sexual division of labor, labor informality, and the overload of productive and reproductive activities. (6)

Within this scenario of structural inequalities, QoL emerges as a central construct for understanding health and well-being conditions, especially among historically vulnerable populations. Originating in the 1960s, the concept was driven by social transformations and by the adoption of new epidemiological models of the health-disease process that required its systematic evaluation. Since then, multiple definitions have been proposed, revealing its polysemy and the absence of conceptual consensus. Historically associated with individual satisfaction with life and with Aristotelian conceptions of happiness and virtue, the term evolved into a multidimensional construct integrating physical, psychological, social, and environmental domains. QoL articulates objective conditions and subjective perceptions of well-being, varying according to human needs and stages of the life cycle. This complexity reinforces its role as an analytical parameter for measuring interventions, guiding public policies, and organizing models of health care. (7)

Knowledge about QoL is essential to understanding the consequences of diseases and treatments as well as to supporting medical decision making across different age groups and cultures. Moreover, information about QoL is essential to help individuals anticipate the consequences of health problems and their treatments and therefore constitutes an important outcome in health research. (8)

When compared with individuals living in urban areas, those residing in rural settings are generally poorer, have worse housing and sanitation conditions, face greater difficulties in accessing health services and communication resources, have lower levels of schooling, and present higher risks of injuries related to environmental and socioeconomic conditions. Studies have consistently reported lower QoL indices in rural settings both in overall terms and in specific domains. (9)

Studies demonstrate that gender is an intervening factor in the more negative QoL conditions experienced by rural women. (10, 11) Since work is one of the aspects that characterize QoL, lower QoL values among rural women may be associated with the fact that they are the most affected by exploitation and domination in rural environments resulting from their class and gender conditions historically marked by patriarchy. (12) This reality permeates the ways of life of rural women and reverberates throughout their personal and family trajectories of life and work as well as their perspectives for the future, political action, and their health and disease processes. (4)

From a gender perspective, classical studies (13) and contemporary studies (14) indicate that health inequalities do not arise solely from biological differences but are socially produced through asymmetric power relations, cultural norms, and structural conditions that affect men and women differently. In the health field, these inequalities are reflected in greater female exposure to precarious working conditions, lower social recognition of their work, and unequal access to resources for care and protection.

Specifically regarding the articulation between gender and rurality, studies indicate that rural women experience particular forms of vulnerability marked by the invisibility of women’s agricultural work, the double workload, and the limited availability of public policies sensitive to the specificities of rural contexts. (15) These conditions directly affect QoL and reinforce the need for analyses that simultaneously consider the markers of gender, territory, and work.

Such living and working conditions for rural women are not exclusive to Brazil but constitute structural problems shared by large regions of Latin America. In many Latin American countries rural populations face similar barriers in accessing Primary Health Care (PHC), (16) precarious labor conditions (17) and sociocultural norms that intensify the double workload and female vulnerability. (10)

The assessment of QoL makes it possible to transform knowledge and contributes to supporting and improving methods aimed at modifying situations that require change while also promoting broader reflection on the determinants of health and disease. (18) Thus the present study although conducted in a specific municipality in Northeastern Brazil offers local evidence that may support the formulation of regional policies and interventions. Understanding which factors are directly associated with the QoL of rural women allows them to be considered in the design of policies and intersectoral actions and in the adaptation of rural PHC strategies focused on gender equity, prevention of occupational illness, and the promotion of leisure and self-care with the aim of improving this construct in rural settings given that it affects the lives of women in a transversal way. Therefore, the objective of this study is to analyze the association between quality of life and sociodemographic, occupational, and health related factors among rural women.

 

 

Method

 

 

This is a quantitative cross-sectional and analytical study conducted in the municipality of Nazarezinho, Paraíba, Brazil classified by the Brazilian Institute of Geography and Statistics as a predominantly rural municipality. The cross-sectional design allows the simultaneous observation of variables at a specific point in time and does not allow causal inferences but is appropriate for identifying patterns and associations between variables in specific population contexts. (19)

Data collection took place from July to November 2020 through interviews in which a sociodemographic form and the quality of life assessment instrument Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36) were applied. This instrument is widely used and its structure is divided into three components items which correspond to the questions scales which correspond to each domain related to QoL and summary measures which represent the summary of the physical and mental components. The 36 items are divided into eight domains. Each domain presents a final score ranging from 0 to 100 in which higher values indicate a better QoL index. (20)

The SF-36 was validated in Brazil by Ciconelli. (21) The domains were defined as Physical Functioning (PF) which assesses the presence of limitations related to physical capacity and its extensions; Role-Physical (RP) which assesses limitations involving the type and amount of work and how these limitations hinder work and activities of daily living; Bodily Pain (BP) which assesses the presence and intensity of pain and its interference in daily activities; General Health (GH) which assesses the individual perception regarding overall health; Vitality (VT) which assesses the individual level of energy and fatigue social aspects; Social Functioning (SF) which assesses how the individual integrates into social activities; Role-Emotional (RE) which assesses the repercussions of psychological aspects on the individual well-being and Mental Health (MH) which assesses issues related to changes in emotional behavior or emotional dysregulation depression anxiety and psychological well-being. (21)

The SF-36 was selected because of its long trajectory as a comprehensive instrument for assessing health related quality of life allowing comparisons across populations and studies. In terms of strengths and limitations, the SF-36 provides a richer dimensional profile than shorter instruments, for example EQ 5D which facilitates the identification of specific domains of deficit. On the other hand, its length and language may reduce validity in populations with low literacy or with ways of life that differ substantially from the urban industrial context. (22)

The study population consisted of 112 rural women registered in a microarea and followed by a rural team of the Family Health Strategy. Access to the participants occurred through the local health team more specifically through the guidance of the community health worker responsible for the microarea who assisted in identifying eligible participants.

After the application of the selection criteria which included women over 18 years of age who agreed to participate in the study residents of rural areas and who perform or have performed throughout life activities related to agriculture and livestock and or extractivism women who had lived in rural areas for less than six months or those who despite residing in these areas did not have ways of life related to them were excluded. The sample was obtained by convenience using the Barbetta’s formula for establishing sample size in research with finite populations, considering that n0 corresponds to the first approximation of the sample size, E0 to the tolerable sampling error, N to the population size, and n to the sample size, taking into account a sampling error of 5 % with a confidence level of 95 %.

 

 

Thus, a final sample of 87 rural women was obtained and there were no formal refusals to participate among the women approached. The sample was defined by convenience considering the limitations imposed by the COVID-19 pandemic which prolonged the data collection period.

The variables used in the study were the scores of the eight QoL domains of the SF-36 as well as their summary measures. Sociodemographic occupational and health variables not included in the SF-36 were collected through a structured form developed by the authors containing previously defined closed questions related to age group race or color education marital status monthly income having children length of rural work activity types of rural tasks performed presence of personal income related to rural work illness related to rural work presence of chronic disease type of chronic disease practice of physical activity and leisure activity alcohol use and smoking.

After collection, the data were entered into spreadsheets which were exported for statistical analysis using the SPSS software version 25.0 considering the analytical nature of the study. Initially a descriptive analysis of the variables was conducted including the calculation of frequencies, means, standard deviations, minimum and maximum values and confidence intervals.

The normality of the distribution of the variables was assessed using the Kolmogorov-Smirnov test which indicated non normal distribution of the variables used. Therefore, nonparametric tests were adopted. The Mann Whitney U test was used to analyze associations between QoL domains and categorical variables while the Spearman correlation test was used to evaluate associations between the domains of the SF-36. The level of significance adopted was 5 percent (p < 0.05). There was no missing data in the databases which contributed to maintaining the consistency of the results.

This study followed the recommendations of the Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE) and complied with all criteria established in Resolution 466/2012 of the Brazilian National Health Council and was approved by the Research Ethics Committee of the Federal University of Rio Grande do Norte under opinion number 3.950.023. All participants signed two copies of an Informed Consent Form for participation in the research with one copy remaining with the researcher and the other with the participant.

It should be noted that Cronbach alpha, a statistical metric that estimates the reliability of a given questionnaire scale or similar instrument, was calculated to verify the internal consistency of the SF-36 and low reliability was observed (α = 0.33). This result may be related to difficulties in understanding the items by the participants, especially in a context of low literacy as well as to sociocultural specificities of the rural environment which may interfere with the interpretation of certain constructs originally developed in urban contexts.

 

 

Results

 

 

The sample consisted of 87 rural women. As presented in Table 1 the lowest mean QoL scores were observed in the domains RP (mean = 55.46 SD = 37.63) and GH (mean = 53.74 SD = 16.05) while the highest scores occurred in PF (mean = 77.36 SD = 17.16) and MH (mean = 72.97 SD = 12.88) indicating greater impairment of the physical dimensions of QoL.

 

Table 1: Minimum and maximum values mean, standard deviation and confidence interval of the quality of life domains obtained. Nazarezinho, Paraíba, Brazil, 2020

 

 

Note: PF: physical functioning; RP: role-physical; BP: bodily pain; GH: general health; VT: vitality; SF: social functioning; RE: role-emotional; MH: mental health.

 

Regarding the sociodemographic profile of the sample the women were mostly married (60.9%), self identified as White (48.3 %) and had incomplete elementary education (64.4 %) percent. With regard to age group, the mean age was approximately 50.15 years. About 90.9 percent (n = 79) had children and reported a monthly income of up to one minimum wage minimum (wage in force in 2020 R$ 1,045.00). In general women in older age groups and with lower levels of education presented lower QoL scores especially in domains related to the physical component. Statistically significant associations were identified between QoL domains and the variables age group marital status and education as shown in Table 2.

 

Table 2: Sociodemographic variables and mean scores of the SF-36 quality of life domains and their respective associations. Nazarezinho, Paraíba, Brazil, 2020

 

*p-value < 0,05; Mann-Whitney

Note: PF: physical functioning; RP: role-physical; BP: bodily pain; GH: general health; VT: vitality; SF: social functioning; RE: role-emotional; MH: mental health.

 

Regarding occupational aspects most of the women (70.1 %) had performed rural work for more than ten years with planting and harvesting being the main activities carried out. The majority of the women did not have income related to rural work (97.7 %). Statistically significant associations were identified between the mean scores of the QoL domains and length of rural work, the activities performed in rural work and illness related to work as summarized in Table 3.

 

Table 3: Variables related to work and mean scores of the SF-36 QoL domains and their respective associations. Nazarezinho, Paraíba, Brazil, 2020

 

*p-value < 0,05; Mann-Whitney

Note: PF: physical functioning; RP: role-physical; BP: bodily pain; GH: general health; VT: vitality; SF: social functioning; RE: role-emotional; MH: mental health.

 

Regarding health and disease variables the number of women who self reported a chronic disease was similar to those who denied the presence of such conditions with systemic arterial hypertension presenting the highest prevalence (29.9 %). The practice of physical activities was reported by a small number of women (19.5 %) percent. Alcohol use did not represent a highly expressive proportion (4.6 %). The practice of leisure activities was reported by almost half of the participants in the study (42.5 %). The presence of chronic disease, the type of disease, the practice of leisure activities and the use of alcohol and tobacco showed statistically significant associations with QoL scores as highlighted in Table 4.

 

Table 4: Health and disease variables and mean scores of the SF-36 QoL domains and their respective associations. Nazarezinho, Paraíba, Brazil, 2020

 

 

*p-value < 0,05; Mann-Whitney

Note: PF: physical functioning; RP: role-physical; BP: bodily pain; GH: general health; VT: vitality; SF: social functioning; RE: role-emotional; MH: mental health.

 

Among the SF-36 domains, Spearman’s correlation analysis identified several statistically significant correlations with emphasis on strong correlations between PF and the Physical Component (r = 0.782) and between RE and the Mental Component (r = 0.825) as presented in Table 5.

 

Table 5: Correlations between the QoL domains of the SF-36. Nazarezinho, Paraíba, Brazil, 2020

 

 

* p-value < 0,05; Spearman’s correlations.

Note: PF: physical functioning; RP: role-physical; BP: bodily pain; GH: general health; VT: vitality; SF: social functioning; RE: role-emotional; MH: mental health.

 

The correlations observed among the SF-36 domains reinforce the structural coherence of the instrument in the studied context. The strong correlations between PF and the Physical Component as well as between RE and the Mental Component indicate that the domains are organized in a manner consistent with the theoretical model of the instrument. On the other hand, the presence of weak and moderate correlations between distinct domains suggests adequate discrimination between the different dimensions of QoL reinforcing its multidimensional character. These findings partially mitigate the impact of the low overall internal reliability indicated by Cronbach alpha and support the interpretation of the results based on statistical patterns and associations provided that they are considered with caution.

 

 

Discussion

 

 

The results of the present study show low QoL among rural women with greater impairment in the domains GH and RP. The association of these domains with sociodemographic occupational and health factors reinforces the understanding of QoL as a multidimensional construct shaped by structural and contextual determinants.

Studies indicate that rural populations present lower mean QoL scores. (9) This highlights the historical invisibility of this population within public policies given the discontinuity of such policies as well as of care models that fail to become consolidated in rural settings which directly affects the health and QoL of this population group. (23)

In this sense the living and working conditions of rural women characterized by limited access to health and education services persistent gender inequality and high levels of labor informality and precarious employment constitute common problems in many Latin American countries. These factors combined with the fragmentation of health systems and gaps in service coverage and quality reinforce the findings of the present study. Recent regional research has documented such systemic failures and their association with poorer health outcomes indicating that the local findings reported in this study reflect broader regional (24) and international patterns. (25)

A recent systematic review highlights how social determinants of health affect the QoL of rural populations and emphasizes that insecurity and poverty have often been overshadowed by the “urban centrism” of the dominant discourse. Such invisibility arises partly from territorial dispersion and partly from an idealized view of rural life. Both factors obscure not only the existence of problems but also threats to the social sustainability of these areas such as the lack of services residential isolation and housing shortages. (26)

The specific scores obtained through the SF-36 were lower than those reported in a cross-sectional study with 355 rural workers in the state of São Paulo, Brazil which identified demographic and socioeconomic variables as associated with worse QoL indices although without performing a gender based analysis which makes comparisons with the present study more difficult. (27)

Despite this it was observed in both studies that the GH domain presented the lowest scores. Furthermore, an association was identified between better results in this domain and younger age groups. (28) Thus the predominance of rural women in older age groups in the present study may partly explain the low scores found in the GH domain.

Socioeconomic and working conditions also help explain the low scores in the GH domain. Informality and job insecurity increase psychosocial burden and the prevalence of depressive symptoms while interruptions and barriers in access to PHC impair the management of chronic diseases. These factors reported in the Latin American literature explain the poorer QoL observed among rural women and confirm the relationship between economic precariousness difficulties in accessing services and negative health outcomes. (17)

From this perspective it should also be noted that the participation of women in the rural economy is strongly marked by the sexual division of labor and the tasks they perform although often similar to those carried out by men involve limited economic return which may contribute to women presenting worse QoL indices in most of the domains assessed. (29)

Regarding the other SF-36 domains a study conducted with 133 women farmers in India identified similar mean scores in the VT and MH domains. These results were associated with higher levels of education, better self concept and more effective coping strategies, which highlights a reciprocal relationship between RP, SF, and MH that compose higher order elements of QoL. (30) In the present study these domains were associated with one another as evidenced in the Spearman correlation test.

Other characteristics associated with lower mean QoL scores include low levels of education and lower socioeconomic status. In this sense the results identified in the present study may be related to these factors corroborating previous findings that identify poorer and less educated individuals as the most vulnerable. (28)

Although some findings are consistent with the literature the present study revealed consistently low QoL indices among rural women. Elements such as early involvement in agricultural work the double workload resulting from gender roles and the absence of health services and professionals reinforce this scenario of vulnerability. (28, 30)

In a systematic review, authors (31) highlight that rural populations tend to perceive their QoL more negatively when compared with urban populations. In the case of women, the gender marker strongly influences this perception. Since adolescence men tend to have greater opportunities for schooling and inheritance of rural property while women remain associated with caregiving roles. (29) This process of invisibilization leads to the devaluation of women’s work even when they perform activities identical to those carried out by men in addition to domestic tasks. Thus, even when they receive remuneration, they rarely decide how their earnings are used, (32) which reinforces the structural nature of these inequalities.

In the present study the highest mean score was observed in the PF domain associated with younger age profiles and consistent with results reported in the literature. (27) Among Iranian rural women PF was also associated with rurality. (34) However, research conducted with 241 families in Rio Grande do Sul, Brazil showed that rural work may lead to illness capable of generating disabilities. (34)

Regarding associated factors a cross-sectional study with rural individuals conducted in the same Brazilian state mentioned above identified an association between older age and poorer QoL indices due to dependence on others development of diseases and limitations in leisure and work activities. (28) These same factors were also related to lower scores in the present study.

It was also observed that married women presented lower mean QoL scores especially in the physical domains possibly due to the burden of the double workload. Those in stable unions presented higher mean scores in the PF, GH and VT domains without statistically significant differences in the mental component although the means were higher except in the RE domain. In contrast, other studies indicate that marital coexistence is associated with better QoL indices in psychological domains due to sexual activity and social support. (28)

With regard to education, divergent findings were observed with fewer years of schooling being associated at times with better and at other times with worse mean QoL scores. However, only among women with incomplete secondary education was a significant association observed in the BP domain. In general, studies indicate that low levels of education compromise learning about self-care, limit gains in productivity and wages, and perpetuate problems related to poverty, negatively affecting QoL. (35-37)

Regarding occupational aspects, better QoL indices were observed among rural women who had performed rural work for between five and ten years whereas those who had carried out agricultural activities for more than ten years presented worse indices in domains of the physical component. Concerning the rural activities performed soil preparation, animal care, weeding, and horticulture showed statistical significance with lower QoL scores.

It should be emphasized that agricultural work is an activity that requires intense physical effort and high energy expenditure and is often unsuitable for human conditions. The organization of rural women around this type of work leads them to illness due to excessive labor which affects their QoL indices and explains the higher scores obtained by rural women who reported not having become ill due to rural work related reasons and the lower indices observed among women who performed the rural activities mentioned above. (38)

Regarding health and disease variables, the presence of chronic diseases was a determining factor for the reduction of QoL scores. Hypertension was associated with a decline in the RE domain and in the mental component diabetes mellitus reduced the BP domain and joint diseases affected multiple domains both physical and mental. These conditions limit daily activities, reduce functional capacity, and affect mental health. They also make work and leisure activities more difficult, factors that were significant in this study.

It is known that the presence of chronic diseases generally limits daily activities because of physical symptoms such as discomfort and pain, which may reduce a person’s functional capacity and negatively contribute to QoL particularly in the physical domains but also in psychological domains since the limitations caused by the disease affect mental health and the perception of self-image and personal feelings, and also create obstacles to work and leisure activities the latter being an intervening factor in poorer QoL scores in the present study with statistical significance for domains of the mental component. (9,28)

Reduced scores in GH and RP associated with older age lower levels of education and chronic diseases are consistent with recent Latin American investigations that highlight health vulnerabilities among rural Andean populations and barriers to women’s access to health care in low income contexts. (39) These studies indicate that fragmentation of health systems and geographic and economic barriers intensify the inadequate management of chronic conditions resulting in poorer physical scores and worse perceived health. (24) In summary, the present study converges with these regional findings and reinforces the need for interventions that simultaneously consider structural determinants such as access coverage and quality of services and social determinants such as education work and gender in order to sustainably improve the QoL of rural women. (2, 39, 40)

Alcohol consumption also deserves attention. Although it is associated with numerous harms to health, (41) in the present study it was related to higher scores in the PF domain. This result may be associated with the absence of specification between occasional and abusive consumption. A study conducted in PHC services in Rio de Janeiro, Brazil, found a positive association between alcohol consumption and QoL attributed to leisure and social interaction. (42) In contrast, research with rural workers in Bahia, Brazil, identified an inverse association, highlighting the harmful effects of alcohol and its negative socioeconomic impact on public health. (43)

With regard to tobacco use, it is assumed that the explanation for the higher mean in the RE domain with statistically significant association may be similar considering the harms to health and QoL caused by smoking already documented in studies with rural populations. (44)

Regarding the identification of correlations between specific SF-36 domains these findings reinforce the structural coherence of the instrument in the studied context. The strong correlations between PF and the Physical Component as well as between RE and the Mental Component indicate that the domains are organized consistently with the theoretical model of the instrument. On the other hand, the presence of weak and moderate correlations between distinct domains suggests adequate discrimination between different dimensions of QoL reinforcing its multidimensional character. These findings partially mitigate the impact of the low overall internal reliability observed and support the interpretation of the results based on statistical patterns and associations.

It should be noted that understanding the factors associated with the QoL of rural women implies recognizing situations that negatively affect their physical, psychosocial, and environmental conditions and enables the development of public policies capable of contributing to the improvement of their QoL and health status. (27)

From the perspective of rural nursing the findings of this study reinforce the centrality of territorially grounded care that is sensitive to the specificities of gender and rurality. The association between living, working, and health conditions and QoL scores indicates that health care for rural women cannot be restricted to a biomedical approach and requires interventions that consider the social, occupational, and psychosocial determinants of the health disease process. From this perspective rural nursing stands out as a central element in the promotion of women’s QoL given its continuous presence in the territory and its role in the longitudinal follow-up of families occupying a strategic position in identifying vulnerabilities, monitoring chronic conditions, and developing educational actions aimed at health promotion prevention of illnesses related to rural work and the strengthening of self-care and leisure.

Among the limitations of the study, the low internal reliability of the SF-36 should be highlighted possibly related to difficulties in understanding the instrument in a context of low literacy as well as to sociocultural specificities of the rural environment which requires caution in the interpretation of the observed scores. In addition, the cross-sectional design prevents causal inferences and the fact that the study was conducted in a single municipality limits the generalization of the findings to other rural contexts.

Despite these limitations, the study contributes by giving visibility to vulnerabilities that are often overlooked especially in aggregated measures and by offering empirical evidence that may support practices and policies aimed at improving the QoL of rural women particularly in the field of public health and rural nursing. Furthermore, it contributes to filling knowledge gaps and identifying priorities for intervention in the field of rural health. Although local in scope the findings provide a methodological model and replicable evidence that may support multicenter studies strengthening the empirical basis for actions that recognize the specificities of gender and rurality and the importance of health promotion in rural settings.

 

 

Conclusion

 

 

The present study demonstrated that rural women present low QoL scores especially in domains related to physical health and the perception of general health status. Sociodemographic occupational and health factors such as age, education, length and type of rural activity, illness related to work, presence of chronic diseases, practice of leisure activities, and consumption of alcohol and tobacco were statistically associated with quality of life scores.

These findings reinforce that the QoL of rural women is shaped by multiple vulnerabilities related to working conditions gender inequalities and barriers to accessing health services. In the context of Primary Health Care, these findings highlight the importance of health promotion actions focused on the prevention of occupational illnesses, the adequate management of chronic conditions and the encouragement of leisure and self-care.

Within the field of nursing, a professional category directly inserted in rural settings and often the only one available to serve the population the results provide support for the planning of territorially grounded interventions that are sensitive to the specificities of rural environments contributing to the improvement of care provided to rural women and to the promotion of their health. It is recommended that public policies and health care strategies incorporate QoL indicators in the monitoring of actions in rural areas and invest in the training of health teams to address gender and social inequalities in this context.

Finally future studies with multicenter designs larger samples and culturally adapted instruments are recommended in order to deepen the understanding of factors associated with the QoL of rural women and to strengthen the evidence base for the formulation of more equitable policies and practices.

 

 

References

1. Córdova TAB, Ribas CEDC, Wosny AM. A assistência à saúde dos Sem-Terra: o caso do assentamento Butiá, Santa Catarina, Brasil. Saúde & Transformação Social. 2011;1(2):67-78. Available from: https://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/saudeetransformacao/article/view/520

2. Kolling Neto A, Anjos GM, Brandolff RS, Goés TP, Silva JF. Fatores relacionados à saúde pública e ao saneamento básico em comunidade rural de Barreiras, Bahia, Brasil. Rev baiana de saúde pública. 2018;41(3). doi: 10.22278/2318-2660.2017.v41.n3.a2079

3. Chantakeeree C, Sormunen M, Estola M, Jullamate P, Turunen H. Factors affecting quality of life among older adults with hypertension in urban and rural areas in Thailand: a cross-sectional study. The International Journal of Aging and Human Development. 2021;95(2):222-244. doi: 10.1177/00914150211050880

4. Petrovič F, Maturkanič P. Urban-rural dichotomy of quality of life. Sustainability. 2022;14(14):8658. doi: 10.3390/su14148658

5. World Health Organization. WHO guideline on health workforce development, attraction, recruitment and retention in rural and remote areas (Internet). Geneva: World Health Organization; 2021. Available from: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/70210010-a0e0-4386-970c-11f342d6e01c/content

6. Organização Pan-Americana da Saúde. Equidade de gênero em saúde (Internet). Available from: https://www.paho.org/pt/topicos/equidade-genero-em-saude

7. Ruidiaz-Gómez KS, Cacante-Caballero JV. Desenvolvimento histórico do conceito de qualidade de vida: uma revisão da literatura. Rev cienc cuidad. 2021;18(3):86-99. doi: 10.22463/17949831.2539

8. Haraldstad K, Wahl A, Andenæs R, Andersen JR, Andersen MH, Beisland E, et al. A systematic review of quality of life research in medicine and health sciences. Qual Life Res. 2019;28(10):2641-2650. doi: 10.1007/s11136-019-02214-9

9. Llaneza-Suarez C, Garcia-Portilla P, Rodriguez-Vijande B, Carriles J, Sánchez-Prieto M, Coronado Martín PJ, Llaneza Coto ÁP, et al. Rural residence and health-related quality of life in a sample of Spain perimenopausal women. Gynecol Endocrinol. 2024;40(1):2336335. doi: 10.1080/09513590.2024.2336335

10. Zheng E, Xu J, Xu J, Zeng X, Tan WJ, Li J, et al. Health-related quality of life and its influencing factors for elderly patients with hypertension: evidence from Heilongjiang Province, China. Front Public Health. 2021;9:654822. doi: 10.3389/fpubh.2021.654822

11. Leal DU, Lopes IS. Mulheres rurais, interseccionalidade e saúde. Saúde e Sociedade. 2025;34(1):e240042pt. doi: 10.1590/S0104-12902025240042pt

12. Bringel FCM, Godoi EL, Ferreira NCM, Isidoro JLE. A dominação masculina no campo: um estudo da exclusão da mulher rural no acesso à terra e sua participação na economia rural. Rev Contemp. 2024;4(5):e4552. doi: 10.56083/RCV4N5-242

13. Scott J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educ Real. 2017;20(2). Available from: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721

14. Connell R. Gender, health and theory: conceptualizing the issue, in local and world perspective. Soc Sci Med. 2012;74(11):1675-83. doi: 10.1016/j.socscimed.2011.06.006

15. Paulilo MI. Mulheres rurais: quatro décadas de diálogo. Santa Catarina: Editora da UFSC; 2016.

16. Pazmiño-Verdezoto AV, Vasco SGF, Quintana TEA. Limitaciones en el acceso equitativo a la atención primaria de salud en poblaciones vulnerables en Latinoamérica. Pol Con. 2025;10(2):511-529. doi: 10.23857/pc.v10i2.8887

17. Huynh TB, Oddo VM, Trejo B, Moore K, Quistberg DA, Kim JJ, et al. Association between informal employment and depressive symptoms in 11 cities in Latin America. SSM Popul Health. 2022;18:101101. doi: 10.1016/j.ssmph.2022.101101

18. Favacho VBC, Cárdenas AMC, Pena FPS, Pena JLC, Sena CF, Oliveira MAF. Qualidade de vida e uso abusivo de álcool: relação em moradores da comunidade quilombola Lagoa dos Índios. Rev Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. 2019;15(1):14-22. doi: 10.11606/issn.1806-6976.smad.2019.000378

19. Polit DF. Fundamentos da pesquisa em enfermagem: avaliação de evidências para a prática da enfermagem. 9. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.

20. Campolina AG, Ciconelli RM. O SF-36 e o desenvolvimento de novas medidas de avaliação de qualidade de vida. Acta reumatológica portuguesa. 2008;33(2):127-133. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18604180/

21. Ciconelli RM. Tradução para o português e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida “Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36)” (Dissertation). São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; 1997.

22. Wu Q, Chen Y, Zhou Y, Zhang X, Huang Y, Liu R. Reliability, validity, and sensitivity of short-form 36 health survey (SF-36) in patients with sick sinus syndrome. Medicine (Baltimore). 2023;102(24):e33979. doi: 10.1097/MD.0000000000033979

23. Caldart RS, Pereira IB, Alentejano P, Frigotto G. Dicionário da educação do campo. São Paulo: Expressão Popular; 2012.

24. Roberti J, Leslie HH, Doubova SV, Ranilla JM, Mazzoni A, Espinoza L, et al. Inequalities in health system coverage and quality: a cross-sectional survey of four Latin American countries. Lancet Glob Health. 2024;(1):e145-e155. doi: 10.1016/S2214-109X(23)00488-6

25. Singh A, Palaniyandi S, Palaniyandi A, Gupta V. Health related quality of life among rural elderly using WHOQOL-BREF in the most backward district of India. J Family Med Prim Care. 2022;11(3):1162-1168. doi: 10.4103/jfmpc.jfmpc_1073_21

26. Rodríguez HG. El Trabajo Social en el medio rural: una revisión sistemática de la literatura. Alternativas. 2024;31(1):75-102. doi: 10.14198/ALTERN.24224

27. Lima PJP, Oliveira HB. Aspectos de saúde e qualidade de vida de residentes em comunidades rurais. Rev baiana de saúde pública. 2014;38(4):913-930. doi: 10.22278/2318-2660.2014.v38.n4.a849

28. Bortolotto CC, Mola CL, Tovo-Rodrigues L. Quality of life in adults from a rural area in Southern Brazil. Rev saúde pública. 2018;52:4s. doi: 10.11606/S1518-8787.2018052000261

29. Baronio FC, Geiger LA. The construction of being a woman in family farming: a logotherapeutic perspective. Rev Abordagem Gestált. 2018;24(1):91-97. doi: 10.18065/RAG.2018v24n1.10

30. D’Souza MS, Karkada SN, Somayaji G. Factors associated with health-related quality of life among Indian women in mining and agriculture. Health Qual Life Outcomes. 2013;11:9. doi: 10.1186/1477-7525-11-9

31. Sosa ATA, Paucar PAZ, Vivas NMS, Troya BBB, Jaramillo AE, Rivera SYA. Comorbilidad, adherencia y calidad de vida en personas con diabetes tipo 2: estudio comparativo en población urbana y rural. Revista Científica y Académica. 2025;5(2):1262-83. doi: 10.61384/r.c.a..v5i2.1205

32. Silva MR. Gender and inequalities: reflections on women in family agricultural activity. Braz J Develop. 2019;5(3):2095-105. doi: 10.34117/bjdv5n3-1227

33. Esmaeilzadeh S, Delavar MA, Delavar MHA. Assess quality of life among Iranian married women residing in rural places. Glob J Health Sci. 2013;5(4):182-188. doi: 10.5539/gjhs.v5n4p182

34. Riquinho DL. A outra face dos determinantes sociais de saúde: subjetividades na construção do cotidiano individual e coletivo em uma comunidade rural (Dissertation). Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2009. Available from: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/16566

35. Tavares DM dos S, Gomes NC, Dias FA, Santos NM de F. Fatores associados à qualidade de vida de idosos com osteoporose residentes na zona rural. Esc Anna Nery. 2012;16(2):371–378. doi: 10.1590/S1414-81452012000200023

36. Souza-Esquerdo VF, Bergamasco SMPP, Oliveira JTA, Souza EO. Segurança alimentar e nutricional e qualidade de vida em assentamentos rurais. Segurança Alimentar e Nutricional. 2013;20(1):13-23. doi: 10.20396/san.v20i1.8634619

37. Bastos RC, Bifano ACS. “Estado da arte” sobre as publicações científicas envolvendo o trabalho agrícola familiar no Brasil sob o ponto de vista ergonômico. Revista Engenharia na Agricultura. 2017;25(1):27–37. doi: 10.13083/reveng.v25i1.736

38. Casaes AC, Menezes CA, Santos RA, Souza BOL, Cunha Silva BRB, Tabajara Y, et al. Nutritional status and quality of life: urban-rural disparities and the impact of obesity. Int J Environ Res Public Health. 2024;21:1455. doi: 10.3390/ijerph21111455

39. Moya-Salazar J, Jaime-Quispe A, Cañari B, Moya-Espinoza JG, Contreras-Pulache H. A systematic review of mental health in rural Andean populations in Latin America during the COVID-19 pandemic. Front Psychiatry. 2023;14:1136328. doi: 10.3389/fpsyt.2023.1136328

40. Terefe B, Workneh BS, Zeleke GA, Mekonen EG, Zegeye AF, Aemro A, et al. Uncovering women's healthcare access challenges in low- and middle-income countries using mixed effects modelling approach: insights for achieving the Sustainable Development Goals. PLoS One. 2025;20(1):e0314309. doi: 10.1371/journal.pone.0314309

41. Sarich P, Gao S, Zhu Y, Canfell K, Weber MF. The association between alcohol consumption and all-cause mortality: an umbrella review of systematic reviews using lifetime abstainers or low-volume drinkers as a reference group. Addiction. 2024;119(6):998-1012. doi: 10.1111/add.16446

42. Santos MVF, Campos MR, Fortes SLCL. Relação do uso de álcool e transtornos mentais comuns com a qualidade de vida de pacientes na atenção primária em saúde. Ciênc saúde coletiva. 2019;24(3):1051-1063. doi: 10.1590/1413-81232018243.01232017

43. Beck Filho JA, Amorim AM, Fraga-Maia H. Consumo de álcool entre os trabalhadores do corte da cana-de-açúcar: prevalência e fatores associados. Revista Pesquisa em Fisioterapia. 2016;6(3):306-316. doi: 10.17267/2238-2704rpf.v6i3.952

44. Hilts KE, Hudmon KS, Benson AF, Elkhadragy N. Rural-urban disparities in tobacco use and the role of pharmacists in closing the gap. J Rural Health. 2022;38(2):355-359. doi: 10.1111/jrh.12607

 

How to cite: Silva BN da, Silva VGF da, Ferreira GA de A, Pereira MG, Souza NL de, Pinto ESG. Quality of Life of Rural Women and Associated Factors: A Cross-Sectional Study. Enfermería: Cuidados Humanizados. 2026;15(1):e4801. doi: 10.22235/ech.v15i1.4801

 

Funding: This study did not receive any external funding or financial support.

 

Data availability: The data set supporting the results of this study is not available.

 

Conflict of interest: The authors declare that they have no conflicts of interest.

 

Scientific editor in charge: Dr. Natalie Figueredo.

 

Enfermería: Cuidados Humanizados, 15 (1)

January - June 2026

10.22235/ech.v15i1.4801