10.22235/ech.v13i1.3660

Artigos originais

 

Validação de instrumento brasileiro para mapeamento dos fatores de risco e diagnóstico precoce de incontinência urinária feminina

Validation of a Brazilian Tool for Mapping Risk Factors and Early Diagnosis of Female Urinary Incontinence

Validación de una herramienta brasileña para el mapeo de factores de riesgo y diagnóstico precoz de la incontinencia urinaria femenina

 

Rhuana Alves Moreira1, ORCID 0000-0002-5968-0114

Aretha Feitosa de Araújo2, ORCID 0000-0001-9297-8281

Luis Fernando Reis Macedo3, ORCID 0000-0002-3262-9503

Marta Lira Goulart4, ORCID 00009-0001-7559-454X 

Maria Selma Alves Bezerra5, ORCID 0000-0001-9213-9939

Lia Maristela da Silva Jacob6, ORCID 0000-0003-4168-4333

 

1 Universidade Regional do Cariri, Brasil

2 Centro Universitário de Juazeiro do Norte, Brasil

3 Universidade Federal de São Paulo, Brasil, luis.reis@urca.br      

4 Associação Brasileira de Estomaterapia, Brasil

5 Policlínica Regional de Iguatú, Brasil

6 Faculdade São Leopoldo Mandic, Brasil

 

Resumo
Objetivo
: Validar o conteúdo do Instrumento de Mapeamento dos Fatores de Risco para Incontinência Urinária Feminina (IMFRIU-Fem) considerando o contexto das mulheres adultas jovens.
Método: Trata-se de uma pesquisa metodológica quantitativa, desenvolvida no período de abril 2020 a dezembro de 2021, em três etapas: revisão integrativa da literatura, construção do instrumento e validação do conteúdo.
Resultados: Através da revisão integrativa, 55 fatores de risco foram identificados e agrupados em dimensões na estrutura do instrumento, considerando desde os aspectos sociodemográficos até os sistemas corporais. O instrumento foi validado pelo índice de validade de conteúdo (IVC) e contou com a avaliação de 7 juízes. Para a maioria das dimensões do instrumento os juízes apresentaram uma resposta unanime, expressando uma porcentagem de 91 % quanto a clareza e compreensão, o que significa dizer que tais dimensões apresentam funcionalidade diante do objetivo de mapear os fatores de risco para a incontinência urinária feminina. O IVC global das dimensões, mostrou-se extremamente significativos, com IVC = 0,91.
Conclusão: Espera-se que o IMFRIU-Fem possa auxiliar os enfermeiros a identificar precocemente os fatores de risco para a incontinência urinária, fornecendo dados longitudinais que permitam elaborar um plano assistencial que considere a integralidade da saúde da mulher.

Palavras-chave: estomaterapia; incontinência urinária; tecnologia biomédica.

 

Abstract
Objective:
To validate the content of the Risk Factors Mapping Instrument for Female Urinary Incontinence (IMFRIU-Fem) considering the context of young adult women.
Method: This is quantitative methodological research, developed from April 2020 to December 2021, in three stages: integrative literature review, instrument construction and content validation.
Results: Through the integrative review, 55 risk factors were identified and grouped into dimensions in the structure of the instrument, considering from sociodemographic aspects to body systems. The instrument was validated by the content validity index (CVI) and was assessed by 7 judges. For most of the dimensions of the instrument the judges presented a unanimous answer, expressing a percentage of 91 % as to clarity and understanding, which means that such dimensions present functionality in the face of the objective of mapping the risk factors for female urinary incontinence. The global CVI of the dimensions showed to be extremely significant, with CVI = 0.91.
Conclusion: It is expected that the IMFRIU-Fem may help nurses to identify early risk factors for urinary incontinence, providing longitudinal data that allow the elaboration of a care plan that considers the integrality of women’s health.

Keywords: enterostomal therapy; urinary incontinence; biomedical technology.

 

Resumen
Objetivo:
Validar el contenido del Instrumento de Mapeo de Factores de Riesgo para la Incontinencia Urinaria Femenina (IMFRIU-Fem) considerando el contexto de las mujeres adultas jóvenes.
Método: Se trata de una investigación metodológica cuantitativa, desarrollada entre abril de 2020 y diciembre de 2021, en tres etapas: revisión bibliográfica integradora, construcción del instrumento y validación de contenido.
Resultados: A través de la revisión integradora, se identificaron 55 factores de riesgo y se agruparon en dimensiones en la estructura del instrumento, considerando desde aspectos sociodemográficos hasta sistemas corporales. El instrumento fue validado por el índice de validez de contenido (IVC) y fue evaluado por 7 jueces. Para la mayoría de las dimensiones del instrumento los jueces presentaron una respuesta unánime, expresando un porcentaje del 91 % en cuanto a claridad y comprensión, lo que significa que dichas dimensiones presentan funcionalidad frente al objetivo de mapear los factores de riesgo de la incontinencia urinaria femenina. El IVC global de las dimensiones resultó ser extremadamente significativo, con un valor de 0.91.
Conclusión: Se espera que el IMFRIU-Fem pueda ayudar al personal de enfermería a identificar de forma precoz los factores de riesgo para la incontinencia urinaria, proporcionando datos longitudinales que permitan elaborar un plan de asistencia que considere la integralidad de la salud de la mujer.

Palabras clave: estomaterapia; incontinencia urinaria; tecnología biomédica.

 

 

Recebido: 02/09/2023

Aceito: 13/03/2024

 

 

Introdução

 

 

A incontinência urinária (IU) é definida como uma queixa de perda involuntária de urina e está incorporada na Classificação Internacional de Doenças (CID).(1) Trata-se de um distúrbio que afeta cerca de 27 % da população mundial, sendo mais prevalente em mulheres (2) decorrente das transformações físico-funcionais que ocorrem no processo do envelhecimento feminino, como o climatério e a menopausa, tornando-as mais vulneráveis para o desenvolvimento da IU. (3)

Apesar da ocorrência estar associada ao envelhecimento, a IU pode acometer mulheres em outras fases da vida. Em pesquisa com 300 mulheres em idade produtiva, 8 % tinham queixas de perda involuntária de urina, sendo que 100 % não tinham o conhecimento sobre o assunto e 54,2 % deixaram de sair com vergonha de sua condição de saúde. Estudos tem destacado o aumento da ocorrência de IU mulheres adultas jovens, sendo um motivo de preocupação, pois se trata de uma situação que impacta na qualidade de vida. (4)

A literatura aponta diversos fatores para o aparecimento da IU em mulheres, tais como: idade, hereditariedade, raça, obesidade, doenças crônicas, trauma do assoalho pélvico, cirurgia abdominal ou ginecológicas, multiparidade, infecção do trato urinário, medicamentos, constipação, tabagismo, consumo de cafeína e exercícios intensos na região abdominal. (5, 6)

A IU se diferencia em três subtipos principais: incontinência urinária de esforço (IUE), caracterizada pela perda de urina durante atividades físicas, tosse e espirro; incontinência urinária de urgência (IUU) quando há eliminação involuntária de urina precedida desejo incontrolável de urinar e incontinência urinária mista (IUM), quando há presença dos dois tipos de IU citados anteriormente. (7)

Nessa perspectiva, buscar soluções inovadoras que propiciem um cuidado integral e efetivo é um desafio do Sistema Único de Saúde (SUS), o que tem impulsionado pesquisas em saúde com foco no desenvolvimento de tecnologias, buscando incorporar práticas assistenciais baseadas em melhores evidências. (8) 

O enfermeiro e, em especial o estomaterapeuta é fundamental na assistência a pessoas com IU em todos os níveis de atenção à saúde, dessa forma, disponibilizar recursos para esses profissionais que facilitem a tomada de decisão configura numa estratégia pertinente para o cuidado focado nas necessidades individuais. (9, 10)

A incontinência urinária muitas vezes associada erroneamente como uma condição normal, torna-se um problema de saúde pública silencioso, que impede o diagnóstico oportunamente e, mais que as ações preventivas sejam instituídas, impactando negativamente na saúde física, social e emocional dessas mulheres. (11) Diante dessa situação desafiadora, a atuação do enfermeiro com vista a prevenção permeia pelo reconhecimento precoce dos fatores de risco para incontinência urinaria. As ações direcionadas precocemente buscam reduzir danos facilmente evitáveis, como exposição a procedimentos cirúrgicos relacionados a IU e impulsiona para a transformação do cenário atual.

A abordagem cirúrgica e medicamentosa são intervenções consideradas de primeira linha de tratamento para o profissional de saúde, afogando o sistema de saúde com demora da resolução do problema. (12) O reconhecimento precoce dos fatores de riscos para IU incorpora medidas preventivas simples, de baixo custo financeiro e eficaz. Desta forma, o tratamento precoce desenvolvido pelo enfermeiro poderá reduzir o crescimento das filas de espera para hospitais especializados, direcionando a atenção secundária a casos mais complexos reduzindo o ônus para a rede do SUS. (13)

Assim, a identificação precoce dos fatores de risco para IU é essencial para implementar o cuidado, promovendo a redução de danos futuras para a saúde feminina mantendo a continência urinaria mesmo frente as alterações fisiológicas. Diante desse contexto, o presente trabalho teve como objetivo validar o conteúdo do Instrumento de Mapeamento dos Fatores de Risco para Incontinência Urinária Feminina (IMFRIU-Fem) considerando o contexto das mulheres adultas jovens.

 

 

Metodologia

 

 

Trata-se de uma pesquisa metodológica quantitativa, desenvolvida em três etapas: 1) Revisão da literatura (RL), 2) Construção da tecnologia e 3) Validação de conteúdo com juízes especialistas. (14)

A RL foi realizada entre abril e agosto de 2020, com o intuito de listar os fatores de risco para a IU em mulheres adultas, para produção textual do instrumento a posteriori. Utilizaram-se os seguintes descritores em ciências da saúde (DeCS): urinary incontinence (incontinência urinária), risk factors (fatores de risco) e women (mulher). Foram aplicados em combinação ao operador booleano AND, na   Public/Publish Medline (Pubmed) e Scientific Eletronic Libary (Scielo). Dos 1604 artigos obtidos na busca inicial, aplicaram-se seguintes critérios de inclusão: artigos completos, voltados a temática, sem restrição temporal de publicação e idioma. Foram excluídos artigos do tipo carta, dissertações e teses, opinião de especialista, editoriais, capítulo de livro e que não possuíssem acesso na íntegra, artigos que não respondessem à pergunta norteadora e não apresentassem conteúdo relacionado ao tema de pesquisa. Além disso, foram excluídos estudos envolvendo idosos no geral e artigos que não ofereciam dados primários. Desse modo, resultando em 19 artigos selecionados, nos quais 55 fatores de risco para IU foram identificados. 

Na segunda etapa, o IMFRIU-Fem foi estruturado entre setembro e outubro de 2020, a partir dos resultados obtidos na RL, nos quais os fatores foram analisados e agrupados em dimensões, considerando os aspectos sociodemográficos e os sistemas corporais, tendo em vista possibilitar praticidade durante o processo de investigação pelo enfermeiro.

A tecnologia construída é composta por duas etapas, sendo a primeira, instrumento de investigação dos fatores de risco e segunda consolidação das dimensões e seus fatores de risco. O instrumento está organizado em dimensões correlacionadas com seus fatores de riscos, otimizando e facilitando seu uso. Ao concluir seu preenchimento, o profissional construirá o painel de fatores de risco do seu paciente, evidenciando quais as dimensões devem ser focadas durante o desenvolvimento das intervenções de enfermagem. O profissional poderá usar esse painel como ferramenta tecnológica para uma assistência direcionada, otimizada e simplificada.

Após a elaboração do instrumento, seguiu-se para a etapa de validação do conteúdo, entre novembro e dezembro de 2021. A amostragem dos experts foi realizada de forma intencional, não probabilista, através de contato telefônico e via WhatsApp.  Nesse sentido, para ser considerado juiz apto, foi necessário que o participante apresentasse experiência em, pelo menos, uma das seguintes áreas: estomaterapia, IU, pesquisas metodológicas e/ou tecnologias de saúde. Eles foram mapeados pela aplicação da técnica snowball (bola de neve), por possibilitar a construção de redes de referência, através de indicações, construindo, assim, uma amostra de forma intencional. (15)

A quantidade de juízes é muito discutida, sendo de grande valia para mensurar a qualidade do instrumento a ser desenvolvido. Logo, entre três e dezesseis juízes como número ideal, ondo o mínimo de cinco e um máximo de dez pessoas participando desse processo. (16) Dos 15 juízes identificados, 11 aceitaram participar do processo de avaliação e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). No entanto, apenas 7 completaram todas as etapas. Inicialmente, cada participante respondeu a um questionário sobre aspectos relacionados a formação acadêmica, atuação profissional e produção científica, via Google Forms. Posteriormente, receberam o instrumento e o formulário de avaliação, sendo este último, também, pelo Google Forms.

Na avaliação do IMFRIU-Fem, desenvolveu-se um questionário específico para este estudo, o qual foi projetado para avaliação doa juízes quanto a clareza e compreensão, relevância e o julgamento dos itens quanto a manter, não manter, manter após alterações. O instrumento foi validado pelo índice de validade de conteúdo (IVC). Trata-se de um método que utiliza a escala Likert com pontuação de 1 a 4 pontos, onde 1: irrelevante e 4: totalmente relevante. (17)

O cálculo de IVC mede a proporção ou porcentagem de juízes que estão em concordância sobre determinados aspectos do instrumento e de seus itens. Permite inicialmente analisar cada item individualmente e depois o instrumento como um todo. O escore do índice é calculado por meio da soma de concordância dos itens que foram marcados por “3” ou “4” pelos especialistas. Os itens que receberam pontuação “1” ou “2” devem ser revisados ou eliminados. (16)

Para calcular o IVC de cada item do instrumento, as respostas 3 e 4 foram somadas e o valor foi dividido pelo número de juízes. Os itens que tiveram pontuação 1 ou 2 e, consequentemente, baixo IVC, foram revisados ou eliminados. (18) Foram considerados aceitáveis os resultados de IVC ≥ 0,80, valor considerado recomendado para pesquisas com mais de 6 juízes. (16) Para os IVCs abaixo de 0,80, os itens foram excluídos ou reformulados. O reteste é indicado para validação caso o IVC seja abaixo de 0,80 na primeira avaliação, o que não foi necessário realizar nesta pesquisa.

Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Cariri (CEP-URCA), sob o parecer n.° 3.779.482 e Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (CAAE) 24351819.7.0000.5055.

 

 

Resultados

 

 

Construção da tecnología

 

 

            A tecnologia desenvolvida foi amparada por estudos científicos compilados em uma revisão de literatura. O resultado norteou a construção do instrumento para o mapeamento dos fatores de risco para incontinência urinaria feminina. Foram evidenciados 55 fatores de risco que causam efeito no assolho pélvico (Tabela 1).

 

Tabela 1: Fatores de risco para incontinência urinaria e quantidade de citações

 

Tabla

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Para melhor interpretação e análise, foram organizados em tabela de Excel, os fatores que tinham semelhança nos significados e os fatores que foram citados por mais de dois autores, construindo a tabela de fatores de risco recorrentes, resultando em 23 fatores de risco (Tabela 2).

 

Tabela 2: Fatores de risco recorrentes

 

Tabla

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Para além da agrupação em fatores de risco recorrentes, eles foram reagrupados em dimensões de acordo com suas afinidades, compondo as seguintes: identificação, dimensão sociodemográfica, dimensão saúde-doença/aspectos gerais, dimensão saúde-doença cardiovascular, dimensão saúde-doença respiratória, dimensão saúde-doença gastrointestinal, dimensão saúde-doença geniturinária, dimensão saúde-doença mental, outras doenças, sintomas e/ou queixas. Portanto a anamnese deva conter elementos de identificação geral seguindo com interrogatório sintomatológico dos diversos aparelhos (ISDA), antecedentes familiares e pessoais. (19)

 

 

Validação da tecnología

 

 

A Tabela 3 apresenta as características dos juízes do IMFRIU-Fem. A amostra foi constituída por enfermeiros pertencentes a região Nordeste, sendo 5 do sexo feminino (71,4 %) e dois do sexo masculino (28,6 %). A média de idades variou de 20 a 59 anos, predominando a faixa etária de 30 a 39 anos (71,4 %). Todos os juízes relataram possuir especialização, sendo a maioria especialista na área de estomaterapia (71,4 %). Quanto a pós-graduação stricto sensu, quatro referiram a titulação de mestrado (57,1 %) e um de doutorado (14,3 %).

Sobre o cenário de atuação, 5 declararam atuação na assistência secundária a saúde, 1 na docência e 2 em ambas as áreas. Em relação a produção científica, as informações mostraram que 4 dos juízes já participaram de bancas de dissertação ou tese (57,1 %), 5 (71,4 %) já foram autor de artigo(s) publicado(s) na área de IU. Além disso, 5 também revelaram que participaram de grupos de pesquisa como foco em diferentes áreas que se correlacionam com o tema do trabalho, tais como: saúde coletiva, disfunções pélvicas, estomaterapia e tecnologia em saúde.  

 

Tabela 3: Características dos juízes IMFRIU-Fem e respectivos IVC

 

Tabla

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Nota: *Um mesmo juiz poderia apresentar mais de uma especialização. **Um mesmo juiz poderia atuar em mais de um cenário.

 

A Tabela 4 apresenta os resultados do IMFRIU-Fem em relação a clareza e compreensão dos itens, o IVC por itens de cada dimensão e o IVC total.

 

Tabela 4: Avaliação das dimensões e itens do IMFRIU-Fem quanto clareza e compreensão e respectivos IVC

 

Captura de pantalla de un celular con letras

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Para a maioria das dimensões do instrumento os juízes apresentaram uma resposta unanime, expressando uma porcentagem de 100 % quanto a clareza e compreensão, o que significa dizer que tais dimensões apresentam funcionalidade diante do objetivo de mapear os fatores de risco para a IU feminina. De modo geral, IVC global das dimensões foi de 0,91.

Os itens destinados à identificação e a dimensão sociodemográfica obtiveram IVC total de 0,86, ficando acima do referencial citado para exclusão, porém na análise individual o item “1.7 Família” apresentou IVC de 0,57 sendo excluído do instrumento. Os itens “Classificação do risco de IU” e “Fluxograma com os resultados obtidos” obtiveram ambos IVC’s 0,53, nesses casos, optou-se pela reformulação dos itens atendendo as recomendações dos avaliadores, para a versão final do instrumento.

O instrumento IMFRIU-Fem foi exportado para um QR code após a realização dos ajustes solicitados pelos avaliadores e pode ser acessado pela câmera de smartphones e tabletes.

 

Figura 1: Versão final em QR do Instrumento de Mapeamento dos Fatores de Risco para Incontinência Urinária Feminina (IMFRIU-Fem).

 

Código QR

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Discussão

 

 

A estrutura do IMFRIU-Fem foi pensada para contemplar o holismo durante o mapeamento de enfermagem, entendendo que os fatores de risco para IU são multifatoriais, não limitando-se apenas a disfunção da musculatura do assoalho pélvico. Eles vão desde os aspectos sociodemográficos até a saúde mental, conforme foi identificado na literatura.

O roteiro teve o intuito de promover um diálogo contínuo e acolhedor durante a consulta, sendo conduzido conforme as dimensões da saúde feminina. A interação enfermeiro-cliente que enfatiza a escuta ativa, o acolhimento, a empatia e a criatividade, permite que a pessoa se sinta parte do processo de cuidar/cuidado, se sentindo apto a realizá-lo de maneira contínua, aumentando as chances de resolutividade da situação de saúde. (20)

A anamnese inicia com a identificação seguindo com interrogatório sintomatológico dos diversos aparelhos do corpo humano, antecedentes familiares e pessoais, por fim, investigação dos antecedentes ginecológicos e obstétricos, criando uma conexão com o profissional e paciente. (19)

Outrossim, a IU vista como processo natural da idade máscara o verdadeiro diagnóstico.  O escape involuntário de urina causa impacto negativo em seu portador que vai desde as alterações das rotinas diárias até constrangimento social, onde o desconhecimento e normalização atrasa a busca de tratamento. (21) Em pesquisa com 300 mulheres, 24 delas afirmaram ter perda involuntária de urina, porém ao ser questionadas sobre incontinência urinaria, em unanimidade, não souberam responder. (22)

Isso mostra que o reconhecimento e identificação dos fatores de risco precocemente, pelos profissionais de saúde, para desenvolvimento da incontinência urinaria, marca um progresso no avanço da saúde da mulher, uma vez que o escape de urina pode refletir na qualidade de vida. A promoção da saúde com estratégias preventivas renova a assistência em saúde com redução de danos futuros para a saúde feminina.

No que diz respeito ao processo de validação de conteúdo do IMFRIU-Fem, foi possível notar que houve predominância do consenso dos juízes na maioria dos tópicos do instrumento, através do IVC global de 0,91 apontando que 91 % dos experts consideraram o IMFRIU-Fem relevante para a identificação precoce da incontinência urinaria feminina, sendo observado um contínuo interesse dos juízes para formular uma ferramenta utilizável. As sugestões feitas aos itens com menores índices foram consideradas construtivas, uma vez que permitiram uma nova reflexão diante dos focos de investigação fatores para IU.

Contudo, o item família foi excluído por resultar em valor de IVC abaixo de 0,80, considerado irrelevante para o instrumento. No entanto, classificação do risco de IU e fluxograma com os resultados obtidos, contidos na primeira versão, receberam sugestões construtivas, onde houve uma adaptação e fusão do conhecimento, montando assim o painel de dimensão correlacionada com seus fatores de risco.

Durante o estudo, observou-se o maior número de fatores de risco relacionados com demissão gineco-obstetrico, fortalecendo a ideia da construção saudável de um histórico pautado em medidas preventivas que precisam ser iniciados precocemente, impactando na manutenção da continência mesmo com os possíveis danos na musculatura do assoalho pélvico durante a vida.

Tento em vista que, antecedentes obstétricos e cirurgias ginecológicas, são considerados alguns dos fatores que alteram a função do assoalho pélvico. (6) O número de parto é apontado como fator de risco para IU, onde cada aumento de paridade está associado ao risco aumentado de IU em mulheres. Em comparação com nuliparidade, cresce a prevalência com número de partos maior ou igual a dois filhos, (23) além de histórico de infecções trato urinário recorrentes. (24)

Permeia também sobre os estudos o fator idade, mostrando que aqueles de 36 a 50 e 51 anos a acima tem duas vezes o risco de IU do que aqueles na faixa etária de 18 a 35 anos, sendo que a prevalência de IU aumentou com a idade de 40 anos e IMC <30. (25)

O índice de massa corporal está incluído na demissão aspectos gerais, que aborda desde as medidas antropométricas ao estilo de vida. Existe uma correlação moderada e negativa entre medidas antropométricas e a avaliação funcional do assoalho pélvico, onde essas medidas são inversamente proporcionais a força muscular do assoalho pélvico. (26)

Idade, consumo de café, histórico de cirurgias ginecológicas e de infecções recorrentes do trato urinário inferior, obesidade, consumo de cafeína, prática de atividade física, doenças familiares e antecedentes pessoais, foram apontados como principais fatores de risco para incontinência urinaria. (4) Sendo acrescentado a realização de atividades físicas de alto impacto e a duração de treino, sintomas intestinais e urinários, com ênfase na constipação e infecções do trato urinário. (21) Além disso, a IU é considerada uma das complicações mais comuns em mulheres diabéticas. (27) Fatores de risco que corroboram com os contidos na estrutura do IMFRIU-Fem.

Ponto relevante a ser destacado diz respeito a escassez de tecnologias na área de IU feminina no Brasil. Uma revisão publicada em 2020 sobre o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a área de saúde da mulher no país, mostrou que as temáticas mais abrangidas foram educação em saúde na gestação e amamentação. (17) É inexistente uma política de saúde pública feminina focada para a incontinência urinaria, apenas uma proposta discreta encontrada na política para o idoso, não especificando gênero. (11) Diante disso, o IMFRIU-Fem tem possibilidades de contribuir para outros eixos em que se delineia a atuação da enfermagem.

Quando se trata de estratégias para possibilitar eficazmente a prevenção e promoção da saúde, as tecnologias em saúde merecem destaque, devido ao crescimento progressivo que têm apresentado ao longo dos últimos anos. Nesse sentido, considerando a enfermagem, especificamente, a validação de instrumentos de consulta permite que novos recursos possam ser incorporados à prática, tendo em vista um melhor direcionamento dos cuidados de enfermagem e a qualidade da assistência a população. (28) 

Para a área da estomaterapia, a adoção de tecnologias no atendimento é capaz de possibilitar o alcance de resultados mais efetivos diante dos diferentes problemas de saúde que o(a) enfermeiro(a) estomaterapêuta se depara. (20) Dessa forma, torna-se válido explorar os diferentes contextos em que tal especialidade de enfermagem está inserida, como é o caso do atendimento a IU.

Este estudo teve como principal limitação a não validação com o público alvo (mulheres com incontinência urinária), o que abre caminho para a realização de novos estudos sobre a confiabilidade e eficiência do instrumento, também visando o processo de validação na prática da enfermagem no atendimento a IU feminina.

 

 

Conclusão

 

 

O processo de construção e validação do instrumento concretizou-se satisfatoriamente visto o alcance do IVC global de 0,91, além do que proporcionou, a luz da literatura analisada, o reconhecimento dos fatores de risco relacionados a incontinência urinaria feminina. 

Face ao exposto, pode-se inferir que o IMFRIU-Fem poderá ser utilizado para a consulta de enfermagem as mulheres adultas proporcionando a sistematização do atendimento com vistas a prevenção de incontinência urinária além do despertar para importância de novos recursos na assistência em saúde, que possam melhorar a qualidade de vida das pessoas, prevenindo, promovendo saúde e como recurso útil para o planejamento e implementação dos cuidados de enfermagem diante da IU.

Espera-se que o IMFRIU-Fem possa auxiliar o(a) enfermeiro(a) a identificar precocemente os fatores de risco para IU, fornecendo dados longitudinais que permitam elaborar um plano assistencial que considere a integralidade da saúde da mulher. Almeja-se, ainda, que, o instrumento possa chegar a ser implementado para além do território brasileiro, inovando a prática da enfermagem em estomaterapia, fortalecendo e consolidando, ainda mais, essa especialidade.

 

 

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Como citar: Moreira RA, de Araújo AF, Macedo LFR, Goulart ML, Bezerra MSA, Jacob LM da S. Validação de instrumento brasileiro para mapeamento dos fatores de risco e diagnóstico precoce de incontinência urinária feminina. Enfermería: Cuidados Humanizados. 2024;13(1):e3660. doi: 10.22235/ech.v13i1.3660

 

Contribuição de autores (Taxonomia CRediT): 1. Conceitualização; 2. Curadoria de dados; 3. Análise formal; 4. Aquisição de financiamento; 5. Pesquisa; 6. Metodologia; 7. Administração do projeto; 8. Recursos; 9. Software; 10. Supervisão; 11. Validação; 12. Visualização; 13. Redação: esboço original; 14. Redação: revisão e edição.

R. A. M. contribuiu em 1, 2, 5, 13; A. F. de A. em 1, 2, 3, 12; L. F. R. M. em 1, 3, 6, 13; M. L. G. em 1, 5, 11; M. S. A. B. em 1, 8, 11, 14; L. M. da S. J. em 1, 2, 14.

 

Editora científica responsável: Dra. Natalie Figueredo

 

 

Doi: 10.22235/ech.v13i1.3660

Original Articles

 

Validation of a Brazilian Tool for Mapping Risk Factors and Early Diagnosis of Female Urinary Incontinence

Validação de instrumento brasileiro para mapeamento dos fatores de risco e diagnóstico precoce de incontinência urinária feminina

Validación de una herramienta brasileña para el mapeo de factores de riesgo y diagnóstico precoz de la incontinencia urinaria femenina

 

Rhuana Alves Moreira1, ORCID 0000-0002-5968-0114

Aretha Feitosa de Araújo2, ORCID 0000-0001-9297-8281

Luis Fernando Reis Macedo3, ORCID 0000-0002-3262-9503

Marta Lira Goulart4, ORCID 00009-0001-7559-454X 

Maria Selma Alves Bezerra5, ORCID 0000-0001-9213-9939

Lia Maristela da Silva Jacob6, ORCID 0000-0003-4168-4333

 

1 Universidade Regional do Cariri, Brazil

2 Centro Universitário de Juazeiro do Norte, Brazil

3 Universidade Federal de São Paulo, Brazil, luis.reis@urca.br      

4 Associação Brazileira de Estomaterapia, Brazil

5 Policlínica Regional de Iguatú, Brazil

6 Faculdade São Leopoldo Mandic, Brazil

 

Abstract
Objective:
To validate the content of the Risk Factors Mapping Instrument for Female Urinary Incontinence (IMFRIU-Fem) considering the context of young adult women.
Method: This is quantitative methodological research, developed from April 2020 to December 2021, in three stages: integrative literature review, instrument construction and content validation.
Results: Through the integrative review, 55 risk factors were identified and grouped into dimensions in the structure of the instrument, considering from sociodemographic aspects to body systems. The instrument was validated by the content validity index (CVI) and was assessed by 7 judges. For most of the dimensions of the instrument the judges presented a unanimous answer, expressing a percentage of 91 % as to clarity and understanding, which means that such dimensions present functionality in the face of the objective of mapping the risk factors for female urinary incontinence. The global CVI of the dimensions showed to be extremely significant, with CVI = 0.91.
Conclusion: It is expected that the IMFRIU-Fem may help nurses to identify early risk factors for urinary incontinence, providing longitudinal data that allow the elaboration of a care plan that considers the integrality of women’s health.

Keywords: enterostomal therapy; urinary incontinence; biomedical technology.

 

Resumo
Objetivo
: Validar o conteúdo do Instrumento de Mapeamento dos Fatores de Risco para Incontinência Urinária Feminina (IMFRIU-Fem) considerando o contexto das mulheres adultas jovens.
Método: Trata-se de uma pesquisa metodológica quantitativa, desenvolvida no período de abril 2020 a dezembro de 2021, em três etapas: revisão integrativa da literatura, construção do instrumento e validação do conteúdo.
Resultados: Através da revisão integrativa, 55 fatores de risco foram identificados e agrupados em dimensões na estrutura do instrumento, considerando desde os aspectos sociodemográficos até os sistemas corporais. O instrumento foi validado pelo índice de validade de conteúdo (IVC) e contou com a avaliação de 7 juízes. Para a maioria das dimensões do instrumento os juízes apresentaram uma resposta unanime, expressando uma porcentagem de 91 % quanto a clareza e compreensão, o que significa dizer que tais dimensões apresentam funcionalidade diante do objetivo de mapear os fatores de risco para a incontinência urinária feminina. O IVC global das dimensões, mostrou-se extremamente significativos, com IVC = 0,91.
Conclusão: Espera-se que o IMFRIU-Fem possa auxiliar os enfermeiros a identificar precocemente os fatores de risco para a incontinência urinária, fornecendo dados longitudinais que permitam elaborar um plano assistencial que considere a integralidade da saúde da mulher.

Palavras-chave: estomaterapia; incontinência urinária; tecnologia biomédica.

 

Resumen
Objetivo:
Validar el contenido del Instrumento de Mapeo de Factores de Riesgo para la Incontinencia Urinaria Femenina (IMFRIU-Fem) considerando el contexto de las mujeres adultas jóvenes.
Método: Se trata de una investigación metodológica cuantitativa, desarrollada entre abril de 2020 y diciembre de 2021, en tres etapas: revisión bibliográfica integradora, construcción del instrumento y validación de contenido.
Resultados: A través de la revisión integradora, se identificaron 55 factores de riesgo y se agruparon en dimensiones en la estructura del instrumento, considerando desde aspectos sociodemográficos hasta sistemas corporales. El instrumento fue validado por el índice de validez de contenido (IVC) y fue evaluado por 7 jueces. Para la mayoría de las dimensiones del instrumento los jueces presentaron una respuesta unánime, expresando un porcentaje del 91 % en cuanto a claridad y comprensión, lo que significa que dichas dimensiones presentan funcionalidad frente al objetivo de mapear los factores de riesgo de la incontinencia urinaria femenina. El IVC global de las dimensiones resultó ser extremadamente significativo, con un valor de 0.91.
Conclusión: Se espera que el IMFRIU-Fem pueda ayudar al personal de enfermería a identificar de forma precoz los factores de riesgo para la incontinencia urinaria, proporcionando datos longitudinales que permitan elaborar un plan de asistencia que considere la integralidad de la salud de la mujer.

Palabras clave: estomaterapia; incontinencia urinaria; tecnología biomédica.

 

 

Received: 02/09/2023

Accepted: 13/03/2024

 

 

Introduction

 

 

Urinary incontinence (UI) is defined as a complaint of involuntary loss of urine (International Continence Society - ICS, 2017) and incorporated into the International Classification of Diseases (ICD).(1) It is a disorder that affects around 27 % of the world’s population and is more prevalent in women (2) due to the physical-functional transformations that occur in the female aging process, such as climacteric and menopause, making them more vulnerable to developing UI. (3)

Although its occurrence is associated with aging, UI can affect women at other stages of life. In a survey of 300 women of working age, 8 % complained of involuntary loss of urine, 100% were unaware of the issue, and 54.2 % stopped going out because they were ashamed of their health condition. Studies have highlighted the increase in the occurrence of UIs in young adult women, which is a cause for concern as it has an impact on quality of life. (4)

The literature points to various factors for the onset of UI in women, such as age, heredity, race, obesity, chronic diseases, pelvic floor trauma, abdominal or gynecological surgery, multiparity, urinary tract infection, medication, constipation, smoking, caffeine consumption and intense exercise in the abdominal region. (5, 6)

UI is differentiated into three main subtypes: stress urinary incontinence (SUI), characterized by urine loss during physical activity, coughing, and sneezing; urge urinary incontinence (UUI), when involuntary elimination of urine is preceded by an uncontrollable urge to urinate; and mixed urinary incontinence (MUI), when both types of UI mentioned above are present. (7)

From this perspective, the Unified Health System (SUS) faces a challenge in seeking innovative solutions that provide comprehensive and effective care. SUS has driven health research to develop technologies and incorporate care practices based on the best evidence. (8) 

Nurses, especially stomatherapists, are fundamental in assisting people with UIs at all levels of health care, so making resources available to these professionals to facilitate decision-making is a relevant strategy for care focused on individual needs. (9, 10)

Urinary incontinence, often mistakenly associated with a normal condition, becomes a silent public health problem that prevents timely diagnosis and preventative actions from being instituted, negatively impacting the physical, social, and emotional health of these women. (11) Faced with this challenging situation, the nurse’s role in prevention involves early recognition of the risk factors for urinary incontinence. Early action aims to reduce easily avoidable damage, such as exposure to surgical procedures related to UIs and drives the transformation of the current scenario.

Surgery and drugs are considered the first line of treatment for health professionals, drowning the health system with delays in solving the problem. (12) Early recognition of risk factors for urinary incontinence incorporates simple, low-cost, and effective preventive measures. In this way, early treatment by nurses can reduce the growth of waiting lists for specialized hospitals, direct secondary care to more complex cases, and reduce the burden on the Unified Health System (SUS) network. (13)

Thus, early identification of risk factors for UI is essential to implement care, promoting the reduction of future damage to women’s health by maintaining urinary continence even in the face of physiological changes. Given this context, this study aimed to validate the instrument’s content for Mapping Risk Factors for Female Urinary Incontinence (IMFRIU-Fem), considering the context of young adult women.

 

 

Methodology

 

 

This is a quantitative methodological study carried out in three stages: 1) Literature review (LR), 2) Technology construction, and 3) Content validation with expert judges. (14)

The RL was carried out between April and August 2020 to list the risk factors for UI in adult women for textual production of the instrument a posteriori. The following health science descriptors were used: urinary incontinence, risk factors, and women. They were applied with the Boolean operator and in Public/Publish Medline (Pubmed) and Scientific Electronic Library (Scielo). Of the 1604 articles obtained in the initial search, the following inclusion criteria were applied: complete articles focused on the theme, with no time restriction on publication and language. We excluded articles such as letters, dissertations and theses, expert opinions, editorials, book chapters, articles that could not be accessed in full, and articles that did not answer the guiding question and did not have content related to the research topic. In addition, studies involving the elderly in general and articles that did not provide primary data were excluded. This resulted in 19 selected articles, in which 55 risk factors for UI were identified.  In the second stage, the IMFRIU-Fem was structured between September and October 2020 based on the results obtained in the RL. In this stage, the factors were analyzed and grouped into dimensions, considering the sociodemographic aspects and the body systems, to enable practicality during the nurse’s investigation process.

The technology consists of two stages: the first is an instrument for investigating risk factors, and the second consolidates the dimensions and their risk factors. The instrument is organized into dimensions correlated with their risk factors, optimizing and facilitating its use. Once completed, the professional will build the patient’s risk factor panel, showing which dimensions should be focused on during the development of nursing interventions. Professionals can use this panel as a technological tool for targeted, optimized, and simplified assistance.

After drafting the instrument, the content validation stage was carried out between November and December 2021. The experts were sampled intentionally, non-probabilistically, by telephone and via WhatsApp.  To be considered a suitable judge, the participant had to have experience in at least one of the following areas: stomatherapy, UI, methodological research, and/or health technologies. They were mapped using the snowball technique, as it makes it possible to build reference networks through referrals, thus constructing an intentional sample. (15)

The number of judges is much debated and is of great value in measuring the quality of the instrument to be developed. Therefore, between three and sixteen judges is ideal, with a minimum of five and a maximum of ten people participating in this process. (16) Of the 15 judges identified, 11 agreed to participate in the evaluation process and signed the Informed Consent Form (ICF). However, only 7 completed all the stages. Initially, each participant answered a questionnaire via Google Forms on academic training, professional activity, and scientific production. They then received the instrument and the evaluation form, which also used Google Forms.

In evaluating the IMFRIU-Fem, a specific questionnaire was developed for this study. It was designed for the judges to assess clarity and comprehension, relevance, and the judgment of items as to whether they should be kept, not kept, or kept after changes. The instrument was validated using the Content Validity Index (CVI). It is a method that uses the Likert scale with a score of 1 to 4 points, where 1: irrelevant and 4: totally relevant. (17)

The content validation index (CVI) calculation measures the proportion or percentage of judges who agree on certain aspects of the instrument and its items. It allows you to analyze each item individually and then the instrument. The index score is calculated by adding up the agreement of the items marked “3” or “4” by the experts. Items that received a score of “1” or “2” should be revised or eliminated. (16)

To calculate the CVI for each item in the instrument answers 3 and 4 were added together, and the value was divided by the number of judges. Items that scored 1 or 2 and, consequently, low CVI were revised or eliminated. (18) CVI results ≥0.80 were considered acceptable and recommended for research with more than six judges. (16) For CVIs below 0.80, the items were excluded or reformulated. The retest is indicated for validation if the CVI is below 0.80 in the first evaluation, which was unnecessary in this study.

This study was approved by the Research Ethics Committee of the Universidade Regional do Cariri (CEP-URCA) under opinion No. 3.779.482 and Certificate of Submission for Ethical Appraisal (CAAE) 24351819.7.0000.5055.

 

 

Results

 

 

Building technology

 

 

            The technology developed was supported by scientific studies compiled in a literature review. The results guided the construction of an instrument to map the risk factors for female urinary incontinence. A total of 55 risk factors were found to affect pelvic pain (Table 1).

 

Table 1: Risk factors for urinary incontinence and number of citations

 

Tabla

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For better interpretation and analysis, the factors that were similar in meaning and the factors that more than two authors cited were organized in an Excel table, building a table of recurring risk factors, resulting in 23 risk factors (Table 2).

 

Table 2: Recurring risk factors

 

Tabla

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In addition to grouping them into recurring risk factors, they were regrouped into dimensions according to their affinities, making up the following: identification, sociodemographic dimension, health-disease dimension/general aspects, cardiovascular health-disease dimension, respiratory health-disease dimension, gastrointestinal health-disease dimension, genitourinary health-disease dimension, mental health-disease dimension, other diseases, symptoms and/or complaints. Therefore, the anamnesis should include elements of general identification, followed by symptomatic questioning of the various devices (ISDA), family, and personal history. (19)

 

 

Technology validation

 

 

Table 3 shows the characteristics of the IMFRIU-Fem judges. The sample consisted of nurses from the Northeast region, five females (71.4 %) and two males (28.6 %). The average age ranged from 20 to 59, with the 30 to 39 age group predominating (71.4 %). All the judges reported having a specialization, with the majority being specialists in stomatherapy (71.4 %). Regarding stricto sensu postgraduate studies, four had a master’s degree (57.1 %), and one had a doctorate (14.3 %).

About their working environment, five said they worked in secondary health care, one in teaching and two in both areas. Concerning scientific production, the information showed that four of the judges had already participated in dissertation or thesis boards (57.1 %), and five (71.4 %) had already authored article(s) published in the area of UI. In addition, five also revealed that they participated in research groups focusing on different areas that correlate with the theme of the work, such as: collective health, pelvic dysfunctions, stomatherapy and health technology.  

 

Table 3: Characteristics of the judges of the IMFRIU-Fem and their respective CVIs

 

Tabla

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Note: *The same judge could have more than one specialization. **The same judge could act in more than one scenario.

 

Table 4 shows the IMFRIU-Fem results regarding the clarity and comprehension of the items, the CVI per item in each dimension, and the total CVI. 

 

Table 4: Evaluation of the dimensions and items of the IMFRIU-Fem and their respective CVIs

 

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For most of the instrument’s dimensions, the judges had a unanimous response, expressing a percentage of 100 % in terms of clarity and comprehension. This means that these dimensions are functional, given the objective of mapping the risk factors for female UI. Overall, the global CVI for the dimensions was 0.91.

The identification and sociodemographic dimensions obtained a total CVI of 0.86, above the benchmark cited for exclusion. However, in the individual analysis, item “1.7 Family” had a CVI of 0.57 and was excluded from the instrument. The items “Classification of the risk of UI” and “Flowchart with the results obtained” both obtained CVIs of 0.53. In these cases, it was decided to reformulate the items in line with the evaluators’ recommendations for the final version of the instrument.

After making the adjustments requested by the evaluators, the IMFRIU-Fem instrument was exported to a QR code, which can be accessed via the camera of smartphones and tablets.

 

 

Figure 1: The final QR code version of the Instrument for Mapping Risk Factors for Female Urinary Incontinence (IMFRIU-Fem).

 

Código QR

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Discussion

 

 

The structure of the IMFRIU-Fem was designed to contemplate holism during nursing mapping. It understands that the risk factors for UI are multifactorial and not limited to pelvic floor muscle dysfunction. As identified in the literature, these range from sociodemographic aspects to mental health.

The script was intended to promote a continuous and welcoming dialog during the consultation, which was conducted according to the dimensions of women’s health. The nurse-client interaction that emphasizes active listening, welcoming, empathy, and creativity allows the person to feel part of the care process and feel able to carry it out continuously, increasing the chances of resolving the health situation. (20)

The anamnesis begins with identification, followed by symptomatological questioning of the various apparatuses of the human body, family, and personal history, and finally, an investigation of gynecological and obstetric history, creating a connection with the professional and the patient. (19)

Furthermore, UI, seen as a natural age process, masks the true diagnosis. Involuntary urine leakage has a negative impact on its carrier, ranging from changes in daily routines to social embarrassment, where lack of knowledge and normalization delay the search for treatment. (21) In a survey of 300 women, 24 of them said they had involuntary urine leakage, but when asked about urinary incontinence, they were unanimously unable to answer. (22)

This shows that health professionals’ early recognition and identification of risk factors for developing urinary incontinence marks progress in women’s health, as leaking urine can affect quality of life. Health promotion with preventive strategies renews health care and reduces future damage to women’s health.

About the IMFRIU-Fem content validation process, it was possible to note that there was a predominance of consensus among the judges on most of the instrument’s topics, with an overall CVI of 0.91, indicating that 91 % of the experts considered the IMFRIU-Fem to be relevant for the early identification of female urinary incontinence, with the judges showing a continued interest in formulating a usable tool. The suggestions for the items with the lowest scores were considered constructive, as they allowed for a new reflection on the research focus factors for UI.

However, the family item was excluded because it resulted in a CVI value below 0.80, which was considered irrelevant for the instrument. However, the classification of UI risk and the flowchart with the results obtained, contained in the first version, received constructive suggestions, where there was an adaptation and fusion of knowledge, thus assembling the panel of dimensions correlated with their risk factors.

During the study, the highest number of risk factors related to gynecobstetric discharge was observed, strengthening the idea of building a healthy history based on preventive measures that need to be started early, impacting the maintenance of continence even with the possible damage to the pelvic floor muscles during life.

Bearing in mind that obstetric history and gynecological surgeries are considered some of the factors that alter pelvic floor function. (6) O The number of births has been identified as a risk factor for UI, with each increase in parity being associated with an increased risk of UI in women. Compared to nulliparity, the prevalence of births of two or more children is increasing, (23) and there is a history of recurrent urinary tract infections. (24)

The age factor also permeates the studies, showing that those aged 36 to 50 and 51 and over have twice the risk of UI than those aged 18 to 35 and that the prevalence of UI increases with age 40 and BMI <30. (25)

The body mass index is included in the general aspects section, which covers everything from anthropometric measurements to lifestyle. There is a moderate and negative correlation between anthropometric measurements and functional assessment of the pelvic floor, where these measurements are inversely proportional to pelvic floor muscle strength. (26)

Age, coffee consumption, a history of gynecological surgeries and recurrent lower urinary tract infections, obesity, caffeine consumption, physical activity, family illnesses, and personal history were identified as the main risk factors for urinary incontinence. (4) Added are high-impact physical activities, training duration, and intestinal and urinary symptoms, emphasizing constipation and urinary tract infections. (21) In addition, UI is considered one of the most common complications in diabetic women. (27) Risk factors that corroborate those contained in the IMFRIU-Fem structure.

A relevant point to highlight is the scarcity of technologies in female UI in Brazil. A review published in 2020 on the development of technologies aimed at women’s health in the country showed that the most covered topics were health education during pregnancy and breastfeeding. (17) No female public health policy focuses on urinary incontinence; only a discreet proposal for the elderly, which does not specify gender, is found in the policy for the elderly. (11) Given this, IMFRIU-Fem has the potential to contribute to other areas of nursing practice.

Regarding strategies to effectively enable prevention and health promotion, health technologies deserve to be highlighted due to their progressive growth over the last few years. In this sense, considering nursing specifically, the validation of consultation instruments allows new resources to be incorporated into practice to direct nursing care better and improve the quality of care for the population. (28) 

In the field of enterostomal therapy, adopting technologies in care can enable more effective results in the face of the different health problems enterostomal nurses face. (20) Therefore, it is worth exploring the contexts in which this nursing specialty is inserted, such as UI care.

The main limitation of this study was that it was not validated by the target audience (women with urinary incontinence). This opens the way for further studies on the reliability and efficiency of the instrument and for validating it in nursing practice in the care of female UI.

 

 

Conclusion

 

 

The process of constructing and validating the instrument was satisfactory since the overall CVI of 0.91 was achieved. In addition, in the light of the literature analyzed, it provided recognition of the risk factors related to female urinary incontinence. 

Given the above, it can be inferred that the IMFRIU-Fem can be used for nursing consultations with adult women, providing systematized care to prevent urinary incontinence, raising awareness of the importance of new resources in health care that can improve people’s quality of life, prevent and promote health, and be a useful resource for planning and implementing nursing care for UI.

It is hoped that the IMFRIU-Fem can help nurses identify risk factors for UI early, providing longitudinal data that will enable them to draw up a care plan that considers the integrality of women’s health. It is also hoped that the tool can be implemented beyond Brazil, innovating the practice of stomatherapy nursing and further strengthening and consolidating this specialty.

 

 

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How to cite: Moreira RA, de Araújo AF, Macedo LFR, Goulart ML, Bezerra MSA, Jacob LM da S. Validation of a Brazilian Tool for Mapping Risk Factors and Early Diagnosis of Female Urinary Incontinence. Enfermería: Cuidados Humanizados. 2024;13(1):e3660. doi: 10.22235/ech.v13i1.3660

 

Authors’ contribution (CRediT Taxonomy): 1. Conceptualization; 2. Data curation; 3.  Formal Analysis; 4. Funding acquisition; 5. Investigation; 6. Methodology; 7. Project administration; 8. Resources; 9. Software; 10. Supervision; 11. Validation; 12. Visualization; 13. Writing: original draft; 14. Writing: review & editing.

R. A. M. has contributed in 1, 2, 5, 13; A. F. de A. in 1, 2, 3, 12; L. F. R. M. in 1, 3, 6, 13; M. L. G. in 1, 5, 11; M. S. A. B. in 1, 8, 11, 14; L. M. da S. J. in 1, 2, 14.

 

Scientific editor in charge: Dr. Natalie Figueredo